A corrida pelo Palácio dos Bandeirantes ganhou um novo capítulo neste sábado (25), quando o PT oficializou a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad ao Governo de São Paulo. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o petista transformou a convenção estadual em um ato político marcado por discursos contundentes contra adversários e defesa da democracia.
Realizado na Arena Concórdia, em Campinas, o evento reuniu milhares de apoiadores e entrou para a história da legenda por ser a primeira convenção estadual do partido realizada no interior paulista para definir uma candidatura ao governo do Estado. Além de Haddad, foram oficializados o ex-governador Márcio França como candidato a vice, além das candidaturas de Simone Tebet e Marina Silva ao Senado.
Durante os pronunciamentos, Haddad direcionou duras críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), questionando os resultados da gestão nas áreas de segurança, saúde e educação. O petista também atacou a homenagem prestada pelo governador ao presidente da Argentina, Javier Milei, afirmando que a prioridade do Estado deveria estar voltada aos problemas enfrentados pela população paulista.
O ex-ministro ainda voltou sua artilharia contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que teve a candidatura à Presidência oficializada no mesmo dia. Haddad defendeu a confiabilidade das urnas eletrônicas e criticou as declarações que colocam em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, ressaltando que o mesmo modelo já garantiu vitórias a diferentes grupos políticos ao longo dos últimos anos.
Lula também elevou o tom durante o encontro e afirmou que apenas os brasileiros têm o direito de decidir os rumos do país. Em meio à repercussão sobre a tentativa de representantes do governo dos Estados Unidos de discutir o processo eleitoral brasileiro, o presidente reforçou a soberania nacional e declarou que nenhuma influência externa será aceita nas eleições.
As críticas ao bolsonarismo dominaram a convenção. Marina Silva condenou iniciativas que, segundo ela, prejudicam os interesses nacionais e defendeu a preservação da democracia e da soberania brasileira. Simone Tebet também fez ataques ao grupo adversário, acusando seus principais líderes de anteciparem questionamentos sobre as urnas eletrônicas diante da possibilidade de derrota nas eleições.
Apesar da demonstração de força política, Haddad inicia a campanha diante de um cenário desafiador. Levantamento do Datafolha divulgado neste mês aponta Tarcísio de Freitas na liderança da disputa, com 46% das intenções de voto, contra 30% do candidato petista. O maior obstáculo da campanha continua sendo o interior paulista, onde o PT historicamente enfrenta maior resistência e pretende concentrar parte de sua estratégia eleitoral nos próximos meses.
















