Novas imagens de câmeras corporais obtidas pela TV Globo e pelo g1 revelam detalhes da ação policial que terminou com a morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, em julho de 2025. As gravações mostram o jovem rendido, com as duas mãos visíveis e sem apresentar resistência antes de ser baleado pelos policiais militares. Após os disparos, os agentes passam a conversar em voz baixa, mesmo sem saber que as câmeras estavam gravando.
Os vídeos também registram que, momentos antes da abordagem, um policial conversa com uma moradora da região sem orientá-la a deixar o local. No interior da residência, Igor e outros suspeitos obedecem às ordens da equipe e negam estar armados. Ainda assim, um policial dispara contra a parede e, segundos depois, dois agentes atiram contra o jovem. As imagens indicam que Igor permaneceu com as mãos à mostra durante toda a ação, versão que contrasta com o relato apresentado pelos militares após a ocorrência.
Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, responsáveis pelos disparos, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri no fim de julho. A família da vítima, no entanto, recorreu da decisão, alegando que a absolvição é incompatível com as provas reunidas durante o processo. Os advogados sustentam que as gravações demonstram que Igor foi morto quando já estava rendido e pedem que o caso seja submetido a um novo julgamento.
Segundo a Polícia Militar, os agentes utilizavam o novo modelo de câmeras corporais, cuja gravação é acionada manualmente. A corporação informou que os policiais desconheciam que os equipamentos registravam a ocorrência e classificou os disparos como ilegais. As investigações do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) apontam que Igor foi executado e destacam que, até o fim das gravações, não há registro da apreensão de qualquer arma com os suspeitos abordados.



































