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SOBRETUDO

Enquanto todos olham para o governo, a verdadeira guerra política de SC começa no Senado

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A política catarinense começou a entrar em uma fase curiosa. Oficialmente, a disputa principal de 2026 ainda é pelo governo do Estado. Mas nos bastidores, cada vez mais lideranças começam a admitir uma percepção diferente:
a eleição ao Senado começou a reorganizar toda a política de Santa Catarina antes mesmo da campanha começar.

E isso já começa a produzir desgaste silencioso dentro de praticamente todos os grupos políticos do estado.

A eleição virou “senadocêntrica” cedo demais

Prefeitos, deputados estaduais e lideranças regionais começaram a demonstrar um desconforto crescente com o fato de que boa parte do ambiente político catarinense passou a girar quase exclusivamente em torno da disputa ao Senado.

Nos bastidores, muitos reclamam que:
as pautas regionais perderam espaço
as discussões proporcionais ficaram comprimidas e o debate estadual começou a ser contaminado cedo demais pela guerra nacional da direita.

O problema é que essa antecipação começou a afetar diretamente o equilíbrio político dos próprios grupos estaduais.

O Senado começou a pressionar alianças que ainda nem amadureceram

Talvez esse seja hoje o principal problema silencioso da política catarinense.

A disputa ao Senado começou a gerar tensão dentro de alianças que ainda estavam em fase inicial de construção.

No campo governista, a necessidade de acomodar candidaturas competitivas começou a pressionar espaços políticos regionais e partidários.

Na oposição, o problema também aparece. Quanto mais o projeto liderado por João Rodrigues cresce, mais difícil começa a ficar administrar interesses diferentes entre PSD, MDB, Progressistas e União Brasil.

Porque uma coisa é unir adversários do governador Jorginho Mello.

Outra completamente diferente é definir quem ganha espaço real quando a eleição começar de verdade.

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O governo percebeu antes que a eleição seria territorial

Enquanto parte da oposição ainda trabalha construção política mais ampla, o governo estadual começou a operar em outra lógica.

A estratégia do governador deixou de ser apenas partidária. Passou a ser territorial.

A intensificação de agendas regionais, aproximação direta com prefeitos, entregas municipais e fortalecimento da presença institucional do Estado começou a produzir efeito concreto nas bases políticas do interior.

E isso preocupa adversários porque Santa Catarina continua sendo um estado profundamente municipalista.

No fim das contas, eleições estaduais ainda passam fortemente por prefeitos, vereadores, lideranças locais e estrutura territorial organizada.

A disputa pelo comando da direita começou a gerar desconforto interno

Outro movimento que cresce silenciosamente é a tensão dentro do próprio campo conservador catarinense sobre quem realmente controla o rumo político da direita no estado.

Parte das lideranças regionais começou a demonstrar incômodo com decisões excessivamente centralizadas e influências externas sobre o tabuleiro catarinense.

Esse desconforto ainda aparece pouco publicamente. Mas já começa a produzir resistência silenciosa em setores tradicionais da política estadual.

E isso pode se tornar um problema maior conforme a campanha se aproximar.

Os deputados começam a perceber que podem virar figurantes

Talvez um dos efeitos mais curiosos dessa antecipação da disputa ao Senado seja o impacto sobre a própria Assembleia Legislativa.

Deputados estaduais começaram a perceber que o ambiente político corre o risco de ficar tão concentrado na guerra majoritária que as disputas proporcionais podem acabar sufocadas.

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Isso explica a movimentação cada vez mais intensa por agendas regionais, fortalecimento digital e construção antecipada de bases eleitorais.

A preocupação existe porque muitos parlamentares entendem que 2026 pode ser uma eleição muito mais nacionalizada e emocional do que inicialmente parecia.

E isso sempre aumenta o risco de renovação inesperada.

A política catarinense começa a entrar em uma fase mais perigosa

O que torna esse cenário delicado é que a eleição ainda está longe.

E mesmo assim as alianças já vivem tensão, os partidos já enfrentam disputa interna, as bases municipais começam a demonstrar desgaste e os espaços políticos já começaram a ser pressionados pela disputa majoritária.

Isso cria um ambiente de pré-campanha permanente extremamente difícil de administrar.

Principalmente para quem ocupa cargos públicos e precisa equilibrar governo, mandato e articulação eleitoral ao mesmo tempo.

 

PONTO DE VISTA

A política catarinense talvez tenha antecipado cedo demais a guerra de 2026.

E isso começa lentamente a produzir um efeito colateral importante, o Senado passou a influenciar quase tudo antes mesmo da eleição estadual ganhar forma definitiva.

Hoje, grande parte das movimentações partidárias já não acontece pensando apenas no governo do Estado.

Acontece pensando em espaço político, controle da direita, equilíbrio regional e sobrevivência dentro de um tabuleiro que começa a ficar mais complexo do que parecia meses atrás.

Porque no fundo, a sensação que começa a crescer nos bastidores é simples.

A eleição de 2026 em Santa Catarina talvez esteja muito menos organizada do que os partidos gostariam de admitir.

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