São muitos os fatores que podem empurrar alguém para essa dura realidade. Em uma conversa no centro de Cuiabá, entrevistei três pessoas que compartilharam suas histórias de vida.
A primeira, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, abriu o coração. Contou que já foi casado, tem três filhas pequenas e possuía uma casa simples em Goiânia. No entanto, após perder o lar em consequência do alcoolismo, passou a viver nas ruas de Goiás, depois seguiu para São Paulo e, por fim, chegou a Cuiabá. O que mais lhe dói é a saudade das filhas, com quem tinha um forte vínculo afetivo.
A segunda entrevistada, uma jovem que afirma ser advogada com registro na OAB, relatou ter perdido o rumo da vida ao se envolver com drogas. Sem família na cidade e sem apoio público, acabou desamparada. Hoje vive nas ruas, mas mantém a esperança de reconstruir sua vida, confiando em si mesma e em Deus para superar o momento difícil.
O terceiro relato foi de um senhor de 80 anos, que pesa atualmente apenas 42 quilos, bem diferente da foto que me mostrou, onde aparecia com quase 80. Disse nunca ter feito uso de bebidas alcoólicas, mas após uma desilusão amorosa e ser roubado pela própria companheira, que o deixou sem recursos, viu-se sem alternativas além de morar nas ruas de Cuiabá. Prefere não entrar em detalhes, apenas lamenta viver em um país onde, segundo ele, a justiça é lenta, desigual e favorece apenas os mais ricos.
Em Cuiabá, existem locais marcados pela forte presença de usuários de drogas, como o Morro da Luz, o Beco do Candeeiro e a Praça do Porto. Situação semelhante acontece em São Paulo, onde a chamada “cracolândia” se espalha por diversas áreas do centro, como a Avenida Duque de Caxias, Rua Mauá, Estação Júlio Prestes, Alameda Dino Bueno, Praça Princesa Isabel e Rua dos Protestantes. Segundo levantamentos, já são mais de 70 pontos semelhantes distribuídos por 47 bairros da capital paulista desde 1986, quando houve a primeira grande apreensão de drogas na cidade.
O fenômeno não se limita a São Paulo. Quase todas as grandes cidades brasileiras têm seus espaços de concentração de usuários, como Campinas, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Campo Grande, Foz do Iguaçu, Recife, entre outras. No exterior, cidades como Amsterdã, Nova York, Vancouver, Paris, Zurique, Lisboa, Santiago, Bogotá e Bruxelas também convivem com áreas semelhantes.
As drogas destroem vidas, levando ao adoecimento físico e mental. Afetam o sistema nervoso, aumentam os riscos de câncer, causam sérios problemas cardíacos e podem levar à morte.
Por isso, o alerta é claro: não se entregue às drogas. Procure apoio, busque caminhos de recuperação e não perca a fé. Como disse uma das pessoas entrevistadas, acreditar em Deus pode ser o primeiro passo para recomeçar.

















