Um dos maiores produtores rurais do país, conhecido nacionalmente após doar R$ 1 milhão para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022, agora está no centro de um escândalo trabalhista. Oscar Luiz Cervi foi autuado após uma fiscalização encontrar 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fazenda de algodão localizada em Campo Novo do Parecis, em MT (a 390 km de Cuiabá).
De acordo com as primeiras informações, a inspeção efetuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontou um cenário considerado degradante. Os trabalhadores atuavam na lavoura sem equipamentos de proteção, expostos a agrotóxicos e enfrentando jornadas em condições precárias. O grupo também vivia em contêineres superlotados, sem estrutura adequada, enquanto as frentes de trabalho não contavam com banheiros nem espaço apropriado para refeições.

Segundo a fiscalização, os alojamentos eram cercados por grades e arame farpado, com vigilância permanente. Os relatos indicam que os trabalhadores tinham restrições para deixar o local e só receberiam o valor da passagem de volta após completar 45 dias de serviço, situação considerada um forte indício de limitação da liberdade de locomoção.
Os auditores também registraram que aviões realizavam pulverização de agrotóxicos nas áreas onde os trabalhadores estavam e próximo aos alojamentos. Muitos relataram sintomas como náuseas, irritação na pele, falta de ar e queimaduras, reforçando o quadro de risco à saúde identificado durante a operação.
O produtor é fornecedor de grãos para a Bunge há décadas e sua fazenda possui certificações de boas práticas socioambientais. Após a divulgação da autuação, a multinacional informou que pediu esclarecimentos ao fornecedor e afirmou acompanhar o caso enquanto aguarda a conclusão das investigações.
Em nota, o Grupo Cervi afirmou confiar na legalidade de seus procedimentos e declarou que apresentará sua defesa nas instâncias administrativas. Caso a autuação seja mantida, o empresário poderá integrar o cadastro federal de empregadores responsabilizados por trabalho análogo ao de escravo.
Além das denúncias trabalhistas, o nome de Oscar Cervi também aparece em investigações ambientais. O produtor já respondeu a uma ação relacionada a desmatamento e déficit de reserva legal em outra propriedade rural, encerrada posteriormente com a assinatura de um acordo para compensação ambiental e recuperação da área.






























