O Brasil deve registrar 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em 2023, a doença provocou 2.325 mortes no país e atualmente é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos.
A campanha Setembro Dourado deste ano alerta para a importância de reconhecer sinais persistentes, já que não há recomendação de rastreamento populacional para o câncer nessa faixa etária. O diagnóstico precoce, a investigação adequada e o acesso ao tratamento especializado são considerados fundamentais para aumentar as possibilidades de cura e reduzir impactos provocados pela doença.
Entre os principais tipos de câncer na infância estão os tumores do sistema nervoso central, que representam cerca de 20% das neoplasias pediátricas e são os tumores sólidos mais frequentes nessa população. Segundo a radioterapeuta pediátrica Rosangela Correa Villar, do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da FMUSP, o tratamento exige atenção especial ao desenvolvimento da criança. “Na criança, o planejamento exige cuidados específicos porque estamos lidando com um organismo em desenvolvimento. Na radioterapia, buscamos direcionar o tratamento ao tumor com a maior precisão possível, preservando tecidos e órgãos saudáveis e reduzindo efeitos que podem aparecer ao longo da vida”, explica.
O Instituto de Radiologia incorporou recentemente um novo acelerador linear, adquirido com investimento superior a R$ 8 milhões, que também poderá ser utilizado em pacientes pediátricos conforme indicação médica. O equipamento dispõe de recursos como a radioterapia guiada por superfície, que monitora o posicionamento durante as sessões. “Nosso objetivo não é apenas aumentar as chances de cura, mas fazer com que essa criança possa chegar à vida adulta com a melhor qualidade de vida possível”, afirma Rosangela.

















