Santa Catarina vive um momento pulsante: enquanto o turismo internacional bate recorde e expõe o potencial catarinense, o preço do diesel pressiona transportes e logística, e o governo estadual já começa a desenhar novas matrizes econômicas para diversificar o crescimento. Três frentes convergem e levantam a questão: SC vai acompanhar a transformação ou ficará refém de velhos gargalos?
Turismo em alta: números que impressionam
Até agosto de 2025, o Estado recebeu 565.710 turistas internacionais — um aumento de 66,45% em relação ao mesmo período do ano passado. Só no mês de agosto, foram 16.831 visitantes estrangeiros, alta de 44,92% em comparação a 2024.
O resultado é fruto de novas rotas aéreas, promoção internacional da marca “Santa Catarina” e esforço coordenado da Secretaria de Turismo.
Esse crescimento é motivo de comemoração, mas também de alerta: a infraestrutura turística está pronta para receber esse fluxo? Rodovias, aeroportos, mobilidade urbana, serviços e segurança precisam estar à altura. Trazer visitantes é só o primeiro passo — mantê-los satisfeitos e protegidos é o verdadeiro desafio.
Diesel mais caro pressiona transporte e logística
Enquanto o turismo comemora, a logística enfrenta um baque: Santa Catarina registra hoje o maior custo do diesel do Sul do país. Caminhoneiros autônomos e transportadoras relatam aperto no caixa e buscam alternativas para não repassar todo o aumento ao consumidor.
Num estado fortemente dependente do transporte rodoviário para escoamento agrícola, industrial e até turístico, essa elevação nos combustíveis ameaça a competitividade. Se os custos de transporte subirem demais, os ganhos do turismo podem ser corroídos e o preço para o consumidor final vai aumentar.
Governo promete novas matrizes econômicas
O governo catarinense aposta em uma estratégia de diversificação econômica para garantir crescimento sustentável. Em encontro com empresários do Sul, o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert, anunciou a entrega ao governo federal do projeto para o contorno do Morro dos Cavalos — obra de 5,2 km e R$ 291 milhões que promete aliviar gargalos logísticos na BR-101.
Além disso, a gestão estadual fala em estimular novas cadeias produtivas: tecnologia, energias renováveis, cadeias sustentáveis e fortalecimento de polos regionais. O objetivo é reduzir a dependência de setores sazonais e abrir caminho para maior estabilidade econômica.
O desafio de conectar os três vetores
Turismo aquecido, transporte pressionado e redesenho econômico não são pautas isoladas: são eixos estratégicos para o futuro de Santa Catarina.
O sucesso desse alinhamento depende de três fatores: planejamento de longo prazo, investimentos em infraestrutura e articulação política. Se cada setor caminhar sozinho, SC corre o risco de ver as oportunidades se perderem em meio a gargalos logísticos e custos elevados.
Florianópolis, Joinville, Chapecó, Criciúma e as cidades do interior sentirão diretamente os impactos — positivos ou negativos — dessas decisões. O estado está diante de uma encruzilhada: crescer é possível, mas só se for com qualidade e coordenação.
















