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SEGURANÇA NO TRÂNSITO

“Não tem pressa que valha mais que uma vida”, alerta diretora do Detran-MT

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A velocidade, o uso do celular, o consumo de álcool e o comportamento de motociclistas estão entre os principais desafios para reduzir as mortes no trânsito. Em entrevista ao RDM Online, Adriana Carnevale, diretora de Educação e Fiscalização de Trânsito do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran), falou sobre os riscos enfrentados diariamente por motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres e reforçou que pequenas escolhas podem definir o destino de uma vida.

Com a celebração do Dia Nacional do Trânsito, comemorado no dia 25 de setembro, Adriana destacou a campanha deste ano, “Desacelere. Seu bem maior é a vida”, e explicou por que o excesso de velocidade continua preocupando as autoridades. Ela também falou sobre motociclistas, bicicletas elétricas, uso do celular, cinto de segurança, radares e operações da Lei Seca.

 

 

Confira a entrevista:

RDM Online: Adriana, a campanha deste ano traz uma mensagem direta: “Desacelere. Seu bem maior é a vida”. Por que esse alerta continua tão necessário?

Adriana: Esse é o mote que todos do Sistema Nacional de Trânsito, tanto da parte federal, estadual como municipal, temos que trabalhar nessa Semana Nacional de Trânsito. Então, desacelere, o seu bem maior é a vida. Na semana do dia 18 ao dia 25, a gente intensifica as ações relacionadas tanto à educação quanto à fiscalização, mas principalmente à educação, de forma preventiva, para que as pessoas reflitam sobre suas atitudes e seus comportamentos ao transitar pelas vias urbanas e rodovias.

 

RDM Online: Por que a velocidade continua sendo uma das principais preocupações das autoridades?

Adriana: É o segundo ano que a Senatran escolhe essa mensagem. Foi feita uma pesquisa, uma votação com quatro mensagens, e novamente a escolhida foi relacionada à velocidade porque ela ainda é um dos principais fatores que mata e lesiona pessoas no trânsito. As pessoas abusam da velocidade e, na maioria das vezes, essa pressa não representa uma economia significativa de tempo. Não tem pressa que vá à frente da segurança e de uma vida.

 

RDM Online: Os números mostram que o excesso de velocidade está associado a uma parcela importante dos acidentes fatais. O que precisa mudar no comportamento dos condutores?

Adriana: O trânsito tem três coisas principais que a gente precisa trabalhar: educação, fiscalização e engenharia de tráfego. A educação é a conscientização e a sensibilização dos usuários, seja nas escolas, seja por meio de campanhas. A fiscalização também é importante, porque aquele que não aprendeu pelo amor vai aprender pela dor. E temos a engenharia de tráfego, que precisa estudar, por exemplo, os locais adequados para instalação de radares. As três precisam caminhar juntas.

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RDM Online: E como essas campanhas podem alcançar públicos tão diferentes, como motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres?

Adriana: A gente tem uma equipe que trabalha com palestras em escolas e empresas. As empresas solicitam, geralmente por meio das CIPAs, e nós vamos até esses locais fazer uma sensibilização, uma palestra, um encontro, um bate-papo. Falamos sobre segurança, cumprimento das regras e preservação da vida. O principal motivo para mudar o comportamento deve ser a própria segurança e a segurança de todos que estão ao redor.

 

RDM Online: Os motociclistas continuam entre os grupos mais vulneráveis. O que precisa ser feito para mudar essa realidade?

Adriana: A gente precisa conversar com esse público e entender as necessidades. Muitos trabalham com esse modal, seja em entregas, motofrete ou mototáxi. Então precisamos também conversar com as pessoas que os empregam. O principal é a vida e a segurança deles, porque sempre tem alguém esperando em casa. Um sinistro não prejudica apenas o condutor ou o piloto, mas todos os usuários que estão ao redor. Isso é um problema de saúde pública, porque muitos, quando não morrem, ficam sequelados.

 

RDM Online: Com o crescimento dos aplicativos de entrega e transporte, esse problema se tornou ainda maior?

Adriana: Sim. O sinistro está muito ligado à velocidade. Eles têm pressa para levar alguém ou fazer uma entrega. A maioria desse público é formada por motociclistas, principalmente homens que estão em idade produtiva e trabalham. A partir de 2020, depois da pandemia, houve um incremento muito grande na frota de motos no Brasil inteiro. É um desafio enorme para a segurança viária e um alerta para as autoridades.

 

RDM Online: As bicicletas elétricas e os patinetes também viraram um novo desafio para a fiscalização?

Adriana: Esse é outro desafio hoje no Brasil todo. Precisamos chamar os pais e responsáveis, porque muitos dos que utilizam autopropelidos, como patinetes e bicicletas elétricas, são jovens e até crianças. Cada município tem sua realidade e precisa regulamentar. Temos a legislação do Contran, a 996 de 2023, sobre esses equipamentos. No nosso Estado, o Detran está à disposição para orientar os municípios e a sociedade.

 

RDM Online: E qual é o principal cuidado que pais e responsáveis devem ter com crianças e adolescentes que usam esses equipamentos?

Adriana: Antes da regulamentação, é importante uma conversa, uma audiência pública, chamar escolas, diretores, pais e responsáveis. Um pai que compra um patinete para um filho de 12 anos e esse filho vai para as ruas competir com carros e motos precisa ter responsabilidade. Para ter uma CNH hoje é necessário ter, no mínimo, 18 anos e passar por uma formação teórica e prática. Mesmo esses equipamentos tendo velocidade controlada, é preciso responsabilidade e equipamentos de segurança.

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RDM Online: O uso do celular ao volante ainda preocupa o Detran?

Adriana: Muito. Ao pegar o volante, o condutor precisa estar totalmente concentrado. Qualquer distração pode provocar um sinistro. O celular é uma das infrações mais recorrentes. Imagine uma pessoa pegando o telefone em uma rodovia a 100 quilômetros por hora. É uma distração que pode custar muito caro. E também temos o cinto de segurança. Todos os ocupantes do veículo precisam utilizá-lo, inclusive quem está no banco traseiro.

 

RDM Online: Os radares ajudam de fato a reduzir acidentes ou ainda existe a ideia de que eles servem apenas para arrecadação?

Adriana: O radar não é equipamento de arrecadação. É um equipamento de prevenção e educação. Quando você passa acima do limite estabelecido, é um infrator e precisa arcar com as consequências das suas escolhas. Os radares são instalados a partir de estudos técnicos e mapas de calor que mostram locais com muitas ocorrências de trânsito. Além deles, temos quebra-molas próximos a escolas, hospitais e locais com grande fluxo de pedestres.

 

RDM Online: E como estão as ações de fiscalização contra quem insiste em dirigir depois de beber?

Adriana: Mato Grosso tem uma política de fiscalização que vem sendo investida pelo Governo do Estado desde 2013, com as operações integradas da Lei Seca. Hoje realizamos operações em diversos municípios, juntamente com Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, órgãos municipais de trânsito e Detran. Também fazemos ações educativas, como o Amigos da Rodada, em bares e restaurantes, levando o etilômetro para que as pessoas possam fazer o teste de forma educativa.

 

RDM Online: Para encerrar, qual mensagem você deixa neste Dia Nacional do Trânsito para quem está todos os dias nas ruas?

Adriana: Eu acho que a gente tem que refletir sobre nossas escolhas, nossas atitudes e nossos comportamentos. E pensar sempre no outro, porque você não está sozinho no trânsito. Pedestre, ciclista, motociclista e motorista têm sua parte. As escolhas precisam ser responsáveis. Não adianta termos boas legislações, fiscalização nas ruas e uma educação eficiente se não houver mudança de comportamento e atitudes responsáveis de cada pessoa.

 

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