A alta recente no preço do diesel no Brasil tem pressionado os custos de produção no campo e levado o governo federal a adotar medidas emergenciais. O movimento começou após a Petrobras reajustar o combustível em 11,6% nas refinarias, em março, após mais de 300 dias sem aumentos.
O cenário foi agravado pela valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent saltou de cerca de US$ 70 para próximo de US$ 100 em menos de dois meses, impactando diretamente o Brasil, que importa cerca de 30% do diesel consumido.
Além disso, o modelo atual de distribuição amplia os efeitos da alta. Sem controle direto sobre a cadeia, o combustível passa por distribuidoras e revendas independentes, que adicionam margens ao preço final. O resultado é um repasse mais rápido nas altas e mais lento nas quedas, elevando custos para produtores.
No campo, o impacto já é significativo. Em estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso, produtores relatam aumentos entre 10% e 18%. No Rio Grande do Sul, o diesel S10 chegou a R$ 7,23 por litro, com reflexos diretos na safra e perdas estimadas em centenas de milhões de reais.
Diante da escalada, o governo atua na redução de tributos, articulação com estados para cortar ICMS e estuda subsídios ao diesel importado. Mesmo assim, a dependência externa e o cenário internacional mantêm o combustível como um dos principais fatores de risco para o agronegócio em 2026.


















