Disputa familiar pelo bolsonarismo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fortaleceu sua posição na disputa pela sucessão presidencial após articular a transferência do marido, Jair Messias Bolsonaro, para uma cela com melhores condições, um feito que os filhos do ex-presidente não haviam conseguido. A ação ocorreu após Michelle ser recebida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Publicamente, a resposta da ex-primeira-dama a ataques de blogueiros foi interpretada como um recado direto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que nos bastidores a acusa de não apoiar sua pré-candidatura. Enquanto Flávio declara publicamente nunca ter “costurado” uma candidatura, Michelle, à frente do PL Mulher, percorre o país e lidera pesquisas de intenção dentro da família, consolidando-se como um nome forte para uma chapa presidencial em 2026.
Banco Master

De acordo com informações de fontes ligadas ao Planalto e também do “centrão”, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antonio de Souza, e três secretários do GDF devem ser convocados pela Câmara Legislativa do Distrito Federal após o recesso parlamentar. O requerimento, apresentado pela deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) – pré-candidata ao governo de Brasília, visa apurar as operações financeiras e a concessão de créditos envolvendo o Banco Master, além da saúde financeira do banco estatal e do governo distrital. Os secretários de Economia, Governo e Casa Civil também são alvo da convocação. A parlamentar questiona operações de risco e a possível capitalização do BRB com recursos públicos, defendendo que prejuízos não sejam repassados ao contribuinte. Em nota, o BRB garantiu solidez e informou que mais de R$ 10 bilhões de uma exposição bruta de R$ 12,76 bi já foram regularizados.
Banco Master 2

De acordo com informações de fontes ligadas ao Planalto e também do “centrão”, o empresário e pastor Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que foi preso temporariamente pela Polícia Federal (PF) ao tentar embarcar para Dubai, é um dos maiores doadores individuais das eleições de 2022, tendo destinado R$ 3 milhões à campanha do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e R$ 2 milhões a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo paulista. A detenção, ordenada pelo ministro do STF, Dias Toffoli, integra a segunda fase da “Operação Compliance Zero”, que investiga um suposto esquema de fraudes no Banco Master. A prisão reacende o debate sobre a influência de grandes doadores na política e ocorre após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil (BCB), com um prejuízo estimado em até R$ 41 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Setor portuário pressiona por nova lei

Diante do recorde histórico de movimentação portuária em 2025, o setor pressiona pela votação do Projeto de Lei 733 de 2025, a Nova Lei dos Portos, ainda no primeiro semestre. O presidente do Conselho Gestor do Instituto Brasil Logística (IBL), Jesualdo Silva, defende que a modernização do marco legal é crucial para dar previsibilidade e segurança jurídica aos investimentos necessários à expansão da infraestrutura. O projeto, que tramita em comissão especial na Câmara, propõe contratos prorrogáveis por até 70 anos, fim da exclusividade do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) e a criação de uma “janela única aquaviária digital”. Os portos brasileiros movimentaram 1,27 bilhão de toneladas até novembro de 2025, um crescimento de 4,97%, com projeção de fechar o ano em 1,34 bilhão de toneladas.
Isenção de tributos de estatais

Avança na Câmara um projeto que concede ampla isenção tributária para empresas estatais que constroem e vendem imóveis para famílias de baixa renda. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 179 de 2025, de autoria do deputado e ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB-PR), e relatado por Eli Borges (PL-TO), ambos da Frente Parlamentar de Logística (Frenlogi), exclui subvenções públicas da base de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, além de isentar a venda desses imóveis de PIS/Cofins e zerar alíquotas do IBS e CBS. Aprovado na Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU), o texto visa reduzir o déficit habitacional, estimado em 6 milhões de domicílios, e otimizar investimentos públicos no setor. A proposta segue para análise das comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça (CCJ).
PL combate fraude em combustíveis

O Projeto de Lei (PL) 1923 de 2024, que cria um sistema eletrônico para coibir fraudes no setor de combustíveis está pronto para votação no plenário da Câmara. O PL de autoria do deputado Júlio Lopes (PP-RJ) e relatado por Júnior Ferrari (PSD-PA), institui o Sistema Eletrônico de Informações do Setor de Combustíveis (SEISC) para monitorar em tempo real estoques e movimentações, com o objetivo de combater adulterações e sonegação fiscal. A proposta, que tramita em regime de urgência e está entre as mais acessadas no site da Câmara, conta com apoio do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Estima-se que as fraudes no setor causem prejuízos anuais de R$ 62 bilhões. O projeto já foi aprovado em comissões temáticas e, se aprovado no plenário, seguirá para o Senado.
Sudeste em crise hídrica

De acordo com informações de especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alertam que os reservatórios de água da região Sudeste não se recuperarão em 2026, mesmo com as chuvas acima da média. O Sistema Cantareira, que abastece nove milhões de pessoas, opera com apenas 19,71% de sua capacidade, nível mais baixo desde a crise de 2014-2015. A seca severa, agravada pelo desmatamento que reduz a umidade regional, é apontada como causa principal, e não apenas o calor. O aumento da instalação de data centers no estado de São Paulo, grandes consumidores de água e energia sem regulação clara, é citado como um agravante à crise. A previsão é de um ano difícil para o abastecimento e para as contas de luz, exigindo planejamento hídrico urgente.
Consumo de ultraprocessados dobra

O consumo de alimentos ultraprocessados mais que dobrou no Brasil desde os anos 1980, passando de 10% para 23% da dieta, conforme estudo publicado na revista “The Lancet”. Especialistas alertam que esse avanço acelerado, impulsionado pela praticidade e mudanças culturais, eleva significativamente os riscos à saúde. O padrão alimentar rico em açúcar, gordura de baixa qualidade, sódio e aditivos está associado a doenças metabólicas, cardiovasculares, inflamatórias e transtornos mentais. Uma pesquisa recente na revista “Thorax” revela ainda que o alto consumo desses produtos aumenta em 41% o risco de câncer de pulmão. Diante disso, nutricionistas recomendam o planejamento de refeições caseiras como estratégia fundamental para melhorar a qualidade nutricional da população.
Marinha libera acesso a DNA

A Marinha do Brasil autorizou o acesso ao patrimônio genético do litoral nacional para uma expedição científica em parceria com uma instituição estrangeira. Por meio de portaria assinada pelo Almirante Arthur Fernando Bettega Corrêa, a empresa brasileira “Oceanpact Serviços Marítimos S.A.” e a britânica “Nature Metrics Ltda” poderão coletar e estudar amostras de DNA ambiental (eDNA) ao longo da costa entre o Rio de Janeiro e Belém. O objetivo é mapear a biodiversidade de microrganismos dos domínios Bacteria, Archaea e Eukarya. O Brasil, que detém entre 15% e 20% da biodiversidade global, tem no patrimônio genético marinho um ativo estratégico de alto valor biotecnológico e econômico. A autorização está condicionada ao cadastro no sistema nacional e ao cumprimento de exigências de outros órgãos ambientais.
Ascensão social bate recorde

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que 17,4 milhões de brasileiros ascenderam socialmente entre 2022 e 2024, saindo da pobreza e ingressando nas classes A, B e C. Esse movimento, que supera em ritmo o observado no período 2003-2014, fez a participação conjunta dessas três classes atingir 78,18% da população em 2024, o maior patamar histórico desde o início da série, em 1976. A classe C sozinha concentra 60,97% dos brasileiros. O diretor da FGV Social, Marcelo Neri, destacou que a renda do trabalho foi o principal motor da ascensão, impulsionada por políticas como o Bolsa Família. Em contrapartida, as classes D e E atingiram seus menores níveis, de 15,05% e 6,77%, respectivamente.































