Correndo contra o prazo para evitar prejuízos bilionários, o agronegócio brasileiro tenta se adequar à Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que entra em vigor em dezembro deste ano e pode colocar em risco cerca de R$ 16,5 bilhões em exportações nacionais. O tema dominou os debates do Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP), em meio às negociações do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Enquanto o acordo provisório entre os blocos, em vigor desde 1º de maio, prevê redução gradual de tarifas até zerar impostos de importação para diversos produtos, lideranças do agro e representantes do governo criticam a legislação ambiental europeia. O setor classifica as exigências como unilaterais e desconectadas da realidade do produtor rural brasileiro.
O Ministério da Agricultura afirmou que a União Europeia ignora dados oficiais do Brasil, mesmo após a redução de 50% no desmatamento registrada pelo país. Entre os principais gargalos apontados estão a resistência europeia em reconhecer bases públicas brasileiras, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), além da falta de diferenciação entre floresta nativa e floresta plantada na regulamentação da lei.
A preocupação do setor é direta: caso produtores não consigam comprovar rastreabilidade e conformidade ambiental, produtos como soja e café podem enfrentar barreiras comerciais no mercado europeu, segundo maior destino das exportações do agro brasileiro. Em 2025, o bloco importou US$ 22,1 bilhões em produtos agropecuários do Brasil.
Apesar das críticas, exportadores reconhecem que a adequação à nova legislação será inevitável. O entendimento dentro do setor é de que o acesso ao mercado europeu dependerá cada vez mais de comprovação de sustentabilidade, regularidade ambiental e conformidade sanitária, mesmo com as vantagens econômicas prometidas pelo acordo de tarifa zero entre Mercosul e União Europeia.
















