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O pedido do PT que congelou o dinheiro de todo mundo

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Há fatos políticos que merecem ser analisados não apenas pelo que aconteceu, mas também pelo momento em que aconteceram.

O PT foi ao Tribunal Superior Eleitoral pedir a revisão do cálculo da distribuição do Fundo Eleitoral de 2026. A reivindicação era relativamente objetiva: o partido entendia que sua bancada deveria ser considerada com 69 deputados, e não 68. A diferença poderia representar algo próximo de R$ 5 milhões a mais para os petistas.

Até aí, absolutamente legítimo. Partido político também recorre à Justiça quando entende que tem direito a mais recursos.

O problema é o efeito produzido pela disputa.

O julgamento começou justamente às vésperas do início oficial da campanha. E um pedido de vista interrompeu a análise do caso, deixando suspensa a distribuição de aproximadamente R$ 2,3 bilhões do Fundo Eleitoral, parcela calculada de acordo com o tamanho das bancadas na Câmara.

Na prática, o dinheiro ficou parado para todo mundo.

E aqui começa a parte politicamente interessante.

O PL, maior beneficiário do Fundo, tinha algo próximo de R$ 455 milhões nessa parcela. O PT, cerca de R$ 315 milhões. União Brasil, aproximadamente R$ 272 milhões. Progressistas, cerca de R$ 216 milhões. Ou seja: quanto maior o partido e sua estrutura eleitoral, maior o impacto do atraso.

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Coincidência?

Talvez.

Estratégia?

Não há, até agora, prova para afirmar isso.

Mas seria ingênuo também fingir que a pergunta não existe.

O PT sabia que estava discutindo justamente um critério que interfere na distribuição dos recursos para todas as legendas. E sabia que a discussão acontecia a poucos dias da abertura da campanha. Portanto, pelo menos politicamente, é legítimo perguntar se o partido avaliou o efeito colateral da iniciativa antes de apresentá-la.

Mais curioso ainda é o desfecho.

Depois que o julgamento foi interrompido e a distribuição ficou travada, o PT desistiu da ação e pediu ao TSE que extinguisse o processo e liberasse os recursos.

A pergunta que fica é simples: se o objetivo era apenas obter alguns milhões a mais, por que colocar em risco bilhões que seriam distribuídos a todos os partidos?

A resposta pode ser absolutamente inocente. O partido pode ter acreditado que a discussão seria resolvida rapidamente e que o impacto sobre o calendário eleitoral seria mínimo.

Mas política não se faz apenas com aquilo que se declara. Faz-se também com timing, cálculo e consequências.

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E há uma ironia difícil de ignorar.

Uma iniciativa que poderia acrescentar aproximadamente R$ 5 milhões ao caixa do PT acabou contribuindo para colocar em suspensão bilhões de reais que abasteceriam as campanhas de todos os grandes partidos, inclusive o PL, principal adversário dos petistas na disputa nacional.

Não estamos dizendo que o PT tenha feito isso de propósito. Estamos dizendo que a pergunta merece ser feita.

Porque, em política, às vezes o mais importante não é apenas saber quem entrou com o pedido.

É saber quem ganhou tempo quando o dinheiro de todo mundo ficou parado.

E essa resposta, talvez, seja mais interessante do que os R$ 5 milhões que deram origem à disputa.

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