O Conselho Permanente de Justiça da 11ª Vara Criminal Especializada de Justiça Militar de Cuiabá decidiu, nesta terça-feira (12), revogar parcialmente as medidas cautelares impostas a quatro policiais militares acusados de envolvimento no caso que ficou conhecido como “Grupo do Gol Branco”. Com a decisão, o 2º sargento Jorge Rodrigo Martins, o 3º sargento Leandro Cardoso, o 3º sargento Wailson Alesandro Medeiros Ramos e o soldado Wekcerlley Benevides de Oliveira poderão voltar ao serviço militar, retomar o porte de arma e retirar a tornozeleira eletrônica.
As restrições que proíbem contato com a vítima, familiares e testemunhas do processo permanecem válidas. O grupo é acusado de forjar um confronto policial para dissimular a origem da arma utilizada no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, morto em 5 de julho de 2024. Segundo o Ministério Público, não houve troca de tiros real, mas sim uma “execução deliberada seguida de inovação artificiosa da cena do crime”.
A sessão teve votos favoráveis dos juízes militares PM Thiago Ribeiro de Melo, major Juliano Schmitz Estevão Rebêlo, tenente-coronel PM Marion Silva Metello e tenente PM Eveline Wayda de Araujo Oliveira. Durante a audiência, o Ministério Público solicitou prazo para atualizar o endereço de testemunhas não localizadas, o que foi aceito pelo juízo. Uma nova audiência de instrução está marcada para 1º de setembro, às 14h.
O presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros de Mato Grosso (ACS-MT), Laudicério Machado, afirmou que “a decisão de hoje é fruto da equipe jurídica da ACS, que se empenha na defesa de nossos associados”. Ele destacou que a entidade oferece advogado para a defesa do soldado Wekcerlley Benevides.
O caso ganhou notoriedade após investigações apontarem que a pistola Glock calibre 9mm, usada no homicídio de Renato Nery, foi inserida em um suposto confronto registrado em 12 de julho de 2024, quando Walteir Lima Cabral foi morto e outros dois suspeitos ficaram feridos. Mensagens de um grupo de WhatsApp revelaram suposta combinação de versões e indícios de obstrução de Justiça.

















