Em entrevista à imprensa, a deputada federal Gisela Simona (União) defendeu o Projeto de Lei da Dosimetria como a alternativa mais viável e equilibrada construída pelo Congresso Nacional para destravar um dos debates mais sensíveis do pós-8 de janeiro. Segundo ela, a proposta surge após meses de impasse, embates acalorados e um clima de permanente tensão no Parlamento, que travou votações e paralisou sessões por causa das divergências em torno da anistia.
Gisela lembrou que, desde o início da atual legislatura, o tema provocou enfrentamentos constantes entre as bancadas, com obstruções sucessivas e tentativas frustradas de avançar com textos mais amplos. Para a deputada, o PL da Dosimetria foi a saída encontrada para que o Congresso deixasse de se omitir e assumisse uma posição clara diante da sociedade. “Era preciso, de alguma forma, dar uma resposta”, afirmou, ao justificar seu voto favorável.
O projeto prevê a reavaliação das penas impostas aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No entanto, a parlamentar fez questão de frisar que a proposta não concede anistia geral, como defendem setores bolsonaristas mais radicais, mas estabelece parâmetros distintos para separar líderes e autores de atos violentos daqueles que tiveram participação sem agressões diretas.
A deputada destacou que a iniciativa desagradou a extrema-direita justamente por não promover o perdão irrestrito. Ainda assim, segundo ela, o texto cumpre o papel de trazer maior equilíbrio jurídico e político ao diferenciar responsabilidades. “Ele não atende totalmente a um lado, mas oferece uma resposta para quem não praticou crimes contra terceiros naquele dia”, pontuou.
Por fim, Gisela contestou a narrativa de que o PL teria sido elaborado para beneficiar Bolsonaro. De acordo com estudos técnicos apresentados à Câmara, mesmo em caso de condenação, o ex-presidente teria apenas uma redução potencial de pena — de 27 para 21 anos — sem qualquer possibilidade de soltura imediata. “Não houve favorecimento. A progressão de pena só ocorre depois, dentro das regras legais”, concluiu, reforçando que o objetivo central da proposta é pacificar o país e encerrar um capítulo de profunda polarização.


































