Em artigo publicado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas utilizou a obra Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, para refletir sobre o julgamento do caso Henry Borel e defender que a responsabilidade pelos fatos não pode ser substituída por explicações teóricas ou condicionamentos sociais.
No texto, o promotor traça um paralelo entre a trajetória de Raskólnikov, personagem central do romance, e o debate público gerado após o julgamento. Segundo ele, há uma tendência de transformar acontecimentos concretos em categorias abstratas, deslocando o foco da vítima para discussões sobre os contextos e sofrimentos dos adultos envolvidos.
Berestinas argumenta que compreender fatores psicológicos, sociais e culturais é importante, mas ressalta que tais elementos não podem servir para afastar a responsabilização por ações ou omissões. Para o promotor, o principal questionamento permanece sendo quem tinha o dever de proteger a criança.
Ao longo do artigo, o autor destaca que Henry Borel não deve ser visto como uma teoria, uma pauta pública ou um estudo de caso, mas como uma criança que teve sua infância interrompida pela violência. Segundo ele, o desconforto manifestado por parte da sociedade após o julgamento decorre da percepção de que a vítima teria deixado de ocupar o centro da discussão.
Na conclusão, o promotor afirma que a Justiça pode e deve analisar contextos, condicionamentos e sofrimentos, mas sem perder de vista a responsabilidade dos envolvidos. “Henry não era uma teoria. Era o menino. E uma sociedade que perde de vista o menino corre o risco de perder, juntamente com ele, o próprio sentido da justiça”, escreveu.































