A campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo (16), e os candidatos ao Governo de Santa Catarina entram na disputa com estratégias distintas para conquistar os 5,7 milhões de eleitores do estado. O governador Jorginho Mello (PL) deve centrar a campanha na divulgação das ações de sua gestão, enquanto João Rodrigues (PSD) pretende ampliar sua presença nas cidades e explorar a experiência acumulada como prefeito de Chapecó. Gelson Merisio (PSB), por sua vez, deve apostar na associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e no confronto com os números apresentados pela atual administração estadual.
A largada da campanha marca uma mudança de fase para os candidatos. Depois de meses dedicados à formação de alianças, convenções partidárias e atividades de pré-campanha, os concorrentes passam a poder pedir votos explicitamente e divulgar seus números. A partir de agora, as estratégias desenhadas pelas equipes deverão aparecer com mais clareza nas ruas, nas redes sociais, nos debates e, a partir do início do horário eleitoral, também no rádio e na televisão.
Na campanha à reeleição, Jorginho deve apresentar obras e programas executados durante o primeiro mandato, ao mesmo tempo em que buscará associar a candidatura a novos projetos. Entre as principais apostas está a Viamar, rodovia planejada como alternativa à BR-101 entre Biguaçu e Joinville. A estratégia também prevê a divulgação de investimentos em hospitais e outras obras consideradas estruturantes pelo governo.
“Não vai ser uma eleição agressiva, porque nós não somos desse aspecto. Nós estamos aqui para contar aquilo que a gente fez, vai fazer e o que vai deixar de legado”, afirmou Bruno Mello, filho do governador e vice-presidente estadual do PL. A campanha também deve explorar a trajetória pessoal de Jorginho, desde a origem humilde no Meio-Oeste catarinense até a chegada ao governo estadual, em uma tentativa de reforçar a identificação do candidato com o eleitor.
Jorginho terá como uma de suas principais estruturas de campanha a rede de prefeitos e aliados políticos construída pelo PL e pelos partidos que compõem sua base. A equipe também aposta no tempo de propaganda eleitoral e nas redes sociais para ampliar o alcance da mensagem, sem definir, inicialmente, uma região específica como prioridade absoluta.
João Rodrigues pretende seguir um caminho diferente. A campanha do candidato do PSD quer concentrar parte das primeiras agendas em bairros periféricos e regiões onde a equipe identifica maior potencial eleitoral. Depois de uma pré-campanha marcada por reuniões com lideranças políticas e empresariais, a estratégia agora é ampliar o contato direto com moradores e lideranças comunitárias.
“O eleitor dele está muito nessas regiões. A ideia é priorizar esse tipo de trabalho”, afirmou o presidente estadual do PSD, Eron Giordani. A campanha também terá o desafio de tornar mais conhecida no restante de Santa Catarina a experiência administrativa de João como prefeito de Chapecó, transformando ações realizadas no município em uma das principais vitrines da candidatura.
Além das agendas de rua, João deverá utilizar entrevistas, sabatinas e debates como instrumentos para aumentar seu grau de conhecimento entre os eleitores. Regiões como o Norte do estado e o Vale do Itajaí, onde o eleitorado tem maior identificação com a direita e com o bolsonarismo, são vistas como áreas que podem exigir atenção especial da campanha.
Já Gelson Merisio deve iniciar a disputa com uma estratégia baseada em dois eixos: a vinculação da candidatura ao governo federal e o confronto com a administração de Jorginho Mello. A campanha pretende associar a imagem do candidato ao presidente Lula e explorar políticas e investimentos federais realizados em Santa Catarina.
A coligação também pretende questionar indicadores e resultados divulgados pelo atual governo. Entre os temas que devem aparecer na campanha estão educação, segurança pública, cultura e obras estruturantes, além da relação entre o governo estadual e a gestão federal.
“Com o início da campanha, vamos mostrar ao eleitor catarinense a realidade dos números e revelar que Santa Catarina não é exatamente o que se mostra na propaganda”, afirmou o presidente estadual do PSB, Celso Calcagnotto. A expectativa é que o embate entre governo e oposição se intensifique nos debates, nas redes sociais e no horário eleitoral.
Os demais candidatos também chegam à campanha com estratégias voltadas principalmente para compensar uma menor estrutura eleitoral. Ralf Zimmer (PRD) pretende concentrar esforços nas redes sociais e nos debates. Brunno Dias (PCO) deve apostar na militância e na campanha de rua, enquanto Lais Chaud (UP) pretende priorizar atos, distribuição de materiais e contato com trabalhadores.
Marcelo Brigadeiro (Missão) deve utilizar os debates e as redes sociais como principais canais de divulgação, explorando também o alcance que já possui no Instagram. A estratégia prevê críticas à gestão estadual e a apresentação de propostas em áreas como segurança, saneamento e mobilidade. Marcus Sodré (PSTU), por sua vez, pretende recorrer à distribuição de materiais em escolas, fábricas e organizações populares, além da mobilização de militantes.
Com o início oficial da campanha, a disputa tende a colocar frente a frente estratégias bastante diferentes: de um lado, o governador que buscará defender as realizações de sua gestão e apresentar novos projetos; de outro, adversários que tentarão ampliar o conhecimento de seus nomes, explorar experiências administrativas ou transformar críticas ao governo em alternativa eleitoral. A partir deste domingo, essas estratégias deixam o planejamento interno das campanhas e passam, de fato, a disputar espaço entre os eleitores catarinenses.

























