Santa Catarina chega à eleição de 2026 em uma situação incomum. Diferentemente de muitos estados brasileiros, o debate não é dominado por uma crise fiscal ou pelo colapso das contas públicas. Ao contrário, o Estado apresenta indicadores econômicos robustos: crescimento estimado do PIB de 3,9% em 2025, acima da média nacional, exportações recordes de US$ 12,2 bilhões, desemprego de apenas 2,2%, o menor do país, e cerca de 140 mil novas empresas abertas em um único ano.
O problema de Santa Catarina não é crescer. O problema é continuar crescendo sem que a infraestrutura, a logística e os serviços públicos acompanhem esse ritmo.
É justamente aí que a eleição deveria concentrar seu debate.
Um Estado que cresce mais rápido do que sua estrutura
Santa Catarina já ultrapassa a marca de R$ 600 bilhões de PIB estimado, possui uma das economias mais diversificadas do Brasil, uma indústria que representa parcela relevante da riqueza estadual e um agronegócio que bate recordes sucessivos. Em 2025, o Valor da Produção Agropecuária chegou a R$ 74,9 bilhões, alta de 15,1%, enquanto as exportações do Estado também atingiram o maior nível da série histórica.
Mas esse sucesso traz uma consequência inevitável: a pressão sobre a infraestrutura aumenta na mesma velocidade.
Empresas produzem mais.
Portos movimentam mais cargas.
Rodovias recebem mais caminhões.
As cidades crescem.
E os gargalos aparecem.
Os temas que decidirão a próxima década
Independentemente de quem vença a eleição para o Governo do Estado, algumas perguntas precisarão ser respondidas.
Infraestrutura rodoviária. Apesar da melhora das rodovias estaduais, impulsionada por investimentos que somam mais de R$ 5 bilhões e elevaram para 84% o percentual da malha estadual classificada como boa ou ótima, ainda permanecem desafios estratégicos nas ligações federais, nos acessos portuários e nos corredores logísticos que sustentam a economia catarinense.
Logística. Santa Catarina é uma potência exportadora. O crescimento da indústria e do agronegócio exige integração entre portos, rodovias, ferrovias e aeroportos. A competitividade futura dependerá menos da capacidade de produzir e mais da capacidade de transportar com eficiência.
Mão de obra. O pleno emprego, que hoje é motivo de orgulho, também representa um desafio. Diversos setores já relatam dificuldades para contratar profissionais qualificados. A política pública para formação técnica, inovação e retenção de talentos precisará ganhar protagonismo.
Saúde. O envelhecimento da população catarinense aumentará a demanda por atendimento especializado, hospitais regionais e serviços de média e alta complexidade. Não basta inaugurar estruturas; será necessário garantir financiamento, equipes e gestão.
Habitação e mobilidade. As cidades que mais crescem enfrentam pressão sobre trânsito, transporte coletivo, saneamento e acesso à moradia. O desenvolvimento econômico passa, cada vez mais, pela qualidade de vida urbana.
A campanha precisa mudar de fase
Até aqui, a política discutiu alianças, partidos, convenções e candidaturas.
Era natural.
Agora, essa etapa precisa dar lugar a outra.
O eleitor quer saber qual é o plano para manter Santa Catarina competitiva nos próximos dez anos.
Quem pretende enfrentar os gargalos logísticos?
Como ampliar a capacidade dos portos?
Qual é a estratégia para formar mão de obra?
Como reduzir o tempo de deslocamento nas principais regiões metropolitanas?
Como garantir crescimento sem perder qualidade de vida?
Essas perguntas valem mais do que qualquer disputa de bastidores.
PONTO DE VISTA
Santa Catarina não precisa apenas escolher um governador. Precisa escolher um projeto de Estado.
A próxima eleição será menos sobre administrar o presente e muito mais sobre preparar o futuro. Os indicadores mostram um Estado forte, competitivo e em expansão. Mas também revelam que continuar crescendo exigirá planejamento, investimentos e capacidade de execução.
Quem apresentar respostas concretas para esses desafios falará sobre o futuro. Quem permanecer apenas no discurso político correrá o risco de discutir uma eleição enquanto o Estado já enfrenta os problemas da próxima década.
A PERGUNTA QUE FICA
Quando começaremos a comparar os candidatos pelo projeto que apresentam para Santa Catarina, e não apenas pela aliança que conseguiram construir?
























