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Convenção do Progressistas de SC revela maturidade eleitoral, preserva a unidade e adia o debate sobre o Governo

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A convenção estadual do Progressistas de Santa Catarina, realizada nesta sexta-feira, cumpriu todas as etapas previstas no calendário eleitoral. Homologou candidaturas, aprovou a coligação com PSD, MDB e União Brasil e confirmou Esperidião Amin como candidato à reeleição ao Senado. Mas, para quem acompanha a política além dos discursos, o principal fato da noite não esteve nas decisões oficiais. Esteve no ambiente.

O Progressistas apresentou um partido organizado, disciplinado e com um objetivo absolutamente definido. Ao mesmo tempo, deixou evidente que sua principal divergência interna permanece existindo, mas foi cuidadosamente administrada. E talvez tenha sido justamente essa a maior demonstração de maturidade eleitoral da convenção. Mais do que resolver diferenças, o partido mostrou que aprendeu a conviver com elas.

A prioridade tem nome

Quem entrou na convenção esperando definições sobre a disputa ao Governo do Estado saiu com outra certeza: o Progressistas foi à convenção para lançar sua campanha ao Senado. Todo o restante tornou-se secundário. A homologação da nominata, a aprovação da coligação e os discursos convergiram para um único propósito: transformar a reeleição de Esperidião Amin na prioridade absoluta da legenda, ao lado do fortalecimento das chapas para deputado federal e estadual.

Foi exatamente essa a linha construída pelo secretário nacional Aldo Rosa, um dos principais responsáveis pela articulação que conduziu o Progressistas até este momento. Sua fala foi muito além do protocolo. Ao repetir que existem causas maiores do que projetos individuais e que o compromisso de todos deveria ser com o fortalecimento do partido, falava sobretudo para dentro da legenda. Não buscava eliminar diferenças, mas organizar a convivência entre elas. Não por acaso, a expressão maturidade eleitoral foi repetida por diversas lideranças durante a convenção. Era exatamente essa a mensagem que o Progressistas pretendia transmitir.

Essa disposição em torno de Esperidião Amin também carrega um componente institucional. O partido reconhece no senador uma de suas maiores lideranças nacionais, protagonista de uma trajetória que ajudou a consolidar o Progressistas no cenário político brasileiro e acumulou serviços prestados a Santa Catarina e ao país. Sua reeleição foi apresentada como um projeto do partido, não apenas pela história construída por Amin, mas pelo entendimento de que sua permanência no Senado mantém o protagonismo político da legenda em Brasília.

O silêncio mais eloquente da noite

O fato político mais relevante da convenção foi justamente aquele que não aconteceu. Depois da homologação da coligação com PSD, MDB e União Brasil, seria natural que a candidatura de João Rodrigues ao Governo ocupasse espaço nos discursos. Não ocupou.

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Esperidião Amin não pediu votos para João. O secretário nacional também não. Nenhuma das principais lideranças levou o debate para esse campo. Não foi uma omissão, mas uma decisão política.

Esperidião conhece profundamente o Progressistas catarinense. Sabe que uma parcela significativa dos prefeitos, vereadores, ex-prefeitos, deputados e lideranças municipais da legenda mantém proximidade política com o governador Jorginho Mello. Muitos construíram alianças regionais sólidas, outros participam do governo e há aqueles que enxergam na continuidade da atual gestão o melhor caminho para suas regiões. Transformar a convenção em um ato explícito de apoio à candidatura de João Rodrigues significaria levar para o palco uma divergência que o partido trabalhou durante meses para manter sob controle. A escolha foi preservar aquilo que unia todos os presentes.

Uma unidade que tem limites

A convenção mostrou um Progressistas unido, mas é importante compreender em torno de quê. O partido demonstrou unidade para defender sua nominata, fortalecer suas chapas proporcionais e pedir votos a Esperidião Amin. Não demonstrou a mesma unidade quando o assunto foi a disputa pelo Governo do Estado. Isso ficou evidente pela ausência do tema nos discursos e pelo comportamento da plateia. Não houve manifestações espontâneas, pedidos de apoio ou palavras de ordem. Houve silêncio. Um silêncio disciplinado e, talvez, o aspecto mais revelador de toda a convenção.

Hoje convivem dentro do Progressistas duas realidades políticas bastante claras. Uma ala, liderada por Esperidião Amin, integra naturalmente o projeto estadual da coligação formada com PSD, MDB e União Brasil. Outra, numericamente mais expressiva entre prefeitos, vereadores e lideranças municipais, permanece identificada politicamente com o projeto de reeleição de Jorginho Mello e tende a acompanhá-lo durante a campanha, preservando, ao mesmo tempo, o compromisso partidário com Esperidião Amin e com os candidatos proporcionais. Essa realidade não foi escondida. Também não foi exposta. Foi administrada.

O papel do secretário nacional

É justamente nesse ponto que o discurso do secretário nacional ganha outro significado. Ao afirmar que existem causas maiores do que projetos individuais, falava muito mais para dentro do partido do que para o público externo. Sua missão era consolidar aquilo que diversas lideranças definiam como maturidade eleitoral: reconhecer que existem posicionamentos diferentes na disputa pelo Governo do Estado, sem permitir que essas diferenças ultrapassassem uma linha considerada essencial para o Progressistas.

Essa linha nunca foi desenhada explicitamente, mas esteve presente durante toda a convenção. Há espaço para escolhas distintas na eleição majoritária. Não há espaço para que essas escolhas comprometam o projeto partidário de reeleger Esperidião Amin, fortalecer a bancada federal e ampliar a representação na Assembleia Legislativa. Mais do que pedir unidade, o secretário nacional delimitou os contornos dessa convivência.

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A campanha começa agora

A convenção encerrou uma etapa administrativa. A etapa política começa a partir de agora. O Progressistas entra na campanha com uma estratégia muito clara: concentrar sua estrutura na reeleição de Esperidião Amin, ampliar sua bancada federal, crescer na Assembleia Legislativa e administrar, com inteligência política, a convivência entre lideranças que caminharão em palanques diferentes na disputa pelo Governo do Estado.

Esse será o maior teste da legenda. Não será sua capacidade de fazer campanha, mas sua capacidade de preservar a unidade construída na convenção quando a polarização eleitoral se intensificar.

Sobretudo

A convenção estadual do Progressistas não produziu unanimidade. Produziu algo talvez mais valioso em um ano eleitoral: uma convivência politicamente administrada. A chamada maturidade eleitoral, expressão repetida por diversas lideranças presentes ao evento, não significa ausência de divergências. Significa compreender que elas não podem comprometer o projeto coletivo.

Esse foi o principal papel desempenhado pelo secretário nacional ao longo da construção da convenção. Como articulador desse processo, trabalhou para construir uma unidade possível, preservando uma linha tênue entre as diferentes correntes do partido. Essa linha permaneceu invisível durante toda a noite, mas esteve presente em cada discurso e, principalmente, em cada silêncio.

Há, porém, uma leitura política que a convenção também deixou evidente. A maturidade eleitoral construída pelo Progressistas não alterou uma realidade conhecida dentro da legenda: a ampla maioria de prefeitos, vereadores e lideranças municipais permanece alinhada ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello. Esse sentimento esteve presente durante todo o evento. Mas a condução interna indicou compreender esse cenário e estabeleceu um limite claro para a convivência interna. O partido pode conviver com posicionamentos diferentes na disputa pelo Governo, mas não pode abrir mão daquilo que foi tratado como inegociável: a reeleição de Esperidião Amin, o fortalecimento das chapas proporcionais e a preservação do Progressistas como protagonista da política catarinense.

Foi essa a engenharia política construída durante a convenção. Não se tentou impor uma unanimidade que hoje não existe. Preferiu-se construir uma unidade possível. A paz reina, mas sustentada por um equilíbrio delicado, no qual todos parecem saber exatamente até onde podem ir. A campanha dirá se essa maturidade eleitoral será suficiente para manter o Progressistas unido quando os palanques regionais exigirem definições mais claras.

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