A Polícia Federal identificou uma espécie de “linha de montagem” digital usada por funcionários do Banco Master para produzir documentos que davam aparência de legitimidade a créditos consignados atribuídos à Tirreno Consultoria. Segundo relatório pericial, a operação envolvia dados reais de clientes, produção em massa de procurações, reaproveitamento de assinaturas, edição de documentos e montagem de dossiês que seriam apresentados ao Banco de Brasília (BRB).
A investigação aponta que informações extraídas dos sistemas internos do Master eram organizadas em planilhas e utilizadas para gerar documentos em escala. Em uma das etapas, 2.700 procurações foram produzidas por meio da ferramenta de mala direta do Microsoft Word. Programas desenvolvidos em C# também eram usados para separar páginas de assinaturas de arquivos PDF, enquanto CCBs eram assinadas digitalmente.
A perícia encontrou indícios de que datas e outros registros capazes de revelar a origem dos documentos eram apagados ou alterados. Em um caso, um Termo de Consentimento que originalmente registrava 24 de fevereiro de 2023 teve a data removida em julho de 2025. Em outro, CCBs apresentavam datas antigas no documento, mas os registros criptográficos indicavam que as assinaturas digitais haviam sido feitas apenas em junho de 2025.
A operação também envolveu tentativas de alterar comprovantes bancários e preparar justificativas para eventuais questionamentos de auditoria. A PF identificou ainda que a documentação produzida chegou à cúpula do banco, após Daniel Vorcaro, dono do Master, solicitar um “kit dos 300 com assinatura digital”. A investigação agora busca esclarecer toda a dinâmica da fraude e a participação de cada envolvido, enquanto os vestígios digitais permitem reconstruir etapas que os responsáveis tentaram ocultar.


















