O juiz Romeu da Cunha Gomes, da 56ª Zona Eleitoral, cassou nesta terça-feira (2) os mandatos do prefeito reeleito de Brasnorte, Edelo Marcelo Ferrari (União), da vice-prefeita Roseli Borges de Araújo Gonçalves e do vereador Gilmar Celso Gonçalves. A decisão aponta que os três foram beneficiados por um esquema de compra de votos envolvendo distribuição de alimentos, combustível e transporte ilegal de eleitores indígenas da etnia Enawenê-Nawê nas eleições de 2024.
Segundo a sentença, provas como vídeos, depoimentos e quebras de sigilo bancário comprovaram repasses de dinheiro, entrega de frangos congelados e abastecimento de veículos que levaram eleitores até os locais de votação, mesmo após proibição da Justiça Eleitoral. Um empresário afirmou que houve tentativa de burlar a decisão judicial com falsa autorização para transporte.
Apesar da cassação, Edelo e Roseli não foram considerados inelegíveis, pois não foi comprovada a participação direta deles nas práticas ilícitas. Já Gilmar Celso Gonçalves e outros envolvidos, incluindo Rogério Gonçalves — apontado como financiador das ações —, foram condenados à inelegibilidade até 2032 e multados em R\$ 53.205,00 cada.
A Justiça também destacou que o esquema teve efeito direto sobre o pleito, já que as seções indígenas registraram índice de abstenção muito abaixo da média. “Esses elementos demonstram satisfatoriamente o abuso do poder econômico, justificando a aplicação das sanções previstas na legislação eleitoral”, afirmou o magistrado.


































