A greve dos servidores municipais de Florianópolis ganhou novos desdobramentos nesta semana após a Prefeitura registrar um boletim de ocorrência contra integrantes do Sintrasem. A medida foi tomada depois de declarações feitas durante uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Educação.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, um dos manifestantes afirma temer pela segurança do secretário municipal de Educação, Thiago Mello Peixoto da Silveira, e diz que a situação pode resultar em um “banho de sangue descontrolado”. Outro participante do ato declara que “quem não tem salário, não tem trabalho, não tem mais nada a perder”.
A administração municipal interpretou as falas como ameaça contra agentes públicos e informou que acionou a polícia para “resguardar a integridade física e funcional” dos envolvidos. Em nota, a Prefeitura afirmou que respeita o direito constitucional de greve, mas declarou que “ameaças e violência não serão toleradas”. 
O episódio ocorre em meio ao agravamento do conflito entre a gestão do prefeito Topázio Neto e os servidores municipais. A paralisação, iniciada em 23 de abril, já dura mais de duas semanas e foi considerada ilegal pela Justiça catarinense no último dia 30 de abril. 
Além do registro do boletim de ocorrência, a Prefeitura ampliou o número de desligamentos de profissionais temporários da educação que aderiram à greve. Segundo dados atualizados nesta sexta-feira, 209 servidores ACTs (Admitidos em Caráter Temporário) já tiveram os contratos encerrados por “ausência injustificada”. Inicialmente eram 164 demissões, mas outras 45 exonerações foram oficializadas nos últimos dias. 
De acordo com a administração municipal, os contratos temporários preveem desligamento automático em casos de ausência superior a 48 horas consecutivas ou três faltas alternadas sem justificativa. Como a greve foi declarada ilegal, a Prefeitura passou a considerar as ausências como faltas comuns. 
O sindicato contesta as exonerações e afirma que a medida é arbitrária. O Sintrasem sustenta que o movimento grevista é legítimo e cobra avanços em pautas relacionadas à educação, saúde, concursos públicos, recomposição salarial e revogação de portarias que afetam servidores da rede municipal. 




























