Guerra de ofícios dominou o fim de semana e acirrou tensão entre grupos internos do Tribunal
Em meio ao embate interno que atravessa o STF (Supremo Tribunal Federal), ministros da Corte ouvidos pela CNN Brasil descrevem o cenário atual nos bastidores da Corte como de “tensão extrema”.
A guerra de ofícios que marcou o fim de semana e o aumento das pressões sobre a cúpula do STF contribuíram para um cenário imprevisível a respeito da sessão marcada para amanhã.
As pressões vindas dos dois lados — seja do grupo mais alinhado a Alexandre de Moraes ou de André Mendonça — recaem principalmente sobre o ministro Edson Fachin, presidente do STF.
Subiu drasticamente nos últimos dias, por exemplo, a pressão para que ele assuma a relatoria dos inquéritos que servem de base para o confronto entre ministros.
Na ala pró-Moraes, há especulações sobre questões de ordem e preliminares, que possam contribuir para jogar para a frente a discussão sobre o pedido de investigação contra o ministro, dada suspeita da PF (Polícia federal) sobre o vínculo dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A ideia seria abrir o julgamento com ponderações sobre questões processuais.
Ainda de acordo com magistrados ouvidos sob reserva, um possível pedido de vista segue no radar. Este é um instrumento que o grupo alinhado a Moraes prefere evitar, dado o desgaste político. Mas a hipótese não está descartada, avaliam ministros.
Apesar das pressões por um adiamento da sessão, Fachin vem sinalizando que manterá a análise marcada para amanhã.
O ministro também vem resistindo aos pedidos capitaneados pela ala pró-Moraes, para que o julgamento do pedido de investigação contra o ministro seja realizado em conjunto com a análise do caso de Mendonça, marcado para o dia 23.
Fachin vem agindo para driblar as pressões. Como informou o analista da CNN Caio Junqueira, o presidente do STF avalia, inclusive, a possibilidade de antecipar seu voto sobre Moraes já na abertura da sessão desta terça-feira (15).
Por Clarissa Oliveira / CNN Brasil



















