A renegociação de até R$ 100 bilhões em dívidas rurais anunciada pelo governo federal ainda não chegou de forma efetiva aos produtores, enquanto os pedidos de recuperação judicial no agronegócio avançam. A expectativa é que o Ministério da Fazenda publique nesta quinta-feira (13) a portaria sobre a equalização dos juros, etapa necessária para destravar parte das operações previstas na MP 1.376/2026.
No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 474 pedidos de recuperação judicial no setor, alta de 21,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Serasa Experian. O maior avanço ocorreu entre produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, com crescimento de 73,5%, enquanto Mato Grosso liderou o número total de solicitações.
A demora na regulamentação tem limitado o alcance do programa. Até o início desta semana, apenas uma renegociação havia sido registrada, no valor de R$ 142 mil, no Rio Grande do Sul. Bancos e cooperativas também relatam dúvidas sobre as fontes de recursos, o reaproveitamento de garantias e os critérios para enquadramento das dívidas.
Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio e da Feagro-MT, o governo precisa transformar o anúncio em operações concretas antes que mais produtores retornem à inadimplência. “A renegociação precisa sair do anúncio e chegar imediatamente à agência bancária”, afirmou. A MP agora tramita no Congresso e precisa ser aprovada até 12 de setembro para não perder a validade, enquanto permanece a incerteza sobre quanto dos R$ 100 bilhões anunciados estará, de fato, disponível aos produtores.



















