Durante o encontro, o vice-presidente brasileiro juntamente com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reforçaram que além do “diálogo permanente” com o setor produtivo para mitigar os impactos das tarifas aplicadas unilateralmente pelos EUA, é preciso buscar novos mercados.
Por Humberto Azevedo
Em reunião nesta segunda-feira, 4 de agosto, com representantes do agronegócio brasileiro, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), Geraldo Alckmin (PSB), destacou que os avanços obtidos até o momento nas negociações com o governo dos Estados Unidos da América (EUA), como a exclusão de setores importantes da lista de taxação, tem como objetivo convencer àquele país de que as tarifas impostas e mantidas a 35% das exportações brasileiras afetarão economia norte-americana.
Durante o encontro, o vice-presidente brasileiro juntamente com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Fávaro – senador licenciado pelo PSD de Mato Grosso (MT), reforçaram que além do “diálogo permanente” com o setor produtivo para mitigar os impactos das tarifas aplicadas unilateralmente pelos EUA, é preciso buscar novos mercados. Alckmin é o coordenador do comitê interministerial de negociação e contramedidas econômicas e comerciais, criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para atuar como uma espécie de “comitê de crise” das tarifas impostas pelo governo dos EUA.
Entre os exemplos citados, foi destacado o caso do pescado, cujo protocolo sanitário com o Reino Unido já foi finalizado, e agora o esforço é político e diplomático para oficializar a reabertura para àquele país. A abertura do mercado do Japão, que já realizou auditoria para habilitação da carne bovina, e está com expectativa de avanço nesse processo, também foi lembrada na reunião.
O encontro contou com os ministros da Casa Civil, Rui Costa; da Pesca e Aquicultura, André de Paula; do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira; e integrantes de diversas pastas estratégicas para discutir medidas para atenuar os impactos no setor frente às tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Pelo setor produtivo, participaram representantes de associações do setor agroindustrial, como madeira, carnes, frutas, café, mel, pescados, curtumes e mobiliário.
Para Fávaro, além do plano de contingência que está sendo elaborado, o governo federal está trabalhando para fortalecer o mercado interno e abrir novas oportunidades no cenário internacional.
“Dos produtos exportados para os EUA, 45% foram excluídos da taxação, 20% estão sujeitos à Seção 232, que trata todos os países de forma igual, e 35% ainda são o desafio que temos pela frente, para buscar a redução das alíquotas ou a exclusão completa, como os demais setores. (…) Conversamos com o setor sobre a busca de novos mercados. Temos boas possibilidades com a União Europeia e o Reino Unido, onde barreiras sanitárias estão sendo superadas”, afirmou Alckmin.
“Estamos avaliando regulamentações internas que podem estimular o consumo de produtos que antes eram majoritariamente exportados. Ao mesmo tempo, seguimos com a estratégia de abertura de novos mercados, que já somam quase 400 desde o início do governo Lula. (…) O mercado do Vietnã, por exemplo, era uma abertura que buscávamos havia mais de 20 anos, e ela aconteceu em março deste ano. Duas plantas frigoríficas já foram habilitadas. Se conseguirmos habilitar mais 15, 20 ou até 30 plantas, poderemos ampliar significativamente a oferta de carne brasileira nesse mercado”, complementou o ministro da Agricultura.
ESTUDO TÉCNICO
Segundo um levantamento da Secretaria de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDICS), a tarifa adicional de 50% imposta pelos EUA incidirá sobre 35,9% das exportações brasileiras para àquele país, o que correspondeu a R$ 85 bilhões (US$ 14,5 bilhões) em 2024.
Aproximadamente 44,6% das exportações brasileiras para os EUA estão fora da tarifa adicional de 50% aplicada unilateralmente pelo governo norte-americano. Cerca de 700 produtos ficaram de fora da medida, entre eles aviões, celulose, suco de laranja, petróleo e minério de ferro. No caso de autopeças, por exemplo, a alíquota é de 25%, aplicável a todas as origens. No caso de autopeças, por exemplo, a alíquota é de 25%, aplicável a todas as origens.
Estão expressamente excluídas 44,6% das vendas brasileiras para o mercado norte-americano, que em 2024 representou R$ 103 bilhões (US$ 18 bilhões em 2024). Além disso, 19,5% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas a tarifas específicas, aplicadas a todos os países. Essas tarifas foram adotadas com base na segurança nacional dos EUA (Seção 232) e, sobre esses produtos, não se aplicam as tarifas adicionais efetivadas no último dia 30 de julho.
“Em linhas gerais, a maior parte das exportações brasileiras (64,1%) segue concorrendo com produtos de outras origens no mercado americano em condições semelhantes. Os produtos em trânsito não serão afetados pelas tarifas adicionais. A decisão exclui da majoração tarifária mercadorias que tenham sido embarcadas, no Brasil, até 7 dias após a data da ordem executiva, observadas as condições previstas”, diz um trecho do estudo técnico elaborado pela Secex-MDICS.
Com informações de assessoria.























