O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) apresentou uma denúncia criminal contra quatro indivíduos e uma empresa envolvidos no desmate químico de aproximadamente 81 mil hectares de vegetação nativa no Pantanal. Entre os denunciados estão o pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, o engenheiro agrônomo Alberto Borges Lemos, o piloto da aeronave Nilson Costa Vilela e a empresa Aeroagrícola Asas do Araguaia Ltda.
Na denúncia, o MPMT requer uma indenização de R$ 2,3 bilhões pelos danos ambientais causados e a responsabilização dos acusados por nove crimes, incluindo o uso indevido de agrotóxicos e a supressão de vegetação nativa em áreas de preservação. Caso sejam condenados, as penas somadas podem atingir 412 anos de prisão.
A investigação, realizada pela Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema) na Operação Cordilheira, foi desencadeada após análises de sensoriamento remoto que revelaram vastas áreas de vegetação morta, indicando o uso de herbicidas sistêmicos nas propriedades de Lemes. A promotora Ana Luíza Ávila Peterlini destacou que a consumação dos crimes foi orientada pelo engenheiro denunciado e executada pela empresa responsável pela pulverização aérea.
O pecuarista é proprietário de pelo menos 12 imóveis rurais em Barão de Melgaço, totalizando mais de 276 mil hectares. A denúncia aponta que as áreas destruídas acumulam cerca de 138.788 hectares, sendo que entre 2021 e 2023, os números indicam uma destruição significativa a cada ano. Somente entre janeiro de 2022 e março de 2023, Lemes gastou R$ 15,6 milhões em agrotóxicos.
O caso levanta preocupações sobre a preservação do meio ambiente no Pantanal, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo, e reforça a importância de ações rigorosas para combater crimes ambientais na região. As investigações continuam, e a expectativa é de que os responsáveis sejam responsabilizados pelos danos causados.




















