A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas fraudes em empréstimos consignados envolvendo servidores públicos estaduais deve voltar à pauta da Assembleia Legislativa após o recesso parlamentar. A avaliação é do deputado estadual Wilson Santos (PSD), que afirmou considerar inevitável a instalação da comissão diante dos desdobramentos das investigações.
Segundo o parlamentar, o caso ainda será aprofundado pelo Legislativo. “Esse assunto, mais dia, menos dia, será aberto. Esse assunto não vai escapar de uma CPI. Seja neste governo, no ano que vem, ou daqui a dois, três, esse assunto um dia será passado a limpo. Tenho certeza”, declarou.
Enquanto a comissão não é instalada, Wilson defendeu que o Poder Judiciário adote medidas para suspender os descontos em folha dos servidores supostamente prejudicados. “O que nós precisamos agora é que o Poder Judiciário, e só ele, tome decisões no sentido de suspender os descontos, porque já está comprovado, de forma contundente, que o sistema bancário, aliado com alguns escritórios de advocacia e agentes públicos, formaram uma organização criminosa. Essa organização criminosa roubou, de maneira intensa, escandalosamente, mais de 60 mil servidores públicos de Mato Grosso”, afirmou.
A criação da CPI ganhou força após a deflagração da Operação Fugazi, da Polícia Federal, no início de julho, que apura a atuação de empresas suspeitas de oferecer cartões de crédito consignados que funcionariam, na prática, como empréstimos com juros elevados e mecanismos que dificultavam a quitação das dívidas. O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), informou que o requerimento já reúne seis ou sete assinaturas e está próximo do número mínimo necessário para a instalação da comissão.
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que não vê impedimentos para a criação da CPI, embora tenha ponderado que comissões parlamentares de inquérito em período eleitoral costumam provocar desgaste político. Segundo ele, o governo estadual adotou medidas para combater irregularidades nos consignados ainda em 2025, incluindo a proibição de operações por instituições financeiras sem sede em Mato Grosso e o ajuizamento de ações contra 14 agentes financeiros.

















