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De olho

Bastidores do poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Tensão no ar

Para aliados do governo no “centrão”, a manobra de Alcolumbre é uma resposta clara à pressão do governo Lula em indicar Messias à Suprema Corte, demonstrando seu controle sobre a pauta e acirrando o conflito institucional. (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

De acordo com fontes do “centrão” consultadas pela reportagem desta coluna, a votação da Medida Provisória (MP) 1308 de 2025 do licenciamento ambiental especial (LAE) é nova retaliação do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao Planalto. Em meio à crise entre os Poderes Executivo e Legislativo pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Congresso decidiu escalar mais um pouco o conflito com o governo Lula ao agendar para a manhã desta terça, 2, a votação prioritária da referida matéria. A medida, demandada pela bancada ruralista, será em comissão presidida pela senadora e ex-ministra da Agricultura do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), Tereza Cristina (PP-MS), com relatoria do deputado bolsonarista e ruralista Zé Vitor (PL-MG).

 

 

 

 

 

 

Tensão, mas nem tanto

Dessa forma, o governo lucra com as obras, evita o desgaste ambientalista, culpa o Legislativo, preservando sua imagem de defensor do meio ambiente perante a opinião pública. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

Conforme apurado junto a fontes do Planalto, a guerra política em torno do licenciamento ambiental é mais estratégia do governo, do que propriamente uma derrota. A derrubada dos vetos à Lei Geral do Licenciamento Ambiental – chamado pelos ambientalistas de “PL da devastação” – e votação da MP 1308 são vistas pelo alto escalão do governo como parte de um xadrez político elaborado. Segundo essas fontes, o presidente Lula estaria fabricando um ambiente de guerra institucional com o Congresso para acelerar obras de infraestrutura, especialmente as ligadas a investimentos chineses. A estratégia teria um duplo objetivo: agilizar os empreendimentos necessários ao crescimento econômico, mas ao mesmo tempo isolar o governo de críticas ambientais. Ao deixar que o “centrão” no Congresso protagonize o tratoraço nas regras, o Planalto transfere para os parlamentares a culpa pelo relaxamento das normas.

 

 

 

 

 

Bolsonarismo em crise

O conflito familiar acontece durante a reorganização do bolsonarismo após a prisão de seu líder. Michelle tenta consolidar sua liderança, defendendo uma linha ideológica mais pura, em oposição ao pragmatismo eleitoral adotado em parte pela cúpula do partido. (Foto: Reprodução / PL)

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro protagonizou um racha público com os filhos do ex-presidente, Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, ao criticar a aliança do PL cearense com o ex-presidenciável e ex-pedetista e, agora, tucano novamente, Ciro Gomes. O embate, que ocorreu durante um evento em Fortaleza no último domingo, 30, revela a disputa pelo espólio político do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), preso desde 22 de novembro. Dados da pesquisa “AP Exata” mostram que, dentro do debate nas redes sociais conduzido pela direita, 44,7% dos perfis apoiam a posição de Michelle, contra 32,1% que defendem a articulação pró-Ciro liderada pelo deputado André Fernandes (PL-CE). Os filhos de Bolsonaro reagiram publicamente, classificando as críticas de Michelle como “autoritárias” e “desrespeitosas”, e afirmando que a aliança teve aval do pai.

 

 

 

 

 

 

 

Prisão humanitária

Wellington Fagundes, pré-candidato ao governo de Mato Grosso, assina pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro. (Foto: Divulgação / Assessoria)

O senador Wellington Fagundes (PL-MT), pré-candidato ao governo do segundo estado mais bolsonarista do país, assinou na noite desta última segunda-feira, 1º de dezembro, um pedido de prisão domiciliar humanitária para o ex-presidente Bolsonaro. A petição, encaminhada ao STF por meio do Senado, alega um quadro clínico grave que exigiria monitoramento médico impossível no cárcere. O documento, subscrito também pelo senador Flávio Bolsonaro, lista condições como câncer de pele, problemas cardíacos, renais e digestivos crônicos. Fagundes, líder do bloco Vanguarda, afirmou que a iniciativa tem caráter “exclusivamente humanitário” e invocou o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. A movimentação ocorre em **Mato Grosso**, onde Bolsonaro obteve 65,08% dos votos, em 2022.

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PT & “centrão”

PT fortalece aliado Otto Alencar, presidente da CCJ do Senado na Bahia, para conter avanço do “centrão” em 2026 e buscar proteger a Bahia, estado que deu a Lula uma vantagem de quase quatro milhões de votos em 2022. (Foto: montagem sobre fotos das Agências Câmara e Senado)

Em uma estratégia para consolidar sua principal base eleitoral, o PT articula o fortalecimento do senador Otto Alencar (PSD-BA) e de sua família no cenário político baiano. A movimentação ocorre enquanto parte do “centrão” – especialmente o PP de Ciro Nogueira (PI) e o União Brasil – busca um candidato único para enfrentar a reeleição de Lula em 2026, tendo como alvo rachar o partido de Gilberto Kassab, secretário de Governo da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo. Com a indicação de Otto Alencar Filho ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA), o senador projeta a ascensão de outro filho, Daniel Alencar, como nova liderança do PSD, assegurando a continuidade da aliança com o PT. Otto, que já reafirmou que não será candidato ao governo em 2026, deve apoiar a reeleição do petista Jerônimo Rodrigues.

 

 

 

 

 

PF x “centrão”

A megaoperação da Receita Federal, que atinge núcleo do poder político, reacende a pressão por uma lei que defina e puna o “devedor contumaz”, projeto que pode ser votado nesta terça, 2, na Câmara. (Foto: Divulgação / Secom-RF)

De acordo com fontes do ‘centrão’ e do Planalto, a operação “Poço de Lobato”, que desvendou um esquema de sonegação de R$ 26 bilhões ligado à empresa Refit, tem implicações diretas no alto escalão do Congresso e em governadores. Investigada por ser uma “refinaria fake”, a empresa teria sido usada para lavar dinheiro com o auxílio de lobistas e parlamentares. O elo central é o operador Jonathas Assunção, ex-secretário da Casa Civil de Ciro Nogueira e do general Braga Neto, durante o governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL). O esquema envolve figuras como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil. A investigação também levanta questões sobre um jantar em Nova York patrocinado pelo grupo, que reuniu Motta, Ciro Nogueira, Rueda e os governadores do RJ, Cláudio Castro (PL), do PR, Ratinho Jr. (PSD) e de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

 

 

 

Evangélicos em campo

Bancada cristã mobiliza apoio à indicação de Jorge Messias para o STF, que Alcolumbre tenta barrar. Se aprovado pelo Senado, Messias seria o segundo evangélico na Suprema Corte. (Foto: Carlos Moura / Agência Câmara)

Lideranças religiosas católicas e evangélicas, incluindo vertentes pentecostais e neopentecostais, estão entrando em campo para aprovar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF. O movimento visa contrabalançar a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que preferia a indicação de seu aliado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Messias, que é da Igreja Batista, é visto como um nome técnico e pacificador, o que agrada a base governista, setores do “centrão” e sobretudo religiosos. A articulação ocorre em paralelo a outro jogo político: tanto Lula quanto o ministro Alexandre Silveira projetam Pacheco como candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, reduzindo o espaço para uma guerra aberta pela vaga na Suprema Corte. Caso o governo envie a documentação necessária de Messias ainda esta semana, a sabatina de acontecerá num cenário de tensão e com pressão religiosa favorável.

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PEC da segurança

Mobilização nacional reúne mais de mil policiais civis em defesa da PEC da Segurança. (Foto: Divulgação / Cobrapol)

A Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol) reúne nesta terça-feira, 2, na Câmara dos Deputados, mais de mil profissionais das Polícia Civil, Federal e Guardas Municipais em uma mobilização pela aprovação da PEC da Segurança Pública. O ato ocorre na última audiência pública antes da apresentação do relatório da proposta, marcada para 4 de dezembro, pelo deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE). O evento deve contar com a presença dos governadores do Rio Grande do Sul (RS), Eduardo Leite (PSD); de Goiás (GO), Ronaldo Caiado (União Brasil); e de São Paulo (SP), Tarcísio de Freitas (Republicanos). A mobilização defende que a proposta restabeleça direitos previdenciários retirados pela reforma de 2019.

 

 

 

 

 

Sem aulas

Contran acaba com obrigatoriedade de aulas em autoescola para tirar CNH, que permanecem como opção para quem preferir o modelo tradicional. (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou nesta segunda-feira, 1º de dezembro, o fim da exigência de aulas em autoescolas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida, que entrará em vigor após publicação no Diário Oficial, mantém obrigatórios os exames teórico e prático, mas permite a preparação por meio de curso gratuito on-line oferecido pelo governo. A resolução reduz a carga horária mínima de aulas práticas de 20 para duas horas e permite que o candidato use seu próprio veículo, desde que acompanhado por instrutor credenciado. O governo federal projeta que a flexibilização reduzirá o custo do processo, atualmente apontado como barreira por 30 milhões de brasileiros que não têm CNH, além de alcançar os cerca de 20 milhões que dirigem sem habilitação legal. 

 

 

 

 

 

IPHAN em SC

Iphan anuncia mais de R$ 30 milhões para patrimônio cultural de Santa Catarina, que reforçam a política de preservação do patrimônio material e imaterial do estado. (Foto: Divulgação / Secom-IPHAN)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) promoverá na quarta, 3, e na quinta, 4, a série “Avanços do Patrimônio em Santa Catarina”. A agenda inclui o anúncio de duas obras e a entrega de uma intervenção já concluída, totalizando investimentos superiores a R$ 30 milhões por meio do novo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). A programação percorrerá quatro municípios. Em Governador Celso Ramos, será dada a ordem de início para a restauração da “Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim”. Em Palhoça, acontecerá a entrega do título de tombamento da “Freguesia da Enseada de Brito”. Em Florianópolis, está programada uma roda de conversa sobre “engenhos de farinha” e a assinatura de termo para revitalização da “Fortaleza de Nossa Senhora de Araçatuba”. Já em Laguna, será entregue a “antiga subestação de energia”, totalmente restaurada.

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