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Novembro Azul amplia debate sobre saúde mental e masculinidade saudável

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O Novembro Azul, tradicionalmente associado à conscientização sobre o câncer de próstata, vem ganhando novos contornos e ampliando o debate sobre a saúde mental masculina e a construção de uma masculinidade saudável. Em um contexto ainda marcado por silêncios, estigmas e expectativas sociais rígidas, o mês se consolida como uma oportunidade para falar do que não aparece nos exames de rotina: emoções represadas, estresse crônico, ansiedade e depressão.

Fatores culturais e sociais seguem afastando muitos homens dos cuidados com a saúde mental. O relatório “Masculinidades e Saúde na Região das Américas”, da Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que normas sociais associadas ao “ser homem” — como evitar demonstrar emoções, assumir comportamentos de risco e postergar a busca por ajuda — estão relacionadas a maiores índices de suicídio, violência, dependência química, acidentes e doenças crônicas.

Segundo a médica integrativa Maisa Hortal, “há um custo invisível em manter o papel de quem aguenta tudo. Engolir emoções, evitar conversas difíceis e adiar consultas médicas impacta diretamente o corpo, o humor, o sono e a vitalidade”.

 

Saúde que se constrói: o olhar da Salutogênese

Nesse cenário, a medicina integrativa surge como uma aliada potente, ao compreender a saúde como resultado da interação entre corpo, mente, emoções, relações e ambiente. A abordagem se ancora no conceito de salutogênese, que desloca o foco exclusivo da doença para os fatores que favorecem a saúde.

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“A salutogênese nos convida a perguntar menos ‘por que adoecemos?’ e mais ‘o que nos mantém saudáveis?’. Para os homens, isso abre espaço para desenvolver autoconsciência, propósito e coerência entre valores, escolhas e estilo de vida”, explica a Dra. Maisa.

 

Essa perspectiva favorece um cuidado mais acessível e menos ameaçador, no qual o homem se sente autorizado a procurar ajuda sem que isso represente fragilidade — um passo essencial para a construção de um masculino mais íntegro, saudável e conectado.

 

Expossoma: saúde começa no entorno

Outro conceito central na medicina integrativa é o de expossoma, definido como o conjunto de todas as exposições — físicas, emocionais, sociais e ambientais — às quais uma pessoa está submetida ao longo da vida.

“Não somos apenas genética. Somos também o que respiramos, comemos, sentimos, pensamos e vivemos. O expossoma amplia nossa compreensão de saúde ao mostrar que o cuidado começa no entorno e nas relações”, destaca a médica.

A partir dessa visão, as consultas integram escuta qualificada, avaliação do estilo de vida e estratégias personalizadas que podem incluir psicoterapia, práticas respiratórias, atividade física orientada, acupuntura, processos biográficos, além do uso criterioso de nutracêuticos e fitoterápicos. O objetivo não é apenas reduzir sintomas de ansiedade ou estresse, mas ampliar a noção de saúde física, mental e social — individual e coletiva.

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Prevenção como ato de responsabilidade

A atuação preventiva é outro pilar do modelo integrativo. Sono adequado, alimentação equilibrada, movimento regular e acompanhamento periódico com profissionais de saúde deixam de ser obrigações e passam a ser entendidos como gestos de responsabilidade consigo e com o entorno.

“No cuidado integrativo, saúde não é força bruta, é inteligência do viver”, afirma a Dra. Maisa. “Homens que cuidam da mente também cuidam do corpo. A saúde emocional está diretamente ligada à imunidade, à prevenção de doenças crônicas e à longevidade.”

Ao ampliar as discussões durante o Novembro Azul, profissionais de saúde reforçam a importância de incentivar os homens a reconhecerem limites, expressarem sentimentos, pedirem ajuda quando necessário e se abrirem para formas mais completas — e humanas — de cuidado.

 

Porque um masculino saudável não é o que suporta tudo em silêncio, mas o que aprende a escutar a si mesmo.

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