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Serra da Rocinha, em SC, é entregue após anos de atrasos

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Após quase uma década de idas e vindas, uma das obras mais emblemáticas da infraestrutura no Sul do país finalmente saiu do papel — e com direito a cerimônia, discurso político e expectativa renovada para a economia regional.

Serra da Rocinha é entregue após anos de atrasos

Com a presença do ministro dos Transportes, George Santoro, o governo federal inaugurou nesta sexta-feira a pavimentação de 22 quilômetros da BR-285, na Serra da Rocinha, em Timbé do Sul. A obra encerra um ciclo de quase dez anos marcado por promessas não cumpridas, revisões de cronograma e dificuldades técnicas.

Iniciada ainda durante o governo Dilma Rousseff, a pavimentação atravessou as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, até ser concluída já no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

O investimento total no trecho catarinense foi de R$ 237 milhões.

Engenharia complexa e entraves políticos

Mais do que um problema de gestão, a demora na entrega reflete a complexidade da obra. A Serra da Rocinha exigiu soluções de engenharia específicas, principalmente para contenção de encostas e estabilidade do terreno — fatores que encareceram e desaceleraram o projeto.

Além disso, contingenciamentos frequentes no orçamento federal ao longo dos anos comprometeram o ritmo dos trabalhos. O resultado foi um cronograma que saiu de uma previsão inicial para 2021 e acabou sendo empurrado sucessivamente até 2025.

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Durante a inauguração, Santoro evitou revisitar os atrasos e preferiu destacar o papel do atual governo:

“Vontade política é fundamental para tirar projetos do papel e garantir os investimentos necessários”, afirmou o ministro.

Impacto direto na economia e no turismo

O trecho entregue agora conta com 8,8 km em asfalto e 13,2 km em concreto, combinação pensada para aumentar a durabilidade e segurança em uma região de geografia desafiadora. A rodovia já registra fluxo médio de cerca de 5 mil veículos por dia.

Para lideranças locais, o impacto deve ser imediato. O prefeito de Timbé do Sul, Vilmar Maffiolette (PP), aposta em um efeito cascata:

– O turismo já começa a crescer, e a indústria tende a acompanhar esse movimento.

A Serra da Rocinha é considerada estratégica não só pelo turismo de natureza, mas também por conectar regiões produtivas do Sul catarinense ao restante do país.

Corredor logístico ainda incompleto

Apesar da entrega em Santa Catarina, a BR-285 ainda depende da conclusão do lado gaúcho para atingir todo o seu potencial logístico.

No trecho entre a divisa e São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul, cerca de 40% das obras foram executadas. O investimento ali soma R$ 119,5 milhões e inclui, além da pavimentação, uma ponte e dois viadutos para passagem de fauna — exigência ambiental relevante na região.

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A rodovia é vista como peça-chave para um corredor de integração entre o Sul do Brasil e países vizinhos, com potencial inclusive para rotas bioceânicas.

Ligação com porto e integração regional

Um dos principais defensores da obra, o deputado federal Pedro Uczai destacou o papel estratégico da rodovia:

– Essa ligação pode redirecionar parte da produção do Rio Grande do Sul para o Porto de Imbituba, fortalecendo a economia regional.

Com extensão total de 744 quilômetros, a BR-285 conecta Araranguá a São Borja, na fronteira com a Argentina, formando um eixo importante para transporte de cargas e integração internacional.

Presenças políticas e leitura de bastidores

A cerimônia reuniu nomes relevantes da política catarinense, como a deputada federal Ana Paula Lima, os estaduais Tiago Zilli e Volnei Weber, além dos ex-deputados Décio Lima e Edinho Bez.

Mais do que uma entrega de obra, o evento teve tom político claro: o governo federal tenta carimbar a conclusão como resultado de articulação e prioridade atual, enquanto evita dividir o crédito com gestões anteriores — apesar do histórico longo da obra.

No fim das contas, a rodovia sai do papel. Mas o discurso sobre quem fez isso acontecer continua em aberto.

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