A reaparição de Gelson Merisio no cenário catarinense está longe de ser apenas mais uma candidatura anunciada. O movimento que vem sendo tratado como “retorno” tem, na verdade, outro objetivo. Permanecer relevante em um jogo que mudou completamente desde a última vez em que ele esteve no centro.
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O silêncio não foi ausência. Foi reposicionamento
Merisio não desapareceu por acaso. Nos bastidores, o que se construiu ao longo dos últimos meses foi uma tentativa de reposicionamento estratégico. A filiação ao PSB, a aproximação com o campo da esquerda e a construção de uma chapa unificada não surgiram de forma espontânea.
Foi cálculo.
A leitura feita é clara. Sozinho, ou repetindo caminhos anteriores, ele não teria espaço competitivo.
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A nova posição não é natural. É necessária
Ao se alinhar com Décio Lima, Angela Albino e Afrânio Boppré, Merisio entra em um campo político que não era o seu.
E isso muda tudo.
Não é apenas uma aliança. É uma mudança de identidade política.
Esse tipo de movimento não se sustenta apenas com discurso de unidade. Ele exige aceitação real de um eleitorado que, historicamente, não o reconhece como parte desse grupo.
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A esquerda resolveu fazer o que raramente faz
Um dos pontos mais relevantes desse movimento não está em Merisio, mas no campo que o recebe.
PT, PSB, PDT e PSOL optaram por reduzir a fragmentação.
Isso segue uma estratégia nacional. Menos candidaturas, mais concentração de voto e tentativa de competitividade em estados onde historicamente têm dificuldade
Santa Catarina é um desses casos.
O objetivo não é apenas disputar o governo. É também entrar forte na disputa ao Senado.
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O cenário abriu uma janela que não existia antes
A reorganização da esquerda não acontece no vazio.
Ela é favorecida por um ambiente fragmentado do outro lado. Disputa interna no Progressistas, indefinição no MDB e múltiplas candidaturas no campo da direita. Esse cenário cria uma oportunidade rara.
Mas oportunidade não é garantia.
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O desafio de Merisio é mais profundo do que parece
O maior obstáculo não é eleitoral. É de credibilidade.
Merisio precisa sustentar três frentes ao mesmo tempo. Convencer a esquerda de que sua adesão é legítima, dialogar com o centro sem perder coerência e construir identidade própria dentro da chapa.
Isso exige consistência ao longo do tempo. Não se resolve com um evento ou uma fala pública.
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O eleitor não reage a movimento. Reage a coerência
A política permite mudança. Mas cobra coerência.
E esse é o ponto que vai definir o sucesso ou não desse projeto.
Se o reposicionamento for percebido como oportunismo, ele perde força rapidamente.
Se for sustentado com consistência, pode abrir espaço em um cenário que hoje está em disputa.
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O jogo ficou mais complexo
A entrada estruturada desse bloco altera o desenho da eleição. Não necessariamente muda o favoritismo imediato. Mas muda o comportamento da disputa.
Especialmente porque adiciona um elemento que não estava consolidado, a organização de um terceiro campo competitivo.
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PONTO DE VISTA
Gelson Merisio não voltou para repetir o que já fez. Voltou porque o cenário o obrigou a mudar.
A política catarinense de hoje não permite mais os mesmos caminhos de antes. E quem não se adapta, desaparece.
O movimento é arriscado, exige coerência e depende menos de articulação e mais de credibilidade.
No fim, essa não será uma disputa apenas de votos. Será uma disputa de narrativa pessoal.
E, nesse tipo de jogo, o eleitor não escolhe apenas quem quer no poder.
Escolhe em quem acredita.



























