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SOBRETUDO O Sul quer falar mais alto em Brasília

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O Sul quer falar mais alto em Brasília

Há encontros políticos que parecem apenas mais uma agenda de Brasília, mas carregam um significado maior. A reunião entre Jorginho Mello, Sérgio MoroSOBRETUDO O Sul quer falar mais alto em Brasília e Luciano Zucco é um desses casos.

Os três estarão juntos na capital federal para discutir pautas de interesse comum dos estados do Sul. Jorginho Mello, reeleito em Santa Catarina, Sérgio Moro, eleito para o governo do Paraná, e Luciano Zucco, eleito para o governo do Rio Grande do Sul, formarão, a partir de 2027, uma composição inédita: os três estados da Região Sul terão governadores eleitos pelo PL.

Na mesa estão temas que ultrapassam a disputa partidária. A criação de um Fundo Constitucional para o Sul e Sudeste, investimentos na malha ferroviária e uma atuação integrada na segurança pública aparecem entre as pautas da conversa. A discussão sobre um fundo, aliás, não nasceu agora. O tema já vinha sendo debatido pelos estados do Sul e Sudeste.

Mas há uma segunda leitura que não pode ser ignorada.

A reunião acontece exatamente no intervalo entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial. E o primeiro turno produziu um mapa eleitoral especialmente favorável ao PL no Sul. Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula nos três estados da região, enquanto o partido também consolidou sua presença nos governos estaduais de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Na prática, portanto, a discussão regional acontece ao mesmo tempo em que se trava uma disputa nacional.

Zucco esteve em Brasília nesta quarta-feira em uma agenda de mobilização em apoio a Flávio Bolsonaro. O movimento acontece justamente na reta inicial do segundo turno, que será disputado em 25 de outubro.

É justamente aí que a política do Sul passa a interessar ao restante do país.

Se os três governadores eleitos conseguirem transformar a proximidade política em uma agenda institucional comum, temas como infraestrutura, logística, segurança e recursos federais podem ganhar mais força na relação dos estados com Brasília.

Mas existe uma diferença importante entre uma fotografia eleitoral e uma articulação de governo.

O resultado das urnas criou uma convergência partidária. Agora será preciso saber se essa convergência será transformada em projetos concretos para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

E a eleição presidencial coloca uma variável adicional nessa equação.

O PL chega ao segundo turno com Flávio Bolsonaro na disputa contra Lula e com uma força regional evidente. O desafio, porém, é transformar o resultado eleitoral do Sul em uma agenda política capaz de dialogar com o país inteiro.

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Porque uma coisa é o Sul votar de determinada maneira. Outra, bem diferente, é o Sul passar a falar como bloco em Brasília.

É isso que começa a ser testado agora: se a força eleitoral do PL no Sul ficará restrita à campanha ou se será convertida em coordenação permanente entre os três futuros governos estaduais.

A reunião de Jorginho, Moro e Zucco pode ser apenas uma demonstração de unidade partidária. Ou pode inaugurar uma articulação regional com prioridades comuns, posições coordenadas e capacidade de negociação em Brasília.

O momento é simbólico: enquanto o Brasil escolhe entre Lula e Flávio Bolsonaro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul precisam decidir se falarão apenas como aliados eleitorais ou como um bloco institucional.

A resposta terá consequências que vão além dos três estados.

Se o Sul transformar sua força nas urnas em cooperação permanente, poderá influenciar a formação da maioria política, a distribuição de recursos federais e a própria relação do próximo governo com o Congresso e os governadores.

A pergunta, portanto, não é apenas se o Sul falará unido.

É se essa união será capaz de alterar o equilíbrio da política nacional.

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