O número de escrituras públicas de doação de imóveis em Mato Grosso aumentou 121% entre 2020 e 2025, segundo a Associação dos Notários e Registradores do Estado (Anoreg/MT). Foram 2.139 atos no ano passado, contra 964 em 2020. O resultado é o segundo maior da série histórica, atrás apenas de 2024, quando 2.382 escrituras foram registradas.
Para especialistas, o avanço reflete a maior preocupação das famílias com o planejamento patrimonial e sucessório, especialmente após a pandemia. A antecipação da transferência de bens permite definir previamente a divisão do patrimônio e pode reduzir conflitos no processo de sucessão. Em alguns Estados, a doação também pode ter vantagem tributária em relação à transmissão por herança, conforme a legislação local.
Em Mato Grosso, o movimento ganha relevância diante da concentração de patrimônio em propriedades rurais e da perspectiva de mudanças na tributação. A advogada Tatiana Chiaradia afirma, porém, que a economia de impostos não deve ser o único critério. “A decisão para um planejamento patrimonial precisa levar em consideração uma análise minuciosa dos objetivos da família para adequá-los na melhor estrutura fiscal”, afirma.
Entre as alternativas estão a doação com reserva de usufruto, a criação de holdings familiares e o testamento. No primeiro caso, o proprietário pode manter o direito de uso do bem durante a vida; as holdings podem organizar a gestão do patrimônio, mas exigem análise individualizada; e o testamento permite formalizar a vontade do titular. Para os especialistas, a escolha deve considerar conjuntamente sucessão, tributação e governança, evitando que uma estratégia voltada apenas à redução de impostos provoque problemas familiares ou patrimoniais no futuro.



















