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O cofre abriu. Agora começa a guerra pelo dinheiro da campanha

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As convenções partidárias ficaram para trás. As nominatas foram homologadas, os candidatos escolhidos e os discursos de unidade ocuparam o centro do palco. Mas quem imagina que a principal disputa deste momento acontece entre partidos está olhando para o lugar errado.

A maior batalha da eleição, neste momento, acontece dentro das próprias legendas.

Os partidos já conhecem o tamanho do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). O que ainda está longe de ser definido é quem, dentro de cada partido, ficará com a maior fatia desse recurso.

Em 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) soma R$ 4,961 bilhões, valor já definido pela Justiça Eleitoral e distribuído entre os partidos conforme os critérios previstos na legislação. O dinheiro, portanto, já tem destino nas contas das legendas. O que ainda movimenta os bastidores é outra disputa: a definição de quanto cada candidato receberá. É essa divisão interna que, em muitos casos, determinará quem terá estrutura para disputar uma vaga em igualdade de condições e quem precisará fazer campanha praticamente apenas com a própria rede de apoio.

É justamente aí que começa uma das fases mais delicadas da campanha.

Se a convenção decidiu quem poderia disputar a eleição, agora começa a definição de quem terá condições reais de fazer campanha.

Nos bastidores, dirigentes nacionais e estaduais iniciaram uma nova rodada de negociações. O assunto já não é mais a formação das chapas. A conversa agora gira em torno da distribuição do dinheiro, da estrutura de campanha, da contratação de equipes, da produção de material, das viagens e da capacidade de cada candidato transformar recursos em votos.

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A lógica é simples, mas nem sempre confortável.

Nenhum partido possui recursos suficientes para financiar todos os candidatos na mesma proporção. Isso significa que, inevitavelmente, alguns serão tratados como prioridade e outros precisarão construir suas campanhas com muito mais criatividade do que dinheiro.

Essa escolha raramente acontece por afinidade pessoal.

Os partidos costumam concentrar recursos em candidaturas consideradas viáveis, em nomes capazes de puxar votos para toda a chapa, em regiões estratégicas e em projetos políticos que possam ampliar a bancada federal ou estadual. Também entram nessa equação os critérios legais para distribuição dos recursos públicos, além das estratégias definidas pelas executivas nacionais e estaduais de cada legenda.

Na prática, cria-se uma espécie de primeira divisão dentro da própria nominata.

São os candidatos que terão estrutura robusta, equipes profissionais, presença intensa nas ruas e maior capacidade de comunicação. Logo abaixo aparece um segundo grupo, formado por candidatos competitivos, mas que precisarão complementar a campanha com recursos próprios, doações permitidas em lei ou uma forte rede de apoiadores.

Há ainda um terceiro grupo. São aqueles que entram na disputa sabendo que terão pouca ou nenhuma prioridade financeira. Apostam na militância, no trabalho regional e no corpo a corpo para compensar a diferença de estrutura.

É justamente por isso que a disputa interna não terminou com as convenções.

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Ela apenas mudou de endereço.

Nos próximos dias, presidentes estaduais, tesoureiros e coordenadores de campanha serão pressionados por deputados, prefeitos, ex-prefeitos e lideranças regionais. Cada grupo defenderá que seu candidato merece prioridade. Cada candidatura apresentará pesquisas, bases eleitorais, potencial de crescimento e argumentos para justificar um investimento maior.

Nem todos sairão satisfeitos.

E essa decisão poderá influenciar diretamente o resultado das urnas.

Em eleições proporcionais, especialmente para a Câmara dos Deputados, a distribuição dos recursos costuma definir onde as campanhas terão maior presença, quais candidaturas conseguirão ganhar escala e quais enfrentarão dificuldades antes mesmo da propaganda eleitoral começar.

Em Santa Catarina, onde diversas legendas montaram chapas competitivas, essa disputa promete ser ainda mais intensa. O dinheiro deixará de ser apenas combustível para a campanha. Passará a ser um instrumento estratégico para definir quais candidaturas serão tratadas como prioridade e quais precisarão provar seu valor praticamente sozinhas.

Sobretudo

As convenções encerraram uma disputa. A distribuição do Fundo Eleitoral abre outra, muito mais silenciosa. A partir de agora, cada partido precisará fazer escolhas difíceis. Investir em poucos candidatos para garantir cadeiras ou pulverizar recursos tentando fortalecer toda a chapa? A resposta para essa pergunta pode definir não apenas quem será eleito, mas também quais lideranças sairão fortalecidas para comandar a política catarinense nos próximos quatro anos. Em muitas legendas, a corrida pelas urnas ainda nem começou, mas a disputa pelo cofre já está a todo vapor.

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