O avanço da inadimplência rural acendeu um alerta no agronegócio brasileiro. Dados do Banco Central do Brasil mostram que o índice de atraso entre produtores rurais pessoas físicas saltou de 2,7% para 7,3% em um ano, o que representa mais de R$ 205 bilhões em operações com parcelas em atraso.
Segundo especialistas do setor, a crise é resultado da combinação entre queda nos preços das commodities, custos elevados de produção e juros altos, com a taxa Selic em 15% ao ano. Nas operações contratadas fora das linhas subsidiadas, a inadimplência já chega a 13,5%, afetando principalmente médios produtores de soja, milho e pecuária.
O cenário também elevou os pedidos de recuperação judicial no agro após mudanças na legislação. Levantamentos apontam que os casos passaram de menos de 100 em 2021 para quase 2 mil em 2025. Em resposta, o Conselho Nacional de Justiça endureceu as regras para concessão do mecanismo, exigindo mais documentos e comprovações da atividade rural.
Além das dificuldades financeiras, produtores demonstram preocupação com renegociações envolvendo alienação fiduciária de imóveis rurais, modelo em que a propriedade fica vinculada ao banco. O receio do setor é que, sem soluções sustentáveis para renegociação das dívidas, o agro enfrente um ciclo de descapitalização e concentração de terras nos próximos anos.


















