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MERCADO JOVEM | ENTREVISTA DA SEMANA

Em comemoração ao dia do estagiário: CIEE destaca estágio como porta de entrada em Mato Grosso

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O estágio representa uma das principais portas de entrada dos jovens no mercado de trabalho e também funciona como um período de descoberta profissional, na semana em que se comemora o dia do Estagiário (18 de agosto) se fez necessário o destaque e a importância deste suporte nas empresas. Em Mato Grosso, onde o mercado apresenta baixos índices de desemprego, a busca por estudantes preparados para ocupar as vagas ainda é um desafio. Para falar sobre oportunidades, direitos, áreas mais procuradas e as diferenças entre estágio e aprendizagem, o RDM Online entrevistou Rodrigo Nader, gerente regional de atendimento do Centro-Oeste do CIEE.

 

 

Confira a entrevista:

RDM online: O estágio é realmente uma das principais portas de entrada do jovem no mercado de trabalho?

Rodrigo Nader: Sem dúvida. Eu posso até ter a audácia de colocar que é uma das duas grandes portas de entrada no mercado de trabalho. O Dia do Estagiário é uma data significativa justamente para a gente refletir sobre esse tema. Quando falamos de estágio, estamos falando também de mercado de trabalho e de todas as transformações que estão acontecendo, como inteligência artificial, transformação digital, economia verde e até o cenário geopolítico.

 

RDM online: E como esse cenário nacional se reflete em Mato Grosso?

Rodrigo Nader: Se a gente olhar para Mato Grosso, há alguns anos temos um desemprego na casa de 2,5%. No ano passado foi de 2,2%, o que é excelente diante da realidade brasileira. Tivemos saldo positivo de mais de 31 mil vagas no ano passado e, somente no primeiro trimestre deste ano, mais de 22 mil. Então temos um cenário que, de certa forma, descola do nacional. E aí vem a pergunta: como fica o jovem que quer iniciar a carreira? É aí que entra o programa de estágio.

 

RDM online: Quais são as áreas que mais oferecem oportunidades?

Rodrigo Nader: As áreas de administração, ciências contábeis, Direito e Pedagogia são as que mais demandam. Cuiabá é uma central de serviços, então temos muita procura na área administrativa e contábil. Escritórios de advocacia e o próprio Poder Judiciário demandam estudantes de Direito. Pedagogia também é sempre requisitada pelas instituições de ensino.

 

RDM online: Existem áreas em que há muitas vagas, mas poucos estudantes para ocupá-las?

Rodrigo Nader: Sim. Temos um descompasso. Nas engenharias, por exemplo, existe muita demanda e poucos estudantes. Isso ocorre na Engenharia Civil, nas engenharias ligadas à tecnologia e também em áreas relacionadas ao agronegócio. A gente não consegue formar estudantes no quantitativo de vagas que são oferecidas.

 

RDM online: O que precisa ser feito para diminuir essa diferença?

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Rodrigo Nader: É uma discussão longa, porque isso começa na formação de mão de obra. Não necessariamente temos hoje cursos disponíveis no quantitativo necessário para atender essa demanda. Não é só uma questão de investimento ou fomento público. O estudante também precisa ter interesse e uma base para conseguir acompanhar determinados cursos. Isso começa na educação básica, passa pelo ensino médio e pela discussão sobre mercado de trabalho com esse jovem.

 

RDM online: A falta de experiência ainda é uma grande dificuldade para quem procura o primeiro emprego?

Rodrigo Nader: Sem dúvida. Alguém precisa abrir a porta para você e para mim. Nós não estaríamos sentados aqui hoje se não tivéssemos tido uma oportunidade lá atrás. É inesquecível para a gente quem deu aquela primeira oportunidade. O estágio e o programa de jovem aprendiz possibilitam que o jovem entenda a dinâmica do ambiente de trabalho e vá adquirindo conhecimento e experiência.

 

RDM online: O jovem precisa estar preparado antes mesmo de conseguir a primeira oportunidade?

Rodrigo Nader: Eu acho que existem os dois lados. Estudar, se interessar e buscar as áreas pelas quais você tem mais afinidade já é um caminho. Mas experimentar também é muito importante. Às vezes, em um estágio, você vai experimentar uma realidade e descobrir: “Eu não quero seguir isso”. E está tudo bem. Faz parte do processo de construção da carreira.

 

RDM online: Além do conhecimento técnico, quais competências fazem diferença para o jovem?

Rodrigo Nader: As competências humanas são muito importantes. Comunicação, ética, trabalho em equipe e inteligência emocional são coisas que você leva para qualquer atividade. No ambiente de trabalho, você aprende a trabalhar sob pressão, a ouvir, a lidar com resultados e com outras pessoas. Isso vai fazer uma diferença enorme no profissional que ele vai se tornar.

 

RDM online: Quais são os principais direitos de um estagiário?

Rodrigo Nader: O estágio é regulado por uma lei federal e é um ato educativo supervisionado. O estudante tem direito a uma bolsa-auxílio, que não é salário, auxílio-transporte e uma jornada definida. São até seis horas diárias e 30 horas semanais. O contrato também não pode durar mais de dois anos na mesma empresa. Tudo isso existe para preservar o caráter de aprendizado do estágio.

 

RDM online: Como funciona o acompanhamento do CIEE junto ao estudante e à empresa?

Rodrigo Nader: O programa de estágio é uma triangulação entre a instituição de ensino, a empresa e o estudante. A instituição de ensino precisa dar a anuência e dizer se as atividades estão de acordo com o curso. A empresa precisa respeitar essas condições e o CIEE faz a prospecção das oportunidades, orienta as empresas e os jovens e acompanha essa relação. Além disso, todo estagiário tem seguro obrigatório por lei contra acidentes pessoais.

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RDM online: O estudante precisa conciliar obrigatoriamente estudo e estágio?

Rodrigo Nader: Sem dúvida. Essa é uma característica que torna o programa de estágio singular. Eu estudo e também estou no ambiente de trabalho. Se eu não estiver estudando, matriculado e frequentando a instituição de ensino, não é estágio. O estudante precisa estar regular, a instituição precisa assinar o termo de compromisso e tudo tem que estar de acordo com a legislação.

 

RDM online: Existe uma expectativa de que o estágio vire emprego?

Rodrigo Nader: Excelente pergunta. Isso começa na abertura da vaga. Muitas empresas abrem o programa de estágio já pensando em desenvolver um jovem que vai ocupar uma função na empresa. Hoje, em média, um estagiário fica de seis a sete meses no programa. Nesse período, ou a empresa efetiva esse jovem ou ele entende que quer buscar outra oportunidade. Temos um aproveitamento interessante, de aproximadamente 40% a 45% dos estagiários nas empresas.

 

RDM online: Quantas vagas estão disponíveis atualmente em Mato Grosso?

Rodrigo Nader: Hoje temos 193 vagas de estágio em Mato Grosso, principalmente em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop. Também temos uma demanda interessante na região de Lucas do Rio Verde. Conseguimos atender todo o Estado, inclusive os 142 municípios, não necessariamente de forma física, mas por meio das nossas parcerias e do atendimento às empresas e aos órgãos públicos.

 

RDM online: E quais comportamentos podem ajudar um jovem a ser efetivado?

Rodrigo Nader: Primeiro, iniciativa e vontade de aprender. Tem que estar aberto ao feedback e entender que vai errar e aprender com os próprios erros. Eu reforço muito a questão da ética, do trabalho em equipe e da comunicação. Também é importante pensar na própria carreira e deixar claras as suas expectativas. E, cada vez mais, precisamos falar de inteligência emocional: saber ouvir, trabalhar sob pressão e entender que existem situações que precisam ser mediadas.

 

RDM online: Para finalizar, qual é a diferença entre estágio e aprendizagem?

Rodrigo Nader: Quando eu falo de duas portas de entrada do mercado de trabalho, uma é o programa de estágio, regulamentado pela Lei 11.788, que é um ato educativo. A aprendizagem é diferente porque estamos falando de CLT. O aprendiz tem carteira assinada e direitos trabalhistas e previdenciários garantidos. Ele precisa ter entre 14 e 24 anos incompletos e recebe salário mínimo-hora. São programas diferentes, mas ambos são importantes para permitir que o jovem tenha esse primeiro contato com o mundo do trabalho.

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