A Reforma Tributária deve alterar de forma significativa a formação de preços no setor de serviços, responsável por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o IBGE. A substituição gradual de PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), obrigará empresas a reavaliar custos, margens e estratégias comerciais.
A transição começa a ganhar efeitos práticos em 2027, quando PIS e Cofins serão substituídos pela CBS. Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS deixarão de existir gradualmente, dando lugar ao IBS. O novo sistema deverá estar completamente implantado em 2033, enquanto 2026 funciona como período de testes e adaptação para empresas e governos.
Para Robinson de Castro, contador, advogado e presidente do Grupo Controller, a mudança vai além do cálculo dos impostos e poderá atingir diretamente os preços cobrados pelos serviços. “A Reforma Tributária muda a lógica de formação dos custos e da tributação. Por isso, as empresas precisarão reavaliar suas margens, seus contratos, a composição dos custos e a forma como os tributos são incorporados ao preço”, afirma. A adoção de créditos tributários também fará com que o impacto varie conforme os custos e a estrutura de cada negócio.
A avaliação, segundo Castro, deverá ser contínua durante toda a transição. “Não será suficiente apenas entender quanto será pago de imposto. Será necessário compreender como a nova tributação interfere na relação com fornecedores e clientes, nos créditos tributários e na margem de cada serviço”, diz. Para ele, empresas que anteciparem a revisão de custos, contratos e preços terão melhores condições para atravessar a mudança até a implantação integral do novo modelo.



















