Suplente na chapa do senador Carlos Fávaro (PSD), Carmen Machado (PV) fez duras críticas à composição da chapa de Janaina Riva e afirmou que os servidores públicos precisam avaliar a coerência entre o discurso e as escolhas feitas por cada candidatura. Segundo Carmen, a disputa pelas duas vagas ao Senado deve ser colocada “às claras”, sem arranjos políticos que contrariem os compromissos apresentados aos eleitores.
“O servidor não pode embarcar no canto da sereia de quem diz uma coisa e faz outra. Não adianta dizer que apoia servidor se monta uma chapa suspeita, baseada em conveniências e oportunismo”, declarou. Carmen também criticou quem, segundo ela, deixou de pagar a Revisão Geral Anual (RGA) e promoveu mudanças previdenciárias que prejudicaram servidores aposentados.
Ao falar sobre Janaina Riva, Carmen questionou a saída de uma mulher e servidora pública da chapa, a delegada Ana Cristina Feldner, e a posterior escolha dos empresários Danilo Trento e Rafael Torres para as suplências. Ela relacionou a nova composição às investigações nas quais os nomes dos escolhidos foram citados e afirmou que o eleitor precisa saber quem poderá assumir o mandato em caso de afastamento da titular.
Carmen ressaltou ainda que não ocupa uma posição meramente simbólica na chapa de Carlos Fávaro. “Não estou na chapa como enfeite. Tenho a garantia do senador de que assumirei parte do mandato como uma senadora 100% servidora”, afirmou. Segundo ela, a presença de uma representante da categoria permitirá levar diretamente ao Senado as reivindicações dos servidores estaduais, municipais e federais.
Ao concluir, Carmen disse ter orgulho de integrar uma chapa que considera honesta e comprometida com as mulheres e com o funcionalismo público. “Votar em Fávaro é escolher quem respeita as mulheres, quem tem compromisso com os servidores e quem combate a corrupção de verdade. O servidor e a servidora têm a garantia de votar em uma chapa que vai lutar pelos interesses de todas as nossas categorias”, finalizou.
*Suplentes investigados em escândalos*
Da CPI da Pandemia ao INSS – Danilo Trento ganhou projeção nacional durante a CPI da Pandemia, no Senado. Diretor institucional da Precisa Medicamentos à época, ele foi convocado para explicar negociações envolvendo a vacina indiana Covaxin com o Ministério da Saúde.
O contrato da Covaxin se tornou um dos principais focos da CPI por suspeitas de irregularidades na negociação conduzida pela Precisa. Documentos analisados pela comissão também levantaram questionamentos sobre os valores envolvidos na aquisição do imunizante.
Anos depois, o nome de Trento voltou a aparecer em investigações nacionais, desta vez relacionadas à Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo a Polícia Federal, Trento atuava em conluio com o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio de Oliveira Filho, servindo como o “braço financeiro” e operador da engrenagem de corrupção.
Já para a segunda suplência, Janaína escolheu Rafael Yamada Torres, empresário ligado à Trimec Construções e Terraplanagem e filho do empresário Wanderley Facheti Torres.
Rafael ganhou projeção nos desdobramentos da Operação Sodoma, que investigou esquemas de corrupção, desvio de recursos públicos e fraudes durante a administração do ex-governador Silval Barbosa. Em uma das fases da operação, Rafael chegou a ser alvo de condução coercitiva.
Documentos judiciais apontaram Rafael como administrador da Trimec e registraram suspeitas relacionadas a recursos desviados de contratos públicos. Em 2017, ele e o pai solicitaram à Justiça autorização para devolver R$ 363,7 mil aos cofres públicos. Apesar de colaborações iniciais, as investigações avançaram e Rafael Yamada Torres acabou denunciado pelo Ministério Público. Ele responde por crimes graves que incluem organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.






































