Para o PT, 2025 terminou com virada e piada interna: “Eduardo era meu Bolsonaro favorito”
Num café da manhã oferecido aos jornalistas para fazer o balanço do ano de 2025, o líder do PT na Câmara fez um balanço otimista do ano, onde viu uma ofensiva progressista nas ruas e até brincou sobre a preferência entre os Bolsonaros.
Por Humberto Azevedo
Em tom descontraído durante coletiva de imprensa na manhã do último dia 16 de dezembro, o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou que o governo Lula chegou ao fim de 2025 numa “ofensiva política”, após um ano de tensões, mas com uma “virada” no segundo semestre.
Em meio à análise sobre a disputa eleitoral de 2026, o parlamentar soltou uma tirada irônica ao ser questionado sobre a família Bolsonaro: “Se o Eduardo [Bolsonaro] não tivesse se enrolado tanto… ele era o meu Bolsonaro favorito”. A declaração, feita em tom de brincadeira, referia-se ao filho do ex-presidente, que está nos Estados Unidos e atuou contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) junto ao governo norte-americano – articulação que levou à imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, majoritariamente retiradas em dezembro.
Lindbergh avaliou que o governo soube “fazer disputa política”, mesmo perdendo votações, e listou os temas que definirão 2026, como o fim da escala 6×1 e a tarifa zero no transporte público. Para ele, o campo bolsonarista está “cheio de problemas” e o PT chega “animado” à pré-campanha.
BALANÇO COM VIRADA

Ao fazer o balanço do ano legislativo, Lindbergh afirmou que 2025 terminou melhor do que começou, com uma “virada importante” após um período de mobilizações majoritariamente da extrema-direita.
“A gente soube atuar”, disse, citando como marco a votação do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), conhecida pela “maior derrota de todos os tempos”, mas que, para ele, iniciou a recuperação do governo no Congresso.
“Aquilo é o marco do início de uma recuperação. Nós fomos para o debate central: a justiça tributária, quem ia pagar a conta, se era o andar de cima. (…) Perdendo votação, mas ganhando um debate na sociedade”, afirmou.
MEU BOLSONARO FAVORITO

Questionado sobre o cenário eleitoral e as pré-candidaturas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lindbergh analisou as “fragilidades” de Flávio e, então, soltou a observação em tom jocoso sobre Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os EUA e fez lobby contra o STF.
A articulação de Eduardo é apontada como uma das origens das tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil, posteriormente relaxadas. Para o líder do PT, a saída de Eduardo do país enfraqueceu o clã.
“Se o Eduardo Bolsonaro não tivesse se enrolado tanto, decidido sair do país, ter feito tudo isso, creio que ele tentaria se colocar como um homem… Ele era o meu Bolsonaro favorito.”
CRIME NO ANDAR DE CIMA

Apontando as prioridade para 2026, Lindbergh defendeu que o combate ao “andar de cima do crime organizado” será tema central no ano eleitoral, citando operações como a do Banco Master e a Refinaria de Manguinhos.
Para ele, há uma “reação” contra o trabalho da Receita Federal justamente porque ela estaria incomodando setores poderosos. O líder petista afirmou que o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) sobre o tema tem “tanta credibilidade” que será difícil de ser desmontado na Câmara.
“O crime não está só na favela. O crime está no andar de cima. Isso faz parte do debate da própria segurança pública.”
ENTREVISTA
Abaixo, segue a íntegra da entrevista coletiva do líder petista ao qual a reportagem do Grupo RDM participou.
Imprensa: Qual o balanço que você faz deste 2025?

Lindbergh Farias: Primeiro deixa eu fazer o seguinte, eu queria fazer um balanço. Porque eu acho que nós chegamos ao final do ano melhor do que entramos, e acho que houve uma virada. Eu acho que houve uma virada importante nesses últimos… E houve uma virada importante aqui, depois desse segundo semestre. Um período de dificuldades, mas também de… que houve uma disputa política grande na sociedade. Eu acho que a gente soube atuar nesse período. No semestre passado, se vocês forem ver, as mobilizações que aconteceram eram todas da extrema-direita. Eram mobilizações da extrema-direita, eram mobilizações soberanas. De lá para cá, muita coisa aconteceu. Teve a condenação do Bolsonaro, teve o Eduardo Bolsonaro lá fora, uma função que levou o desgaste para o campo político deles. Veio a Lei Magnitsky, as sanções, vieram as tarifas. E eu acho que houve uma reação por parte do governo e nossa aqui no parlamento também. A gente jogou um papel, eu acho que aqui, importante. No parlamento, eu e o governo jogamos um papel importante. Um papel de fazer mais a disputa política. Em vez de fazer de conta que está tudo bem, [passamos a] demarcar posição. Inclusive, em determinados momentos, perdendo votação, mas ganhando um debate na sociedade. Eu diria que essa agenda do semestre, vocês depois vão falar sobre relação com o Hugo Motta. Eu nunca tive nenhum problema com o Motta. De forma pessoal. Pelo contrário, eu sou paraibano também. Temos conhecidos. A avó dele é amiga da minha mãe. Tem essas coisas. Eu nunca tive nenhum problema pessoal. O problema de tudo foi a agenda que foi colocada aqui em curso, que não tem jeito. Uma agenda como aquela. A gente teve que demarcar o campo e fazer disputa política. Isso pode parecer uma novidade, porque no último período, eu acho que esse foi o período em que a gente teve, de forma mais nítida, o PT atuando aqui no parlamento. Eu acho que esse ano, com todo o segundo semestre, nós tivemos mais embates. Mas eu falo desse ciclo desde o começo do governo Lula.

E nós fizemos isso porque foi necessário. Por exemplo, a primeira votação que teve isso foi a do IOF. A gente soube da votação da OEF no twitter às 11 horas da noite. Nós fomos para a votação. E a votação foi anunciada com a maior derrota de todos os tempos. A gente não teve 100 votos. A gente teve 98 votos. Mas eu posso dizer que ali começou a virada de jogo nossa aqui no parlamento e também do governo. Aquilo é o marco do início de uma recuperação. Nós fomos para o debate. Era o debate central que estava por trás daquilo tudo. Que era da justiça tributária. Quem ia pagar a conta. Se era o andar de cima. Bancos, Fintechs, Bets. E nós fomos para o embate político. Teve gente que não gostou. Queria que a gente ficasse ali quieto. Faz parte da disputa política. Eu vi o ministro Haddad um dia dizendo para uma pessoa: ‘Pôxa, mas começaram a dizer que o andar de cima é isso’. E o Haddad disse: ‘é engraçado. Quando vocês fazem campanha falando que é taxad, a gente tem que ficar quieto’. A gente escuta aqui a turma falando no parlamento disso. Então, ali foi o começo de uma virada. Teve o presidente Lula jogando o papel de muita altivez na defesa da soberania nacional. Nós tivemos junto com o Supremo um momento em que teve uma pressão muito grande nas instituições democráticas brasileiras no Supremo Tribunal Federal. Acho que o Supremo deu uma resposta importante. Que a cada ação, o Supremo respondia com uma ação mais ofensiva na defesa do Estado Democrático. Mas os problemas continuaram. Depois do IOF teve a urgência da anistia. Outro tema que dividiu completamente o plenário. E não tinha como nós não fazermos uma grande disputa ali naquele tempo. Depois teve a PEC da blindagem. Porque parece que às vezes tentaram vender uma ideia, um problema pessoal. Nós aqui somos muito duros também. É claro que eu vou ser duro sempre para defender as nossas posições. Nós temos um campo político. Nós temos um projeto para defender. Nós temos uma base social. Nós temos uma militância espalhada por esse Brasil inteiro. Da mesma forma que a extrema direita tem. Nós temos que estar o tempo todo dialogando com essa turma. O trabalho nosso aqui no parlamento não pode ser um trabalho só. Tem que ter gente que esteja aqui. Não é um clube de amigos. E a gente que não faça disputa política e social. Depois da urgência da anistia, a PEC da blindagem. Eu acho que foi um momento de grande tensão. Mas… Eu acho que o papel que a gente teve aqui foi um papel decisivo. Inclusive desse líder aqui que fala com vocês. Que a gente teve muita clareza ali. Que não dava para entrar num negócio daqueles. Você sabe que nessa hora… Tem sempre muito argumento do corpo [rativismo]. Um argumento, olha… Nós temos que criar… Um sentimento, uma coisa de proteção para o parlamento e tal. E ali eu acho que foi um momento decisivo para a gente. A gente não entrou no meio de última hora. Até o dia a gente não sabia o que a gente ia ser. Foi na última hora que o PT decidiu.
Imprensa: Então, o que aconteceu?

Lindbergh Farias: Olha, deixa eu te contar. Nós tivemos aquela votação. Foi em uma tarde. Aquele dia. Mas eu quero dizer a vocês que essa articulação vem de antes. Eu trabalhei contra essa PEC um mês antes. Não sei se vocês recordam. Estavam querendo votar numa quarta-feira à noite. Um texto que era um texto completamente absurdo. Era um texto que falava que não podia ter nem abertura de inquérito. Para ter abertura de inquérito, tinha que ter autorização aqui da Casa. Mas não, não foi assim não. Na verdade foi construído o tempo inteiro. E falo aqui que a gente jogou o tempo todo. Conduzi isso tudo. Tinha oposição de diferença aqui na bancada. Eu levei o assunto para o presidente Lula e ele jogou um papel decisivo. Porque tinha gente que achava, que não. Porque nós tínhamos que fazer um trabalho de contenção para manter a relação com o presidente da Câmara, com todo mundo. Ali, eu digo a vocês, foi um trabalho que veio de um mês antes daquele dia. Tinha posições diferentes, por esse entendimento. Mas foi um trabalho que a gente construiu. E que a gente teve o acordo decisivo ali do presidente Lula. Na reta final. Na reta final, aquela reunião que tivemos na bancada, duas horas da tarde. Foi precedida de uma reunião com o presidente Lula. Com a ministra Gleisi, com o presidente [nacional do PT] Edinho, com o ministro Sidônio. E ali o presidente Lula foi muito enfático. O presidente Edinho veio aqui naquela reunião. De forma que, aqueles que votaram contra a nossa orientação, votaram contra a nossa orientação, sabendo que era uma orientação [do partido e do governo]. Ele conseguiu ali amarrar direito. Mas aquilo não começou ali e não estava…
Imprensa: Então, tinha posições diferentes?

Lindbergh Farias: Mas naquele dia a gente tirou a decisão. Mas isso começa muito antes. Eu acho que uma boa parte das tensões que nós tivemos esse ano aqui, foi fruto também dessas operações [da Polícia Federal] que estão acontecendo. Que a gente considera que são operações que têm que acontecer. São saudáveis. São importantes. O ministro Haddad fala muito em combater o andar de cima do crime organizado. E a Receita Federal entrou com muita força em todas as operações. A operação do Banco Master, a operação Carbono Oculto. Nós temos um braço no Rio de Janeiro que é a refinaria de Manguinhos. Tem um outro braço em São Paulo, que é o Beto Louco. Segundo consta, está fazendo delação também. E tem mais aquela outra no Comando Vermelho, que hoje teve um novo desdobramento. Pega o braço dos agentes políticos. Então, tem um clima aqui com vários momentos. Na questão do [Guilherme] Derrit (PP-SP) [secretário de Segurança Pública de São Paulo que se licenciou para ser o relator da PEC da Segurança], a gente está tentando… Essa é uma coisa que vai virar meio… Pode dar certo. Qualquer projeto desse vai ter alguma ideia mirabolante para tentar, de alguma forma, dificultar a ação da Polícia Federal. Eu estou convencido disso. Mas, veja, teve instabilidade, mas as coisas continuaram. Abriu a Medida Provisória, a 303. Também derrotaram. Novamente, quando falava de bancos com fintechs e Bets. Aqui tem uma coisa de Bets. Eu adorei esse relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por vários motivos. Mas o principal é que ele colocou as Bets, um novo tributo de Bets, para financiar a segurança pública. E eu acho que tem que ficar de olho no relatório do Derrite. Porque eu não tenho dúvida que eles estão querendo mexer em muitas coisas que foram avanços [no Senado], que surgiram no relatório do senador Alessandro Vieira.
Imprensa: Líder, o que o senhor achou de ter ficado só para 2026 a votação desta PEC?
Lindbergh Farias: Olha, eu… Eu vou parar aí agora. Só para acabar as confusões do ano todo, eu vou parar aí.
Imprensa: Aproveita e… falando das pautas de corrupção, o balanço geral do governo, teve mais derrotas ou vitórias?

Lindbergh Farias: Aí Nós tivemos essa coisa de ter [MP] 303, que também a gente fez disputa política. Mas deixou um buraco no orçamento grande, que a gente está querendo resolver, agora, no final do ano. Teve o episódio do Derrite que você vê que é uma sequência de coisas. Teve o episódio do Derrite que, de fato, todo mundo foi pego de surpresa, era um projeto do governo, descaracteriza completamente o projeto, e começa com a versão, aquela versão de submeter a ação da Polícia Federal em operações interestaduais aos governadores de estados. Também acho que aí a gente conseguiu reagir. Por fim, teve a dosimetria. Teve depois esse negócio do Glauber [Braga (PSOL-RJ)], que para a gente era um surra, e que foi uma vitória aqui para nós, pessoal. Uma vitória extraordinária. Porque nós ganhamos de quase todo mundo. Aquela votação, 226 a 220, foi uma votação extraordinária. Estava do outro lado pesos pesados, o presidente da Câmara, o ex-presidente Lira, todo mundo atuando ali para cassar o Glauber. E a gente consegue, e a gente fez uma prática naquele dia, uma prática muito interessante. A gente escolheu as pessoas para falarem. Eu com muito conforto, eu falei em determinado momento ali, vocês viram. A gente virou os caras do PSOL também demais. Tem no meu lugar a Benedita [da Silva (PT-RJ)]. A gente fez uma prática ali e eu liguei para o Pedro Paulo (PSD-RJ). Esse é um dado interessante, porque o Pedro Paulo fez aquela defesa que foi fundamental, que foi o que a gente ganhou de seis votos, que foi botar a suspensão e não a cassação. O Pedro Paulo estava entrando no avião. Eu liguei para ele e ele sai do aeroporto e volta para cá. Ele topou fazer uma coisa. Começa um discurso interessante, porque ele diz o PSOL sempre foi o meu adversário. Então eu digo que aquela defesa da Sâmia, mais a defesa do Pedro Paulo, também essa estratégia nossa de ampliar, em vez de falar eu, pedindo a inversão, vamos falar o Pedro Paulo, fez todo sentido.
Imprensa: Agora, deputado, só uma informação. O que convenceu o Pedro Paulo a fazer esse tipo de discurso?
Lindbergh Farias: Eu simplesmente peguei o telefone e liguei para ele. ‘Eu estou entrando no avião’. Eu digo, Pedro, olha, eu estava pensando em você para fazer essa defesa. Ele disse, ‘eu faço, porque eu acho injusto esse negócio da cassação’. Foi simples assim. Não teve grandes coisas não. Ele pega o carro, fez inclusive um gesto que tem muita repercussão política no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, eu acho que a parte dele, inclusive, é muito inteligente também. Eles são lá do grupo político do Eduardo Paes, tem um programa na esquerda, e fizeram um grande aceno, porque não foi um gesto qualquer. Ali que ele fez. Na política é bom quando é bom para todo mundo. Eu acho que para ele foi um momento importante e grande ali. Claro que teve gente que não gostou. Tem a ver com isso. Mas veja, o Lula, o Eduardo Paes são aliados, mas o PSOL não. O PSOL não está definido em nada disso. O PSOL nunca apoia o Eduardo.
Imprensa: E a reforma administrativa também, não é?
Lindbergh Farias: Não, nesse preço a gente sabe quem é que vai pagar para ele. Ele sabe que a reforma administrativa tem muitos problemas com a nossa base, e foi isso. Mas foi um gesto político muito interessante. Foi uma política feita… Mas eu confesso a vocês, quando a gente viu o placar ali, 206 a 220, foi uma comemoração gigantesca. E essa do Glauber eu digo mais. Não virou só Glauber. Isso acabou virando uma vitória do campo [progressista]. Acabou virando uma vitória do governo que corretamente entrou em campo ligando para deputados. Não para oferecer emendas, como disseram, que não tem nem medo. Mas ligando. Era uma questão política. Era um dos nossos… Eu acho que essa… E a gente chega ao final do ano, para entrar no próprio ano, o futuro, com vigor. A gente finaliza o ano com a gente ocupando as ruas, não o bolsonarismo, que está numa defensiva gigantesca. A gente sabe que não é simples o processo eleitoral. As pessoas que estão aí, mas eu posso dizer o seguinte, que nós temos uma… A nossa militância, o nosso campo, chega na ofensiva política. Chega animado. Essa turma que foi para as ruas. E eu acho que o papel aqui nosso é um parlamento conjugado com o do governo. Porque não pensem vocês que eu estava agindo aqui só quando fazia alguma demarcação que era necessária, porque eu falei a pauta aqui para vocês. Não tinha como a gente não fazer disputa política. Mas nós não fizemos isso sem a concordância do presidente Lula em tudo.
Imprensa: Sobre a relação ccom o Motta, você já disse que não é uma questão pessoal, é uma questão política. Como é que o senhor avalia isso?
Lindbergh Farias: Ele quer votar [e votou] o fim do benefício tributário.
Imprensa: Líder, e o senhor voltou a falar com ele? Ele está falando com o senhor? Os senhores têm uma conversa? Tem interlocução?
Lindbergh Farias: Desde sexta-feira [12 de dezembro] ele ficou ligando. Falei ontem. Não é para ser diferente, porque aqui é uma relação política. Não tem essa relação de… Então, o que a gente reclama, dessa questão, é que teve ao nosso fim uma…
Imprensa: O senhor disse que não tem mais condição.
Lindbergh Farias: Eu vou parar tudo aqui. É que teve muitos temas que surgiram, foi meio errado. Temas que surgiram assim, sem programação. A começar pelo IOF. Eu até agora, eu queria entender o que aconteceu naquela história do IOF. No twitter, 11 horas da noite.
Imprensa: Quem participou daquilo?
Lindbergh Farias: Eu não sei. Então, as coisas acontecem meio assim. Então, foi um conjunto de pautas que eu acho que levaram ao clima de muita instabilidade política. Eu volto a dizer, meu problema sempre é com essa agenda que foram colocadas aqui.
Imprensa: E por que não foi possível votar a PEC da Segurança?

Lindbergh Farias: Então, veja, a PEC da Segurança está com vários problemas. Com vários problemas no texto. O [agora ex] ministro da Justiça, Lewandowski, quer muito começar um diálogo ali. E nós temos um problema de financiamentos, o papel da Polícia Federal, tem também recursos do Fundo Social que pode tirar da educação. É um texto muito complexo. Tem a questão da redução da maioridade penal também. Que houve uma posição quase de consenso entre os deputados. Porque aí tem problema com o guarda municipal, tem problema com isso, tem problema com aquilo. O texto virou uma… Tanta coisa. De fato, era muito difícil eu votar um projeto como esse sem estar burilado aqui e agora. O antifacção, o que é que eu sinto? Trago aqui a preocupação. Essa semana a gente estava querendo concentrar o quê? Concentrar nesses temas econômicos, para a gente resolver [o fim dos] benefícios tributários e votar o Orçamento. O que é que eu percebi também da antifacção? Nós vamos defender 100% o relatório do senador Alessandro Vieira, que corrigiu um bocado de distorção que tinha, aprimorou tecnicamente, colocou as Bets, continuou dando um poder grande à Receita Federal em relação a perdimento. E, é claro, e a gente vê isso pelas conversas, e vai ter uma reação aqui da Câmara em relação ao relatório do Alessandro contra o do Guilherme Derrite. Ontem eu estava nessa reunião de líderes e eu até perguntei para ele, ‘você vai ser o relator?’ E ele disse, ‘’não sei de nada’. Eu não sei se alguém quer me dizer, eu não sei, não sei mesmo.
Imprensa: Mas o Hugo Motta, quando falou do antifacção, falou do Derrite. O projeto foi totalmente modificado.
Lindbergh Farias: Então, eu prevejo aí um embate grande, porque tem temas sensíveis ali que a gente não quer abrir mão. A questão do perdimento de bens pela Receita, eu já sinto que é um ponto que eles vão questionar. E esse ponto é um ponto importante, porque a Receita Federal e a atuação da Receita Federal da forma como está acontecendo nessas operações é que vai ajudar a atacar o andar de cima do crime organizado. Lavagem de dinheiro, crime de colarinho branco. E há uma reação a isso. Então esse é um ponto importante que eu prevejo que vai ter. E a questão das Bets também. A gente acha que é uma ótima oportunidade de voltar com esse debate sobre a questão das Bets. A gente sabe que aqui tem reação. Então não entrou o PL antifacção também por isso. Porque com certeza vai ser um tema quente da volta. E eu acho que se eles pautassem um pouco aqui agora, esse tema, sem sombra de dúvidas, ia dominar os debates. E poderia ser que esses temas econômicos que foram votados, de certa forma seriam prejudicados. A lógica do governo, a nossa lógica agora era correr com a aprovação do orçamento e [com o fim dos] benefícios tributários. Agora esses temas são mais do que prioritários para a gente. Eu diria que é votar na primeira semana de fevereiro já em cima desse debate.
Imprensa: Nesse ano eleitoral, é bom abrir para essa questão do crime organizado, do debate?
Lindbergh Farias: Sim, você veja. Eu acho que tem um caminho para a gente aqui. Primeiro é que o combate ao crime organizado, ao andar de cima do crime organizado tem que acontecer. Mas eu acho que tem muitas ações por parte do governo, por parte da Receita Federal, não é nem por parte só da Polícia Federal. É um conjunto de ações que acontece. Eu acho que o nosso discurso para o próximo ano em relação à segurança pública também passa muito por cima disso. Você vai dizer, olha, o crime não está só na favela. O crime está no andar de cima. O crime está no andar de cima. Isso faz parte do debate da própria segurança pública também. Então a gente fala da questão das normas. Já pegou um deputado, foi preso, se apresenta, foi solto. A gente está vendo agora aparecendo um pouco aquele… E tem sempre reação aqui no Brasil. No Brasil tudo que favorece um doméstico, o andar de cima tem reação, não é gente? Não sei, vocês têm que entender. Tem reação para acabar com a operação caborno oculto. Tem reação a essa tal da refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro. Esse cara não tem relação com o Rio.
Imprensa: Líder, mas na cobertura do caso do Banco Master, estão querendo ajeitar lá, não é?
Lindbergh Farias: Não da nossa parte, tá? O que a gente quer é que tenha uma investigação aprofundada em tudo aquilo. O Banco Central foi firme ali no começo. O ministro da Fazenda também. A gente quer que apareça. Para nós é fundamental que apareça isso aí. Esse é um ponto central. Eu diria que essa é a função do governo. Para a gente passar a linha por esse crime organizado tem que ser assim. E a gente não vai tolerar que de alguma forma queiram conhecer a ação da Receita Federal. Eu diria que a Receita Federal, mais do que a Polícia Federal agora, é que está incomodando porque são operações importantes. Essa refinaria de Manguinhos, gente, é impressionante os laços políticos do tal do Ricardo Magro com o jeito da política. Lá no Rio de Janeiro, o governador do Rio de Janeiro nomeou um procurador-geral para defender os interesses daquele que é o maior devedor do estado do Rio de Janeiro. Infelizmente tem isso em outras áreas. O Banco Master tem um desdobramento no Rio de Janeiro que é 1,3 bi. Compraram papel com 1,3 bi sem fundo garantidor. Não tem nem fundo garantidor por baixo daqui. É um escândalo.
Imprensa: Quem estava à frente do fundo?
Lindbergh Farias: Então, eu acho que isso tem dado turbulência política, mas é um caminho sem volta.
Imprensa: Essa discussão para o ano que vem não dá tempo de esfriar o discurso político que o governo está mais fortalecido para bater no andar de cima, e não dá tempo para que o centrão e essas articulações possam ter um projeto diferente, para o plenário, ao projetio da antifacção chegar mais forte?
Lindbergh Farias: Eu acho que esse debate, eu acho que o senador Alessandro Vieira fez um relatório com tanta competência, com tanta credibilidade, que eles vão ter muita dificuldade de desmontar.
Imprensa: Os pontos do antifacção, eles mudam o mesmo artigo da lei de execução penal. Esse adiamento não tem relação com isso também?
Lindbergh Farias: Aqui a gente anunciou isso, viu? É porque esses textos que aparecem na internet, se você dá 24 horas na luz do sol, as coisas vão aparecer com mais clareza antes da votação. Não é correria, mas a gente anunciou isso aqui. Aqui têm sido votados projetos com muitas inconsistências. Esse da dosimetria foi isso. Mas não só esse. Aquele do Derrite, se vocês forem atrás, vocês com certeza saberão dos muitos problemas jurídicos, dubiedade que você deixava, interpretações que você podia ter pela lei de organizações criminosas, ou por outra legislação. Então teve isso. Nós não queremos esse negócio da dosimetria, diminuição de pena do Bolsonaro, acabe assim. Que história é essa? Como é que pode ter uma emenda de redação que suprima? Claro que nós somos favoráveis a suprimir isso. Mas suprimir isso, para mim, tem que voltar para cá. Nós não queremos abreviar a tramitação dessa dosimetria, não. Não faz sentido. Ah, não. Aí passou um projeto desse que é uma desfaçadez, que tenta diminuir a pena do Bolsonaro. Você veja como o Bolsonaro é. Porque ele foi contra essa redução de penas durante todo o período. Ele não se preocupou com aquela turma de 8 de janeiro de forma nenhuma. Aí agora, quando é para ele, fizeram uma conta lá que pode cair para dois anos e três meses o tempo de regime fechado. Aí ele topa. Esse projeto é um absurdo. Para nós é totalmente inconstitucional. Então, eu espero, se acham que estão resolvendo esse caso da dosimetria, só tirando aquilo que está em relação aos outros crimes, na parte da execução penal, para nós não resolve.
Imprensa: No relatório dos benefícios tributários, que vai ter. Poderia entrar alguma coisa que foi aprovada no nosso Senado. Ou tem a alternativa do governo.
Lindbergh Farias: A partir do dia 23 [de dezembro] é um outro exercício, vocês sabem disso. É sempre alternativa. O governo não está antecipando. O governo lançou uma medida provisória. O fato é que esse é um tema muito importante e que a gente quer avançar. Nós não vamos esquecer esse debate. Ou seja, não dá para terminar o ano sem uma medida de taxa majoritária bem diversa. Não dá para terminar o ano. Vai ser por um caminho ou por outro. Eu acho que essa discussão em cima do relatório pode continuar.
Imprensa: O senhor enumerou os fatores de tensão ao longo do ano. Na última sexta-feira, houve a prisão. Uma operação sobre uma ex-assessora do deputado Arthur Lima. O senhor acha que esse será um fator de tensão permanente ao longo de 2026? O senhor defende com o Supremo a inconstitucionalidade da impositividade brasileira?

Lindbergh Farias: O PT tem uma posição de que nós somos contra esse agitamento com o assalto do Poder Legislativo. Essa é uma posição do presidente Lula. É uma posição nossa. Claro que nós vamos viver [isso em 2026]. O próximo ano é um ano eleitoral. É um ano de debate na sociedade. Mas nós temos essa função marcada como uma função nossa. Nós achamos que houve uma concentração muito grande e uma parcela importante do orçamento no Poder Legislativo. Nós achamos isso meio disfuncional. Claro que você tem políticas públicas, organizadas, difundidas pelo Poder Executivo. Eu fui deputado com 24 anos de idade. Fui deputado lá atrás. Fui senador. Eu vivi outro momento. Não tinha isso. Não tinha isso. Isso aqui é disfuncional. Não tem paralelo no mundo de uma coisa como essa. Não é só o orçamento. Essa coisa do semipresidencialismo. Uma coisa avançando. Eu acho que, por exemplo, nessa questão da escolha do ministro do Supremo, o presidente também tem que fazer o seguinte. ‘Isso aqui é prerrogativa minha de indicar o ministro do Supremo. Porque se deixasse, ia ter uma interferência, um agigantamento de outros poderes em relação ao Poder Executivo. Eu não sei o que vai ser feito. Eu acho que em algum momento isso vai ter que ser revisto de alguma forma. Não é algo simples, nem estou aqui dizendo a forma como vai acontecer. Mas é claro que o presidente Lula, que nós, a bancada do PT, temos uma visão diferente em relação a esse processo.

E essa visão já foi expressa muitas vezes. Eu acho que tudo que tiver de investigação, eu acho que tem que ser descontrolado na Casa. Nem sei detalhes do que aconteceu com aquele deputado aqui. Tem que ser investigado. E quem tiver, de alguma forma, responsável em alguma oferta, tem que pagar. Então todas as questões de emendas, sempre passava aqui pela assessoria, por ela sempre era com tudo. Pelo menos na parte que me toca aqui, completamente profissional. As emendas, os deputados são essas, tem que ter prazo até tal para entregar. E ela era uma pessoa que jogava assim, sempre com muita simpatia, com muito profissionalismo. Sempre foi assim que a gente viu. Agora, eu não sei o que tem de investigação aqui. Eu nem sei o que é isso. Não dá pra você dizer o que é. O que eu digo aqui, de forma muito clara, é que eu acho que não pode existir nenhum tipo de blindagem aqui, de parlamentar em relação à investigação. E eu acho que o caminho lá atrás, quando fizeram aquele negócio com [Alexandre] Ramagem, aqui tentaram fazer a PEC da blindagem, aprovaram a PEC da blindagem. Conseguimos derrotar na sociedade. Na verdade, foi isso. O Senado nem colocou para votar. Mas eu fico vendo uma certa antecipação de algumas ações que podem significar, por exemplo, o Gayer. O Supremo abriu uma ação penal contra o deputado Gayer. E aqui trancaram. Tentaram trancar aquele do Ramagem também. Esse do Gayer, é que não pode aceitar que agora comecem a trancar todo tipo de ação penal que existe no Supremo. Nós somos contra esse tipo de coisa. Aquela coisa do Gayer pra mim não soou estranho porque parece uma tentativa de antecipação. Nós vamos trancar tudo daqui para frente?Não é assim. Você tem que olhar a ação penal por ação penal. Então, a gente vai estar sempre defendendo esse princípio aqui. Que todo mundo tem que ser investigado. Que não pode ter nenhum tipo isenção penal. Se estiver mal feito com a emenda e tiver investigação, tem que ser investigado. Tem que ser julgado pelo Supremo. Mas quem está fazendo as emendas tem que ficar defendendo. Por que as emendas faltam a metade? Por mais inusitado que isso possa parecer.
Imprensa: Você acha que essa discussão não pode contaminar e colocar a política contra o Supremo?
Lindbergh Farias: Como eu falei aqui, isso é sempre uma discussão histórica aqui do presidente Lula, do PT. Nós temos metade do orçamento das despesas discricionárias de emendas parlamentares. Houve um agigantamento naquele período do Bolsonaro e que você colocar de novo dentro da caixinha não é uma coisa fácil, fácil politicamente. Não é uma coisa simples isso aqui. Eu não sei como. Eu acho que em algum momento da história isso vai ter que ser corrigido. Agora não sabemos, não é fácil dizer qual é o caminho. Mas essa foi a posição. A posição histórica, a posição do presidente, a posição nossa. Você viu que na última campanha o presidente fazia muita crítica ao orçamento secreto nas últimas eleições. Então essa é a posição histórica nossa.
Imprensa: Líder, falando um pouquinho de 2026, o governo já deixou muito claro que uma das principais pautas, inclusive olhando a eleição, vai ser o fim da escala 6 por 1. O Senado inclusive aprovou uma proposta na CCJ determinativa para vir para cá e aqui tem uma proposta também circulando. O senhor vê espaço e abertura com a cúpula da Câmara para se discutir esse tema, para avançar nesse tema, quem sabe uma aprovação até meados de junho, mais ou menos, que é quando o governo trabalha.

Lindbergh Farias: Eu vejo sim. Agora eu fiquei respondendo as perguntas de vocês, mas retomando um pouco, eu acho que o governo chega bem ao final desse ano. Chega em uma ofensiva política, chega com a nossa militância animada, que foi para as ruas. Vejo eles em uma defensiva política grande, a prisão do Bolsonaro, a dificuldade de terem alternativas, a disputa entre o Tarcísio, Flávio Bolsonaro, quem seja. E vejo o seguinte, nós vamos começar o mês de janeiro com um grande impacto nas pessoas, que é a isenção do imposto de renda, o primeiro mês de isenção do imposto de renda. Isso é mais dinheiro na mão do trabalhador. E nós vamos entrar com duas pautas muito fortes, que é o fim da escala 6 por 1, que está crescendo, e a questão tarifa zero, que nós queremos também. Esse é um tema que tem vários estudos sobre viabilidade financeira. São pautas que têm a ver com a vida das pessoas, a vida real das pessoas. Essa isenção do imposto de renda para quem ganha 5 mil reais, vai ser um 14º salário. O cara vai sentir a cada mês. Isso vai ter um impacto político grande. Então, a gente está achando, sinceramente, que a gente chega nesse final do ano, na ofensiva política, com o Lula bem condicionado, com eles vivendo uma crise que não é uma crise simples. A crise do bolsonarismo, essa coisa do Flávio e do Tarcísio, é uma coisa real, porque tem um setor, não é preciso ser muito… Tem setores ali da família do Bolsonaro que saberiam que se o nome escolhido fosse o Tarcísio, de fato, qualquer marqueteiro, o centrão, a turma, ia querer esconder o Bolsonaro. Acho que a família tem clareza disso também. Então, eles estão cheios de problemas, do lado de lá. Estão cheios de problemas, e a gente está na ofensiva, vamos em cima dessa escala 6 por 1. Já tem empresas, várias empresas, cada dia uma coisa nova que surge, por decisão própria da empresa, mudando a escala. Então, essa coisa está mudando com muita velocidade, e a gente vai querer colocar para votar esse projeto. E colocando para votar esse projeto, é muito difícil que o plenário da Câmara se posicione o contrário.
Imprensa: E além da política, a economia. Os juros estão nas alturas, e hoje o Banco Central é comandado por um nome que foi indicado pelo presidente Lula. Como é que o PT vai lidar com isso eleitoralmente? Porque antes o governo criticava o Campos Neto. O senhor defende que o PT se posicione decepcionado com o Galípolo, ou o PT vai precisar defender a atuação do Galípolo?
Lindbergh Farias: Olha, vocês sabem da minha posição sobre política monetária, inclusive eu fico vendo muita gente falando sobre a dívida pública, que cresce e cresce. Gente, o déficit foi de 11 bilhões. O problema é que o pagamento de juros foi de um trilão. É uma maluquice. Isso o mercado financeiro não gosta de fazer no debate. Ah, tem que ter a justiça. É sempre no lombo dos pobres, da despesa, dos programas sociais. E não mexem nisso. Eu tenho uma preocupação muito grande de isso bater na economia. A gente está conseguindo ter um mercado de trabalho aquecido. Isso aqui é algo… Como é que a taxa de juros não desce? Nós estamos com o menor desemprego de toda a história. 5,6%. Porque sempre tem uma preocupação, quando você fala dos juros, de desacelerar muito a economia. Então, se o presidente Lula tem criticado, tem ministro criticando, o ministro Haddad criticou, a gente critica esse patamar de juros agora. Então, não sei se vai ser um tema eleitoral tão forte, porque vai começar uma queda substancial nesse ano. E, graças a Deus, eu não vou não ver essa taxa de juros, a bater na atividade econômica. Porque deu uma desacelerada assim, mas não bateu no emprego. Então, isso era a grande preocupação que a gente teve. Sempre que falava, a discussão toda, falava sobre isso. Mas eu acho que até o processo eleitoral, o debate é outro, viu?
Imprensa: Mas eu quero aqui registrar, que tem uma questão. Ela começa a valer no ano de 2025, mas o impacto vai ser na declaração em 2026, não é? Isso, você falou que vai ter um impacto político na vida das pessoas, mas explicando para elas, a declaração vai ser só no outro ano, não é isso?
Lindbergh Farias: Não, porque a pessoa já vai pagar menos imposto de renda.
Imprensa: Tive esse sentido. Mas quem faz as declarações, eu não entendi.
Lindbergh Farias: Começa agora.
Imprensa:. O senhor falou de eleição, um pouco no Rio de Janeiro, eu queria abordar esse assunto. São duas perguntas. A primeira é que eu queria saber como você julga esse caso do TH Joias? E como isso deve impactar a eleição no Rio de Janeiro? E a segunda seria se você considera que a candidatura do Flávio Bolsonaro à Presidência poderia ser considerada ‘fake’, já que o Carlos Bolsonaro aparentemente pretende manter a candidatura ao Senado por Santa Catarina?

Lindbergh Farias: Não, eu acho que essa questão do TH Joias é importante, porque no Rio de Janeiro sempre se dizia, e no Brasil, viu? Atinge o andar de cima do crime organizado. Todo mundo sempre soa aqui em relação ao tráfico de drogas, que só prende e pega o cara da favela. Cadê os cabeças desse negócio? Cadê os grandes operadores desse sistema aí? É isso que deve aparecer. Nós estamos vendo isso com o deputado. Vai aparecer mais coisa. Essa operação é uma operação que nunca houve, na verdade. Que devia ter havido dessa forma. Você sabe que as Polícias Militares, a segurança pública, a Polícia Militar Brasileira, é uma jabuticaba. Só tem ela no mundo. Porque é uma polícia que não investiga. Ela só faz o policiamento ostensivo na ponta. E esse tipo de coisa é uma maravilha por andar de cima mesmo. Porque você vai lá na ponta, você faz a guerra na ponta, e você não faz investigação muito forte em relação a andar de cima do crime organizado, das facções, das drogas e das milícias. Agora, tem essa ADPF que está com o ministro Alexandre Moraes, e está com a Polícia Federal. Eu estou muito esperançoso que tanto isso quanto as milícias, a gente consiga no Rio de Janeiro, talvez tenha um impacto na política muito grande, mas varia um pouco esse negócio da política. Quanto à candidatura do Flávio, porque o próprio Flávio se auto-sabotou, naquele domingo [14 de dezembro], naquela entrevista que ele tinha um preço ali. Mas eu entendo a lógica da família Bolsonaro, que é uma lógica, eles sabem se retiram o nome se retiram o nome Bolsonaro, esse vai virar um não-assunto na eleição. Agora, o Flávio tem fragilidades. O Flávio não é dos mais corajosos do mundo. Ele tem fragilidades, tem sua história, vocês sabem aqui. Eu não sei se vai ter um fim, mas eu não sou tão assertivo de dizer que é fake, porque tem uma lógica. Se o Eduardo Bolsonaro não tivesse se enrolado tanto, decidido sair do país, ter feito tudo isso, creio que ele tentaria se colocar como um homem dos Bolsonaros. Eu ia fazer uma piada aqui, mas não posso fazer. Ele era o meu Bolsonaro favorito.
Imprensa: Falando da eleição de 2026, eu queria fazer duas perguntas. Primeiro, em certo lugar, escala-se o volume da Tarifa Zero. Vai ter alguma proposta, seja essa ou alguma outra, que vai ser levada pelo partido? Como foi a realização do IR? Como a principal proposta de campanha? Algo para ser realizado nos quatro anos? Porque o IR foi prometido na campanha de 2022. Então, o que vai ser o IR na próxima eleição, se vai ter alguma proposta com esse peso? E a segunda pergunta, sobre a questão do Flávio e do Tarcísio, hoje o partido trabalha com qual cenário? Com qual dos dois? Tudo bem que o cenário pode mudar, mas hoje o partido trabalha com qual cenário?

Lindbergh Farias: Olha, em relação a 6×1, Tarifa Zero, o Gilmar Tatto pode falar, é importante, ele tem conversado com o presidente Lula. Em relação à 6×1, o Ivan da bancada nossa aqui apresentou um projeto que não é necessário PEC. Esse é um debate que todo mundo se pergunta. Como que não é necessário PEC? Não é necessário PEC para aprovar esse projeto. A redução da jornada não é necessária PEC. E a gente apresentou um projeto aqui, tem vários projetos. Pode ter até uma iniciativa do governo, tem um que vai ser votado amanhã, na comissão, na CETRAB, que vai ser relatado pelo Léo Prates (PDT-BA), que já é oprimeiro que a gente está vendo. Então aqui são várias propostas que têm tramitação, mas a gente vai vendo, o governo está decidido a colocar isso como prioridade. Foi um processo, isso tudo que aconteceu. Mas tem essa decisão. Então pode ser um projeto como esse, pode ser que depois tenha uma iniciativa do próprio governo. Então não tem um roteiro ainda bem determinado. Houve uma reunião que a ministra Gleisi fez com todos os autores de projetos em relação à escala 6 por 1, foram lá vários autores, ou seja, é muita gente, é um tema que está crescendo, é um tema que a gente quer pautar e votar no próximo ano, que a gente vai forçar. E sobre a disputa Flávio e Tarcísio, a gente torce pela briga, no caso. Pronto, mais confusão. A gente está preparado para qualquer um dos cenários. Eu vou dizer uma coisa para você. Os números da economia, quando eu falo que a gente chega na ofensiva econômica no final do ano, e os números que a gente tem, são números impressionantes. São o número de menor taxa de desemprego da história, a menor inflação, se você discute os quatro anos, desde o Plano Real, estamos também com a maior renda da história, R$ 3.500, a maior renda da história. Tivemos uma… uma saída da pobreza, uma redução da pobreza, da pobreza extrema, que eu nunca vi, isso é uma coisa impressionante. Então tem uma melhora na vida do povo. Tem programas extremamente populares. Esse da energia elétrica também para os mais pobres, para quem consome até 80 quilowatts, se não me engano, tudo isso foi de muito impacto. Então tem uma coisa aí por baixo que é do povo trabalhador, uma sensação que eu acho que é uma sensação positiva nesse sentido. Então a gente está preparado para quem… Nós fizemos mais disputa política, como eu falei aqui para vocês, a disputa política é importante. Você tem que ficar disputando no dia a dia. Então eu acho, sinceramente, que o Lula é o franco favorito para essa eleição e nós estamos preparados para enfrentar o Tarcisio ou Flávio Bolsonaro ou quem for. Eu acho que a gente sai no cenário muito… de muita vantagem do presidente Lula. E acho que esse semestre foi um semestre para a gente decidir muito bom.
Imprensa: Líder, em 2026, tem uma onda da direita que envolve vários países da América Latina. Esse fato, vocês estão analisando de que forma pode impactar na candidatura do Lula da Silva em 2026?

Lindbergh Farias: Olha, eu não considero assim… Aqui na América Latina, está acontecendo movimentos diferentes, país a país. Não é uma onda só da direita que está aqui surgindo. Na América Latina acontece muito isso. Já tivemos uma onda de esquerda, tivemos onda que ganha em alguns países partidos de esquerda, outros mais a direita. Eu não diria que é uma onda uniforme de vitória de candidaturas de direita em toda América Latina. E acho que aqui no Brasil a direita está se enfraquecendo. A extrema-direita enfraqueceu. A anistia, pessoal, só para lembrar vocês, a anistia hoje é rejeitada por mais de 60% da população. Cadê as mobilizações aqui, por exemplo, da turma do Bolsonaro que dizia… Eles estão fazendo mobilizações. A gente, quando tinha o Lula na prisão, fizemos mobilizações maiores do que essas que eles estão fazendo. Então, eu não considero que é um movimento de direita uniforme em toda América Latina que vai aqui chegar no Brasil. Eu diria que essa onda aqui no Brasil já passou com mais força. Eu estou vendo o presidente Lula tocar muito várias pautas. A questão da violência contra a mulher. Inclusive, meio que chamamos a uma responsabilidade por isso. Eu acho que essa vontade é a vontade que ele deve levar para a campanha. E aí, tocando na questão da igualdade de gênero, há uma lacuna muito grande da classe política brasileira, inclusive no PT, na defesa da paridade. Apesar do PT ter a paridade nas suas instâncias de direção. Mas foi conseguida como uma luta muito grande.
Imprensa: E aí, eu queria saber se esse ponto, se o PT vai ter coragem de propor a paridade de gênero na próxima eleição. Porque é uma questão de empoderamento feminino e também toca na questão de gênero, modificando uma relação de poder. De poder e de opressão. Então, eu queria saber se o PT teria condição hoje, por exemplo, de levar para o presidente Lula essa proposta. E aproveitando isso, a resolução do PT fala exatamente nisso em uma reforma política. Qualquer condição de fazer uma reforma política que tenha esses termos também. A questão da paridade que modificou o México.
Lindbergh Farias: Como? Que modificou a correlação de poder no México. Mas, eu não sei como é a paridade do México.
Imprensa: Está na lei. É obrigatório. Está na lei hoje. Deputados, senadores, Poder Judiciário, Executivo.

Lindbergh Farias: Olha só, deixa eu falar uma coisa. O presidente está chamando hoje uma reunião no Palácio com o Supremo, com a Procuradoria para discutir justamente o feminicídio. Acho que o presidente está agindo de forma muito clara em uma reação da sociedade. Eu acho que o presidente acerta muito em pautar isso. Você sabe que nos nossos órgãos de direção [do PT] existe paridade em tudo. E o presidente tem esse compromisso. Agora, eu não sei como é que, em relação com a relação de força com a reforma política, essa é a função histórica do PT. Mas eu não vejo aqui, com relação de força, que a gente consiga aprovar um projeto a lá México. Eu acho que é um processo mais continuado. A discussão sobre reforma política é uma discussão que está sempre presente. É uma necessidade de ser feita, mas ela entra de forma, às vezes, atravessada. Eu tenho um projeto aqui sobre… Não é nenhuma reforma política mais geral. É sobre o voto distrital misto, que está relatado pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE). Nós temos até uma posição contrária à forma como ele quer apresentar esse projeto. Nós queremos fazer o debate. Mas nós achamos, sim, que o tema da reforma política tem que ser um tema… Eu não diria para 2026, mas seria um tema central para o próximo período. Para 2027, para ser discutido em uma campanha eleitoral. Porque nós temos que mexer. Aí é uma discussão sobre reforma política e também sobre um pouco o equilíbrio dos Poderes. Que também não é algo simples. A gente vê muita disfuncionalidade nesse debate. E eu não tenho dúvidas que tem que ser um debate para o próximo período. Para esse próximo ano, pessoal, eu vou dizer uma coisa a vocês. É um ano eleitoral. É um ano que a gente não vai querer acionar tanto o parlamento. Eu acho que só em temas que são decisivos. Nós colocamos um aqui que é o seis por um. Colocamos tarifa zero. Mas não temos muita ilusão de que é um ano que a gente vai ter muito a mais de manobra para aprovar projetos de todo tipo. Nem é nosso interesse. Então a gente só vai mandar para cá. Estou falando nisso porque participei de uma reunião. Projetos que são extremamente necessários. Porque a gente sabe que o ambiente eleitoral vai estar tomando conta da disputa. Para falar a verdade, já tomou nesse semestre. Teve movimentação do Tarcísio por trás do IOF. Por trás da derrubada da MP 303. Negócio de anistia. Já teve. Esse foi um semestre que a questão política eleitoral já teve muito presente. Na nossa avaliação a gente soube responder de forma apropriada e venceu.
Imprensa: O senhor acha que o ministro Hadda vai ser o seu dispositivo eleitoral? O Haddad deve jogar nesse papel. Ele diz que não quer disputar eleição. O Sr. defende que ele seja candidato?

Lindbergh Farias: Ei, como é que é? Gilmar [Tatto] sai dentro. Sai, sai. Jornalista é meu melhor amigo. Eu vou transferir para o Gilmar Tato, que é da Institutiva Nacional do PT. Que é da Executiva Nacional do PT. É vice-presidente, não é, Gilmar? Olha, o Haddad é um dos quadros. Você sabe que no começo aqui, você lembra que eu tive divergência no arcabouço. Tive, porque eu, e era minha opinião, continua sendo minha opinião. Mas eu acho o ministro Haddad um quadro extraordinário. O que ele está conseguindo fazer nesse debate sobre a questão tributária é um feito na história do país. É um ministro que tem tantas qualidades. E acho que a Receita Federal está inovando também agora com a condução dele. Esse projeto em relação ao que o governo levou para o combate, a vontade de estar em cima do crime, cooperação em relação a isso, eu acho que foi muito bem elaborado. Eu acho que eu andei com ele nas principais iniciativas do governo. E eu acabo esse ano, eu encontrei ele em São Paulo, encantado com o Haddad. Com a atuação, com o papel dele. É um dos maiores quadros que a gente tem. É um quadro extraordinário que a gente tem. E ele vai ser usado, trabalhado, usado. E, claro, tem sempre o que ele prefere, o que eu preferiria. Mas, com certeza, ele é uma peça eleitoral para a gente muito importante. E o presidente Lula, com certeza, deve ter um plano na cabeça dele para o Haddad.

A eleição de São Paulo é uma eleição muito importante. Nós vamos ter que ali disputar com um nome forte. Mas isso é o tipo de coisa que quem vai decidir é o presidente Lula no diálogo. É assim que funciona, aqui, também, o povo. Não adianta dizer, vai ser o presidente Lula que vai conversar com o Haddad para discutir o papel dele no próximo período. Eu só posso dizer uma coisa aqui. Nós não podemos nos dar o luxo de não ter o Haddad disputando o processo eleitoral. Porque a gente vai ter que ir com toda a nossa força. Então, aqui, não é qualquer coisa. E o Haddad é uma das maiores forças que a gente tem. Já falando demais, não é? Eu só não consigo ver o ministro Haddad sem disputar o processo eleitoral. Porque ele é importante. Ele é importante para o projeto. Ele é importante para o Lula. Ele é importante para a democracia. Porque a gente sabe que não pode ter retrocesso nesses próximos quatro anos. Pessoal, vamos fazer umas últimas perguntas aí. Se você perguntar para mim se eu estou disposto a concorrer. Me dá uma preguiça. Não é só preguiça. É barra pesada a campanha. Pelo amor de Deus, o cara vai. Você não tem noção. A Gleise é ministra, não precisa de gente. É claro que… Nós estamos agora em dezembro. O cara fica fazendo… Mas no ano que vem, entra. A eleição vai chegando. E vai assumindo o comando uma prioridade que é salvar o país. Para essa extrema-direita não voltar a governar esse país. Isso é que vai presidir a ação de cada um de nós mais à frente. Então é natural, eu entendo, uma preguiça no momento. Mas mais à frente vai ter a decisão. E o Lula vai organizando o palanque dele. Olha, tem uma coisa que eu posso dizer para vocês. Que me dá tranquilidade. São os resultados da economia, as coisas estão indo bem. A gente foi bem nesse final do ano. Mas nós temos uma outra coisa que me dá tranquilidade. A diferença de nível. Nós já disputamos a eleição com a concorrência muito preparada nesse país. Tinha uma turma muito preparada ali dentro. Eu me refiro aos tucanos. Os tucanos tinham uma coluna de quadros, pessoal. Era fogo a disputa. Era o Fernando Henrique, era o Mário Covas, era o José Serra. Era o Aloysio Ferreira. Era uma turma alta. Que tinha estofo. Que tinha estofo para disputar. E eu fico vendo o Lula. Deixa eu te contar. O Lula está com a cabeça a mil. O Lula é o estrategista. E eu fico vendo quem está do nosso lado e do outro lado. É muita confusão. Eles fazem muita atrapalhadas. A pauta aqui que eles conduziram esse mês, de olho na eleição, foi uma pauta de atrapalhadas. Então eu fico vendo ali. Eu não consigo ver do lado de lá. E não quero subestimar os adversários. Mas um núcleo de inteligência estratégica capaz de superar um cara com raciocínio, com a capacidade política do presidente Lula, eu acho que nós temos uma disparidade muito grande a nosso favor nesse caso.
Imprensa: Diante do comportamento do Hugo Mota em 2025, o senhor acha que ele vai ter condição de eleger o pai dele ao Senado, numa chapa, ao lado do PT, na eleição? O acordo está mantido ali?
Lindbergh Farias: Não, ali tem uma questão que tem que ser resolvida. Porque ali tem três candidatos no Senado. Tem o Veneziano [Vital do Rêgo (MDB)], que apoia o presidente Lula. Tem o governador, que vai ser candidato ao Senado. Tem agora o nome do Nabô, que é o pai do… Olha, tudo vai depender muito dele, do processo por onde ele queira encaminhar. É claro que chegamos ao final do ano com a relação desgastada com a base social nossa. Isso aqui é natural. Todo mundo sabe disso. Não tem jeito. Com a turma, inclusive, lá na Paraíba. Se isso vai ser refeito, reconstruído, depende muito das ações também aqui. Depende muito das ações aqui. De por onde ele vai. Esse tema da dosimetria, por exemplo, vai voltar ao plenário? Porque o presidente vai vetar. Volta. Se volta, é mais atrito. É mais esgarçamento. Então, na história, eu não tenho muita certeza de dizer, olha, hoje está ruim a relação. Hoje está muito ruim a relação. Hoje, se fosse hoje, o Veneziano na Paraíba, não tem. Porque o cara não ia voltar. Ninguém sabe como é que vai ser daqui pra frente.
Imprensa: Líder, na cerimônia do IR, o Lira chegou a falar até do quarto mandato do Lula, já naquela cerimônia do IR. Como é que o Lira é considerado hoje? Como é que ele é considerado pela base governista? Dá pra chamar de companheiro o Lira, já?
Lindbergh Farias: Vai depender lá de agosto. Os estados são muito complicados. Agora vai ser muito isso, gente. Agora é hora muito dos palanques. Inclusive, nessas coisas do governo, eu acho, sinceramente, que para estar dentro do governo tem que estar complementando com a eleição do presidente Lula. Então, qualquer modificação que exista tem que ser dentro desse critério. Então, vai depender muito lá. O Lira quer ser senador? Não tenho dúvida que ele poderia estar do lado de cá. Se tivesse vaga, como é que faz tudo isso? Não é uma operação simples. Lá tem o Renan Calheiros. Lá tem o JHC, que diz que não vai ser.
Imprensa: Tem a mulher do JHC?
Lindbergh Farias: Hein? É, mas o problema maior não é aí, não. É se o JHC entra em cena. Se a esposa do JHC entra em cena. Então, são cenários completos que vão levar. Podem levar algumas figuras, como essa que está do nosso lado. Ou podem levar, claramente, a estar do lado oposto. É por isso que no próximo ano não é ano de ficar inventando muita moda aqui na Câmara. Entendeu? A gente tem que ir com os temas de segurança no começo, mas não é um ano de ficar mandando muita coisa para cá.
Imprensa: Deputado, você falou mais cedo sobre o segundo semestre, os conflitos que teve, e até os momentos que o governo perdeu. Perdeu e achou que saiu como vitorioso. O senhor diria que o presidente tem gostado de antagonizar com o Congresso? Faz bem para o gosto dele?
Lindbergh Farias: Não, o presidente, mais do que ninguém, sabe fazer disputa política. Fez isso a vida inteira. E houve uma decisão combinada do parlamento e dele, em temas que são muito caros. Não são temas secundários. Todos esses temas que eu falei aqui são temas, para a gente, muito importantes. E o presidente fez sim a disputa política. E eu acho que nós vencemos a disputa política. Eu acho que quando teve uma aliança aqui do Bolsonaro com a parte desse centrão aqui, quando eles se juntam para fazer algumas propostas dessas aqui, acho que a gente ganhou o debate. Ganhou o debate na sociedade. Ganhou o debate político. E estamos chegando ao final do ano com esse sentimento. Aquela última passeata no domingo passado [7 de dezembro] não foi nem alta. Aquela outra era contra a blindagem, tinha mais força. Mas você via claramente a nossa turma satisfeita, feliz ali. Acabou sendo uma vitória também importante pra gente. E a gente acaba o final do ano dessa forma. E o presidente também sabe fazer essa disputa política. E é necessário que as pessoas aqui entendam que essa disputa política é natural. O ministro vai dar a vista, como eu falei pra vocês. ‘Quer dizer que podem me chamar de taxad e eu não posso dizer que estão querendo beneficiar o andar de cima. Não estão querendo fazer o jogo das Bets, das Fintechs, dos bancos’. É que eu acho que tem uma certa visão aqui. E alguns estão meio mal acostumados. A gente não podia se defender, a gente não podia falar. É como se eles pudessem fazer tudo, e a gente votar e ficar quietos. Não. Chega, definitivamente, esse padrão que foi estabelecido agora Só vai ganhar força nesse próximo ano em 2026. Em 2026, vamos lá, é disputa política na veia. É o processo já chegando.
Imprensa: Eu sei que o principal debate é o ano de 2026, eleição de 2026. Mas caso o Lula seja reeleito, vai haver uma diferença entre o atual governo e o outro. Porque ele não vai ter mais essa perspectiva de continuar no governo. Vai começar em 2026 a partir do que o governo que ganha, saber quem é que vai sucedê-lo. O senhor vê possibilidade que o próximo governo, sem essa perspectiva tão clara de poder, tenha uma diferença a ponto de enfraquecer o governo que vem? E se o senhor vê quais lideranças estão disputando para sucedê-lo?
Lindbergh Farias: Olha, deixa eu te contar. Eu acho que o Lula está no melhor momento dele. Ele está num momento de muita coragem pessoal. Está querendo fazer coisas para a história. Eu não vejo essa coisa de entrar no governo. Ele tem que fazer coisas para a história. Ele está mais ousado. Eu estou achando que ele está num momento… Eu também não vejo dessa forma. Eu acho que vai ser um governo que tem que seguir com a reatualização do programa para esse novo período da história. Então, eu acho que ele vai ser… Eu tenho visto o presidente cada vez mais atuar de forma firme, ousada, corajosa. Então, eu acho que isso vai ser a marca desse outro governo. Eu acho, inclusive, deixa eu só entrar num aspecto. Eu estou acompanhando à distância essa discussão que vai vir para cá sobre os processos de impeachment. Toda essa discussão que foi aberta com o ministro Gilmar. Eu sou um PHD. Eu vou tentar ser relator de alguma coisa desse projeto que vai vir para cá. Porque eu sou PHD de impeachment. Eu vivi…
Imprensa: É verdade. Começou cedo.

Lindbergh Farias: Vamos lá. Comecei cedo. Isso é verdade. Eu vivi o impeachment. Olha os detalhes aqui. Eu fui um dos autores do período do impeachment. Foi a UNE, a OAB, a ABI, ali em 1992. Vivi aquilo. Depois vivi, dramaticamente, aquele em que foi vítima a presidenta Dilma Rousseff. Você sabe que o Brizola demorou a entrar naquele processo do impeachment do Collor. E ele dizia para mim uma coisa. Ele só entrou depois. Ele dizia uma coisa que eu dou razão a ele. Porque ele viveu todo o período antes da tentativa de golpe contra o Getúlio, o Lacerda, Juscelino teve uma tentativa, teve um golpe preventivo, contra-golpe preventivo do Marechal Henrique Teixeira Lott, para ele assumir o governo ali, o Juscelino. Ele tinha vivido tudo aquilo. Eu acho que é um instrumento importante, mas eu sou contra. Eu acho que nós temos que ter critérios rígidos. Quem viveu a história, quem defendeu um impeachment e foi contra outro impeachment. Eu acho que a gente tem que ter muito cuidado em você fragilizar, flexibilizar demais. Porque você pode aumentar o grau de crise institucional no país. Eu estou vendo lá o relator agora querendo dizer que pode ser diminuição do mandato, outros formas. E eu vou dizer aqui de quem viveu o momento da história, inclusive. De quem viveu aquela coisa de Collor e do outro, que a gente tem que ser muito rígido. Porque eleição é eleição. Aquele caso do Collor unificou o país inteiro. Ali, independente de quem pedisse, PGR, era uma coisa que… Sabe unanimidade? Mas é muito grave, gente, de certa forma, vulnerabilizar um instituto como esse, fragilizar um instituto como esse. Porque não creio que seja o melhor caminho a gente apostar nisso aí. Também, da mesma forma, eu entrei numa bola muito dividida para defender a Dilma, em relação à questão dos ministros do Supremo. Porque, senhores, deixa eu falar uma coisa. Existem cláusulas pétreas. O Estado Democrático de Direito é uma dessas cláusula pétrea. Não é natural você fazer campanha para o Senado dizendo que vai ter uma maioria eventual, no Senado, para fazer impeachment de ministro do Supremo, por conveniência política. Eu não acho. Nesse sentido, eu disse que a decisão do ministro Gilmar Mendes, eu fiz um tuíte lá, me pareceu uma decisão do Marechal Lott, que lá atrás fez um contra-golpe preventivo. Eles estão dizendo que querem dar um golpe ali. Não acho natural a gente achar isso e não fazer nada do ponto de vista da legalidade. Mas esse é um debate muito sério que tem que ser feito. Espero ter muita prudência por parte do Senado Federal. Mas ao vir para a Câmara, esse tema vai vir para a Câmara, com certeza. Eles estão querendo votar isso amanhã lá. Só a última coisa aqui para vocês.






























