O governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília e chamou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos após declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25), em São Paulo.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes” e “lamentável”, afirmando que Milei fez ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às instituições democráticas, ao Poder Judiciário e ao povo brasileiro em território nacional. O chanceler Mauro Vieira classificou as declarações como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis” e disse que o episódio representa uma interferência em assuntos internos do Brasil.
Apesar da reação, Vieira afirmou que o governo não pretende, neste momento, adotar medidas diplomáticas mais severas, como a retirada do embaixador brasileiro da Argentina. Segundo o ministro, o objetivo é preservar os canais de diálogo e obter explicações formais do governo argentino.
Durante o evento do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, Milei criticou o socialismo, chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca” e se referiu ao presidente Lula como “presidiário”. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, reagiu às declarações e afirmou que elas representam uma manifestação desrespeitosa a um integrante da Suprema Corte, incompatível com a civilidade que deve orientar as relações entre os Estados.

















