Motta emancipado

A Câmara dos Deputados elegeu Odair Cunha (PT-MG) ao TCU com 303 votos contra 96 de Elmar Nascimento (União-BA), em votação secreta. O placar – a maior vitória já alcançada por um postulante ao tribunal – representa não apenas o cumprimento do acordo que Hugo Motta (Republicanos-PB) fez com o PT durante sua campanha à presidência da Casa em 2025, mas também a emancipação de Motta no poder decisório legislativo. O resultado supera os erros do primeiro ano de mandato e enterra a sombra de padrinhos como Arthur Lira (PP-AL) e Eduardo Cunha.
Força de Motta
A derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que articulou intensamente a candidatura de Soraya Santos (PL-RJ) e depois tentou unificar a oposição em torno de Elmar, revela sua limitada capacidade de mobilização – ele não conseguiu unir PL e “centrão” contra o petista. Com a vitória, Motta se consolida como forte candidato à reeleição para o comando da Câmara em fevereiro de 2027, atingindo nível de poder equivalente ao de seus antecessores bem-sucedidos.
Sinal ao governo
O placar expressivo também é um sinal ao presidente Lula: além do cumprimento de acordos, Motta favorece a candidatura de seu pai, Nabor Vanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos (PB). Motta busca o apoio de Lula ao seu pai, que disputará o Senado. O resultado pode não garantir esse apoio, mas deve assegurar neutralidade numa disputa com dois aliados históricos do presidente: o senador Veneziano Vital do Rego (MDB) e o ex-governador João Azevêdo (PSB). Odair Cunha precisa ser aprovado pelos senadores.
PSDB quer Ciro como candidato

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, convidou nesta terça-feira, 14, o ex-governador cearense Ciro Gomes para liderar um novo caminho para o Brasil, oferecendo sua figura ao debate nacional. Aécio destacou que Ciro reúne qualificações atualizadas sobre a realidade brasileira e pediu que ele se disponha a encabeçar um projeto do centro democrático, liberal na economia, inclusivo socialmente e responsável na gestão pública, diante do quadro sucessório “pobre” e da falta de um projeto de futuro no país.
Pré-candidato no Ceará
Ciro Gomes manifestou surpresa e honra com a convocação do PSDB que ajudou a fundar, mas pediu tempo para amadurecer a decisão com sua comunidade no Ceará. Ele justificou a hesitação pela “grave crise econômica”. Pré-candidato ao governo do Ceará, com apoio do PL e dos bolsonaristas, Ciro Gomes criticou o que, segundo ele, “um terço das empresas estão à beira da falência” e “82 milhões de pessoas têm nome sujo no SPC”.
Decisão pendente
Ciro afirmou que não descarta aceitar o convite para concorrer mais uma vez ao Planalto, mas também não pode aceitá-lo prontamente por seus deveres com a sua pré-candidatura no Ceará. Mas, ao final da conversa com jornalistas, comentou: “o Brasil é muito maior do que a soma de Lula e Bolsonaro”.
Embaralhada política

Com o convite de Aécio a Ciro Gomes para liderar uma alternativa presidencial do “Centro Democrático”, tentando tirá-lo da disputa pelo governo do Ceará, vem casada com manifestações da Faria Lima, que querem um nome viável e alternativo a Flávio Bolsonaro (PL) para enfrentar o presidente Lula (PT). Aécio age para embaralhar tanto a disputa presidencial quanto as alianças estaduais, abrindo espaço para uma candidatura de centro.
Cid Gomes no lugar
Paralelamente, Aécio trabalha para que o senador Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e rompido politicamente desde 2023, rompa também com a aliança estadual do PT no Ceará e seja o candidato a governador no lugar de Ciro. Outro nó da articulação é a tentativa de fechar aliança em Minas Gerais com o senador Rodrigo Pacheco (PSB) – apoiado por Lula – para o governo estadual, fortalecendo o PSDB e tendo ele como candidato ao Senado.
Lula contra-ataca
Para evitar que Cid Gomes rompa com o PT cearense, o presidente Lula convenceu o deputado José Guimarães (PT-CE) a desistir da candidatura ao Senado e da reeleição à Câmara, onde foi o mais votado em 2022, abrindo mão de sua vaga para que Cid pudesse concorrer na chapa petista à reeleição ao Senado. Em troca, Guimarães assumiu a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência.
Solução para endividamento agrícola

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se reuniu nesta terça, 14, com o novo ministro da Agricultura, André de Paula, e apresentou pleitos para socorrer produtores rurais. Custos elevados, commodities desvalorizadas e financiamentos caros formaram uma “tempestade perfeita” que aumenta o endividamento. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que os R$ 30 bilhões previstos no PL 5122 de 2023 já são insuficientes para o tamanho do problema.
Fundo Social
O projeto, de autoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE), utiliza o Fundo Social para criar uma linha de crédito específica de repactuação de dívidas rurais. Em tramitação no Senado com relatoria de Renan Calheiros (MDB-AL), a vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS), articulou encontro com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para avançar a proposta. A FPA pediu apoio institucional do governo.
Lista de pleitos
A FPA entregou ofício com 15 itens, incluindo: revisão de restrições ao crédito rural baseadas no Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES); ampliação do Plano Safra; renegociação de dívidas; participação em negociações com a União Europeia; revisão de normas sobre rastreabilidade e drones. O ministro André de Paula concordou em manter encontros periódicos com a bancada. Deputados cobraram “salvar o produtor rural” e revisar regras do PRODES que dificultam acesso ao crédito.
Articulação no Senado garante R$ 1 bi a MS

O senador Nelsinho Trad (MS) levou o governador Eduardo Riedel (PP) ao plenário do Senado para antecipar a votação de um financiamento de R$ 1 bilhão (U$ 200 milhões) junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), com garantia da União, para o estado do Mato Grosso do Sul (MS).
Prazo apertado
A matéria será deliberada no plenário nesta quarta-feira, 15, dispensando a apreciação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para não perder o prazo, que se esgotaria no próximo dia 20. O financiamento, negociado há dois anos, teve a autorização do governo federal assinada na terça, 14, permitindo o envio ao Congresso dentro de prazo limitado.
Destinação dos recursos
O R$ 1 bi será aplicado na recuperação de rodovias estaduais, manutenção de longo prazo, melhoria da segurança viária e adequação a condições climáticas. A previsão é beneficiar até 1,8 mil quilômetros de estradas, especialmente no Vale do Ivinhema. O recurso é esperado há dois anos e, sem a votação até domingo, o Estado perderia o acesso ao financiamento.
300 anos de Fortaleza

A Câmara Municipal de Fortaleza realizou sessão solene na noite de terça, 14, em comemoração aos 300 anos da cidade e do Legislativo municipal, fundados em 13 de abril de 1726, com homenagens ao prefeito Evandro Leitão (PT) e 12 ex-presidentes da Casa, entre eles Gardel Rolim, Salmito Filho, Tin Gomes e José Sarto. A sede da CMFor retornará ao Centro de Fortaleza após permuta aprovada em março de 2025.
Evolução histórica
A primeira Câmara era formada por “homens bons” da elite local, eleitos por voto restrito a quem possuía bens. A primeira vereadora foi Maria de Jesus Melo, em 1936. Durante a Ditadura Militar (1964-1985), houve perda de autonomia. Em 1990, a Lei Orgânica do Município foi promulgada pelos vereadores, considerada a “Constituição de Fortaleza”.
Mulheres e avanços
Atualmente, 9 das 43 cadeiras são ocupadas por mulheres. Em 2023, foi criada a Procuradoria Especial da Mulher, comandada por uma vereadora a partir de 2025. Em 2025, o Plano Diretor Participativo foi atualizado, ampliando a proteção ambiental para 10.500 hectares e elevando as Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) de 45 para 87.
Rotas turísticas goianas

A Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa de Goiá (Alego), presidida pelo deputado Ricardo Quirino (Republicanos), aprovou projetos que criam rotas de turismo rural e ecológico em Goiás. Entre eles, a Política Estadual de Trilhas Digitais e Turismo Interativo, com uso de QR codes; a Rota da Cana; a Política de Apoio a Trilhas e Rotas Ecológicas (Gomide); e a Rota Turística de Formosa. Todas foram acolhidas sem manifestação contrária.
Novas rotas
Foram distribuídos para relatoria outros projetos: Rota do Turismo Agropecuário e Programa de Turismo de Observação de Aves do Cerrado; Programa Emprega Turismo Goiás; Rota Turística Terra Ronca; e Política de Incentivo ao Turismo Aquático. A comissão também divulgou o calendário de eventos de 2026, incluindo Expoturismo Goiás e feiras internacionais.
Impacto econômico
O presidente do colegiado, Ricardo Quirino, ressaltou o esforço conjunto para promover o turismo como atividade econômica relevante no estado. As iniciativas visam valorizar o patrimônio natural, histórico e cultural goiano, além de fomentar o desenvolvimento regional. Não há condenados mencionados no material.
Cobrança à União

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) recomendou que o Estado e os municípios intensifiquem a cobrança por ressarcimento integral e imediato, junto ao Ministério da Saúde, dos valores gastos com demandas judiciais na saúde. Dados até setembro de 2025 mostram R$ 609,57 milhões cobrados de uma estimativa de R$ 2 bilhões a serem ressarcidos até 2026. O relator apontou entraves burocráticos da União, como exigência de notas de empenho sem campo específico na plataforma InvestSUS, e falta de transparência.
Números expressivos
Em 2024, o desembolso com decisões judiciais na saúde catarinense foi de R$ 749 milhões, equivalentes a 9,3% do orçamento da Secretaria da Saúde (R$ 8 bilhões). O banco de dados registrava 16.408 pacientes que recorreram à via judicial – 0,2% da população de 8,2 milhões. O TCE-SC constatou que, das recomendações feitas, 44,44% foram implementadas, 25,93% parcialmente e 29,63% não implementadas.
Implementação fraca
Entre as oito ações implementadas estão o aprimoramento do cadastro de falecidos e do sistema de gestão de medicamentos judiciais. Quatro estão parcialmente implementadas, incluindo controles para detecção de irregularidades e nova sistemática de estoque. Cinco não saíram do papel, como a política de gestão de estoque e o sistema para o Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NAT-JUS). O TCE determinou comunicação ao TCU para providências sobre o ressarcimento integral.
Entrega de moradias em Porto Velho

Nesta quinta-feira, 16, 592 famílias de Porto Velho (RO) recebem as chaves da casa própria nos residenciais Porto Madero V (288 unidades) e Porto Madero II (304 unidades), na zona Leste da capital. A entrega é fruto da integração entre o programa Minha Casa Minha Vida e os esforços conjuntos da Prefeitura de Porto Velho, do governo de Rondônia e do governo federal. O processo incluiu sorteio de endereços em junho de 2025 e vistorias técnicas rigorosas.
Retomada de obras
A atual gestão enfrentou o problema recorrente de obras paralisadas e conseguiu concluir os empreendimentos, evidenciando que, com prioridade e organização, é possível tirar projetos do papel. O prefeito Léo Moraes (Podemos) destacou o impacto social da entrega, ressaltando que a moradia é um dos pilares da qualidade de vida. A ação representa a retomada de políticas públicas que impactam diretamente a vida de quem mais precisa.
Simbolismo e futuro
A entrega simboliza o fim de um ciclo de espera para centenas de famílias e o início de uma nova realidade. O prefeito convidou toda a população para o evento, afirmando que o poder público segue focado na qualidade de vida dos porto-velhenses. Política pública eficiente, segundo a prefeitura, é aquela que sai do discurso e chega à porta das pessoas. Não há condenados mencionados no material.
Café sustentável

Nos últimos cinco anos, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) liberou mais de R$ 1,6 bilhão em financiamentos exclusivamente pela linha Funcafé para produtores de café. Minas Gerais, líder nacional na produção do grão, celebrou o Dia Mundial do Café (14/4) com destaque para o apoio do banco também por meio do programa BDMG LabAgrominas, que financia a transição para a agricultura regenerativa em parceria com cooperativas de crédito.
Práticas sustentáveis
Cafeicultores têm adotado técnicas regenerativas como cobertura do solo, uso intensivo de matéria orgânica e defensivos biológicos. Com isso, as fazendas passaram de 40 para 300 hectares cultivados, com média de 45 sacas por hectare, conquistou certificações e mercados europeu e norte-americano. Outro exemplo é a Bom Jardim Estate Coffee, também financiada pelo BDMG, que produz 50 sacas por hectare inteiramente para exportação.
Exportação garantida
As propriedades vem investindo em irrigação, colheita mecanizada e compostagem orgânica, elevando a qualidade do grão – especialmente a variedade bourbon amarelo. O presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto, afirmou que o banco quer ampliar os financiamentos para cafeicultores que adotam técnicas sustentáveis. A produção regenerativa abre portas no mercado internacional, com produto de origem controlada e alta valorização. Não há condenados mencionados no material.


























