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Nota dos policiais federais.

ADPF repudia declarações de Eduardo Bolsonaro, nos EUA

A ADPF afirma que as “narrativas” defendidas pelo deputado Eduardo Bolsonaro “visam desmoralizar a missão de servir à sociedade, com base na legalidade e na verdade dos fatos”. (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)

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De acordo com a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, falas do filho zero dois do ex-presidente Bolsonaro, que atacam a credibilidade da Polícia Federal e de seus delegados, são “inaceitáveis”.

 

Por Humberto Azevedo

 

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou na noite desta segunda-feira, 21 de julho, uma nota à imprensa em que manifesta repúdio às recentes declarações, consideradas “inaceitáveis” do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que desde abril se encontra nos Estados Unidos da América (EUA, e “que tenta, mais uma vez, atacar a credibilidade da Polícia Federal e de seus Delegados”.

 

De acordo com a ADPF, a tentativa de constranger uma instituição de Estado, reconhecida “por sua atuação isenta e rigorosa no combate ao crime com a estrita observância ao ordenamento jurídico, revela um claro desrespeito às garantias constitucionais que asseguram a autonomia funcional dos delegados de Polícia Federal”.

 

“A ADPF repudia com veemência as declarações inaceitáveis do parlamentar federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que tenta, mais uma vez, atacar a credibilidade da Polícia Federal e de seus Delegados.  Os delegados de Polícia Federal não se curvarão a pressões políticas, nem a narrativas que visam desmoralizar a missão de servir à sociedade, com base na legalidade e na verdade dos fatos”, inicia a nota da associação.

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“A ADPF permanecerá firme na defesa intransigente da instituição e de seus membros, que não se intimidarão diante de investidas autoritárias ou retóricas vazias. Adotará, inclusive, as medidas judiciais cabíveis para responsabilização daqueles que atentam contra a honra e a independência funcional dos Delegados de Polícia Federal”, finaliza a ADPF em nota.

 

O QUE FALOU EDUARDO BOLSONARO

 

Durante uma transmissão pela internet no último domingo, 20 de julho, Eduardo Bolsonaro chamou o delegado da PF, Fábio Shor, de “cachorrinho da Polícia Federal” e disse, em tom ameaçador: “Vai lá, coleguinha da PF. Cachorrinho da PF que está me assistindo. Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui”.

 

O filho do ex-presidente também ironizou um processo administrativo disciplinar aberto contra ele na PF, datado de quando Eduardo ocupava o cargo de escrivão – cargo ao qual se licenciou para exercer o mandato de parlamentar a partir de 2015, e afirmou que se sentia “honrado” por ser “perseguido” pelos delegados da corporação.

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As falas de Eduardo Bolsonaro ocorrem no momento em que seu pai, o ex-presidente Jair Melissas Bolsonaro (PL) foi alvo de medidas restritivas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entender que o ex-presidente poderia estar em rota de fuga do país quando o julgamento ao qual é réu por atentar contra o Estado Democrático de Direito estar se aproximando do final.

 

Fábio Shor é o responsável por uma série de apurações contra Jair Bolsonaro, incluindo o caso das joias dadas ao presidente na condição de chefe de Estado e na tentativa do golpe de Estado. O delegado já havia relatado ter recebido uma série de ameaças no ano passado.

 

Uma semana após o indiciamento de Bolsonaro no caso das joias, um boneco de macaco azul foi pendurado no limpador traseiro do carro de Shor, estacionado em sua residência, em Brasília.

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