As chuvas sobre as principais regiões produtoras de café do Brasil impulsionaram as cotações internacionais da commodity nesta segunda-feira (27). O contrato do café arábica com vencimento em setembro subiu 3,43% na Bolsa de Nova York, encerrando o pregão a 324,55 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno, o arábica avançou 2,95%, cotado a R$ 1.725,66 por saca de 60 quilos, enquanto o robusta teve alta de 1,55%, para R$ 1.087,34, segundo o Cepea/Esalq-USP.
O movimento foi provocado pelas previsões de novas chuvas durante a colheita, principalmente em Minas Gerais, maior produtor de café arábica do país. Na semana encerrada no domingo (26), o estado acumulou 32,4 milímetros de chuva, volume cerca de 27 vezes superior à média histórica para o período. A umidade dificulta a entrada de máquinas e trabalhadores nas lavouras, atrasa a colheita e compromete a secagem dos grãos, além de aumentar o risco de perda de qualidade.
Embora as precipitações não indiquem, necessariamente, uma redução da produção, elas retardam a chegada do café ao mercado. Em um cenário de estoques globais reduzidos, qualquer atraso na oferta brasileira aumenta a preocupação dos compradores e sustenta a valorização das cotações internacionais. O robusta também acompanhou o movimento e fechou em alta de 1,12% na Bolsa de Londres.
Até 15 de julho, o Brasil havia colhido 64% da safra 2026, percentual inferior aos 77% registrados no mesmo período do ano passado e abaixo da média histórica de 70% dos últimos cinco anos. No café arábica, o avanço era de apenas 54%, enquanto o conilon já atingia 84%. Entre os cooperados da Cooxupé, maior cooperativa cafeeira do país, os trabalhos alcançavam 47,3% da área, contra 59% no mesmo período de 2025.
Apesar da reação dos preços, a expectativa de uma safra recorde limita movimentos mais prolongados de valorização. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma produção de 66,7 milhões de sacas em 2026, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior. Para os produtores, a alta nas bolsas melhora a referência de negociação, mas o preço final da saca seguirá condicionado à qualidade do café, ao câmbio, à disponibilidade regional e ao ritmo da colheita nas próximas semanas.

















