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Do seguidor ao poder: quando a popularidade substitui a competência

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Do seguidor ao poder: quando a popularidade substitui a competência

Nunca foi tão fácil conquistar uma plateia. E talvez nunca tenha sido tão difícil distinguir popularidade de competência.

As redes sociais mudaram a política. Deram voz a pessoas que antes não encontravam espaço, ampliaram o debate público e permitiram que novas lideranças surgissem fora das estruturas tradicionais. Isso é positivo. O problema começa quando o número de seguidores passa a valer mais do que a capacidade de apresentar ideias, compreender problemas e entregar resultados.

Hoje, conquistar audiência pode ser mais importante do que construir uma trajetória. Vídeos curtos, frases de efeito, polêmicas e entretenimento de consumo rápido transformam desconhecidos em celebridades digitais. Com milhões de visualizações, alguns passam a ser tratados como lideranças políticas antes mesmo de demonstrar o que sabem fazer além de produzir conteúdo.

O eleitor tem todo o direito de escolher quem quiser. A questão não é restringir candidaturas, mas discutir os critérios que estamos usando para escolher nossos representantes.

Saber viralizar não é saber legislar. Ter seguidores não é ter experiência. E provocar engajamento não significa estar preparado para governar.

O fenômeno ficou evidente nas últimas eleições, com candidaturas que exploraram a fama digital para conquistar votos. Em muitos casos, a notoriedade veio antes de qualquer experiência relevante na vida pública. A rede social virou currículo, o alcance virou credencial e a capacidade de entreter passou a ser confundida com a capacidade de representar.

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O caso de Ana Elisa, deputada federal eleita por Minas Gerais e envolvida em uma controvérsia sobre publicações antigas, traz essa discussão novamente ao centro do debate. A repercussão do episódio não permite antecipar conclusões sobre todas as acusações que circulam, mas levanta uma questão legítima sobre os critérios de escolha de pessoas para funções estratégicas na política.

Quando alguém conquista projeção nas redes e rapidamente passa a ocupar espaços de influência, é razoável perguntar quais competências justificam essa ascensão. A popularidade pode abrir a porta, mas não deveria dispensar a demonstração de preparo.

Existe também uma responsabilidade dos partidos. Na disputa por votos, muitos enxergam nos influenciadores uma oportunidade de alcançar públicos que dificilmente seriam mobilizados pelos meios tradicionais. O cálculo eleitoral é compreensível. O que não pode acontecer é a substituição da avaliação de capacidade pela simples contagem de seguidores.

A política exige muito mais do que comunicação. Exige conhecimento, capacidade de negociação, responsabilidade com o dinheiro público, compreensão das instituições e disposição para enfrentar problemas que não cabem em um vídeo de 30 segundos.

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Isso não significa que um profissional experiente será necessariamente um bom parlamentar, nem que alguém vindo da internet esteja condenado ao despreparo. Existem influenciadores que estudam, trabalham, conhecem suas pautas e podem contribuir muito. O critério deve ser o mesmo para todos: capacidade demonstrada, compromisso público e resultados.

O problema é uma cultura que recompensa a aparência de conhecimento, a indignação permanente e o entretenimento barato, enquanto deixa em segundo plano a qualidade das ideias. Quando a política adota integralmente a lógica dos algoritmos, o debate corre o risco de virar espetáculo, e o eleitor, de ser tratado apenas como audiência.

No fim, a responsabilidade não é apenas de quem se candidata. É também dos partidos que escolhem seus nomes, das plataformas que premiam determinados comportamentos e de uma sociedade que precisa olhar além das telas.

A democracia não exige que todo candidato tenha uma carreira tradicional. Exige que o voto seja uma escolha consciente, e não apenas uma reação ao próximo vídeo viral.

Porque seguidores podem eleger alguém. Mas são competência, responsabilidade e trabalho que deveriam sustentar o exercício do poder.

A pergunta que fica é simples: estamos elegendo representantes preparados para resolver os problemas reais do país ou apenas premiando quem aprendeu a dominar nossa atenção nas redes sociais?

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