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Agora é hora de discutir Santa Catarina ou continuar discutindo os adversários?

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A campanha eleitoral em Santa Catarina entrou em uma fase decisiva. Faltam poucos dias para o eleitor ir às urnas, os debates ganham importância e as pesquisas começam a dar contornos mais claros à disputa. É justamente neste momento que cabe uma pergunta às campanhas: agora é hora de discutir Santa Catarina ou continuar discutindo os adversários?

Críticas, cobranças e questionamentos fazem parte de qualquer eleição. O eleitor tem o direito de conhecer o passado, as decisões e as posições de quem pretende governar. O problema aparece quando a desconstrução do adversário passa a ocupar quase todo o espaço da campanha e as propostas ficam em segundo plano.

E Santa Catarina tem problemas demais para permitir que a eleição seja reduzida a isso.

Saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, rodovias, mobilidade, prevenção de enchentes e desastres, desenvolvimento econômico, geração de empregos, equilíbrio fiscal e atendimento aos municípios. São temas concretos, que fazem parte da vida dos catarinenses e que continuarão existindo no dia seguinte à eleição, independentemente de quem vencer.

Por isso, a cobrança precisa ser feita a todas as campanhas.

Menos preocupação em explicar por que o adversário não deveria governar e mais disposição para explicar por que o eleitor deveria confiar em quem está pedindo seu voto.

A pesquisa mais recente do Real Time Big Data colocou Jorginho Mello com 49% das intenções de voto, João Rodrigues com 15% e Gelson Merísio com 8%. O levantamento foi realizado entre 12 e 16 de setembro, ouviu 1.600 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

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Os números ajudam a dimensionar o momento da disputa, mas não deveriam ser o único assunto da campanha. Saber quem está na frente, quem cresceu ou quem caiu interessa ao ambiente político. Para o eleitor, entretanto, existe uma pergunta muito mais importante: o que cada candidato pretende fazer se chegar ao governo?

É isso que deveria ocupar o centro dos próximos debates.

Como reduzir as filas na saúde? Como melhorar a segurança? Quais obras serão prioridade? O que fazer com as rodovias? Como preparar Santa Catarina para eventos climáticos cada vez mais frequentes? Como manter o Estado crescendo? Como melhorar a educação? Como administrar melhor os recursos públicos?

E, principalmente, quanto tudo isso vai custar?

Porque governar não é apenas prometer. É estabelecer prioridades, fazer escolhas e dizer de onde virão os recursos para cumprir aquilo que está sendo prometido.

A campanha também precisa superar a lógica de transformar todo problema em munição contra o adversário. Santa Catarina é maior do que a disputa eleitoral. Os problemas do Estado não pertencem a um partido, assim como as soluções não pertencem a um único candidato.

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A crítica tem seu lugar. A fiscalização também. A divergência faz parte da democracia. Mas o eleitor merece mais do que uma sucessão de acusações, respostas, vídeos, cortes de entrevistas e ataques nas redes sociais.

Merece saber o que cada um fará com o Estado.

Se existe uma divergência sobre o futuro de Santa Catarina, que ela seja exposta. Se existem modelos diferentes de administração, que sejam comparados. Se há soluções diferentes para os mesmos problemas, que sejam apresentadas. E se uma proposta é considerada inviável, que se explique por quê.

É muito mais útil para o cidadão saber como um candidato pretende resolver um problema do que simplesmente ouvir que o adversário é o problema.

A reta final da campanha deveria ser justamente o momento de elevar o nível do debate. O tempo é curto e, por isso mesmo, deveria ser precioso. Cada debate, cada entrevista e cada espaço de propaganda deveria servir para esclarecer, confrontar ideias e permitir que o eleitor faça suas escolhas com mais informação.

As campanhas podem continuar olhando umas para as outras.

Mas seria bom que, pelo menos daqui para frente, olhassem também para Santa Catarina.

Porque os candidatos vão disputar uma eleição.

Mas quem vai continuar vivendo com as escolhas feitas por ela é o catarinense.

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