A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Câmara Americana de Comércio no Brasil defenderam que os governos dos dois países iniciem negociações urgentes para evitar a implementação das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
Por Humberto Azevedo
Ao longo desta terça-feira, 15 de julho, o governo federal reuniu no comitê interministerial de negociação e contramedidas econômicas e comerciais com os principais representantes do setor produtivo do agronegócio, indústria e serviços do país com o objetivo de avaliar o impacto e buscar soluções frente às tarifas prometidas pelo presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, sobre todos os produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto.
Na oportunidade, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), coordenador do comitê, ressaltou o empenho nas negociações e o compromisso do governo federal em promover o diálogo e atuar de forma conjunta para reverter esse cenário. Além da articulação política e institucional, Alckmin destacou a importância de mobilizar também o setor empresarial, contando com o apoio de cada agente em seu segmento e de seus congêneres nos Estados Unidos — exportadores, importadores e demais integrantes da cadeia produtiva.
“A reunião foi muito proveitosa. Pudemos ouvir deles a reafirmação do compromisso com o diálogo, que é o compromisso do presidente Lula, para promover o diálogo e trabalhar juntos a fim de reverter este quadro”, falou o vice-presidente Alckmin escalado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para gerir uma espécie de gabinete de crise frente as tarifas impostas por Trump com a justificativa de que o Poder Judiciário brasileiro vem “perseguindo” o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) e também impondo “censura” a empresas estadunidense.
Já o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou a importância do diálogo, além de reforçar que foi determinado pelo presidente Lula a retomada da “boa diplomacia brasileira”. Os encontros contaram com representantes dos setores da indústria do aço, alimentos, café, sucos, frutas, pescados, carnes, mel e diversos serviços.
“Estamos realizando essa conversa aberta com as entidades representativas do setor para entender as angústias e os anseios. Vamos intensificar a busca por alternativas. O diálogo está aberto da parte brasileira”, ressaltou o ministro da Agricultura.
Também participaram das reuniões os ministros da Casa Civil, Rui Costa; de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann; dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho; e da Pesca e Aquicultura, André de Paula; a embaixadora Maria Laura da Rocha, representando o Itamaraty; o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello; o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Luis Rua; e o secretário de Imprensa da Secom da Presidência da República, Laércio Portela.
ENTIDADES DOS EUA

A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Câmara Americana de Comércio no Brasil defenderam nesta terça que os governos dos dois países iniciem negociações “urgentes” para evitar a implementação da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. A Câmara de Comércio dos Estados Unidos ressaltou a importância dos bens brasileiros nas cadeias de suprimento do país e que a medida prometida por Trump vai encarecer o custo de vida para os americanos e reduzir a competitividade das principais empresas estadunidenses.
Em comunicado conjunto, as entidades afirmam que a tarifa proposta afetaria diretamente produtos “essenciais para as cadeias de suprimentos e os consumidores dos EUA”. A declaração também destaca que “mais de 6.500 pequenas empresas nos EUA dependem de produtos importados do Brasil”, enquanto “3.900 companhias americanas investem no país”.
O Brasil é hoje um dos dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos, movimentando quase US$ 60 bilhões anuais em bens e serviços. Para as entidades, um relacionamento comercial estável entre os “dois maiores países do hemisfério ocidental é essencial para sustentar empregos e beneficiar os consumidores”.
“A U.S. Chamber e a AmCham Brasil estão prontas para apoiar esforços que conduzam a uma solução negociada, pragmática e construtiva, que evite a escalada e garanta um comércio contínuo e mutuamente benéfico”, afirmaram Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Câmara Americana de Comércio no Brasil.
Com informações de assessorias e do site Sputnik Brasil.
































