Devedor contumaz

De acordo com uma fonte ouvida pela reportagem da coluna, o presidente da Câmara – deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) – rasgou o acordo que tinha feito com a coalizão das frentes parlamentares para indicar o nome do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) como relator do Projeto de Lei Complementar (PLP) 125 de 2022, conhecido como a proposta que põe fim ao devedor contumaz. A informação obtida pela coluna é que o parlamentar paraibano não aguentou a pressão exercida pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), contrário à proposta, e vai indicar o deputado Domingos Sávio (PL-MG), com objetivo de mudar o texto aprovado pelo Senado e com isso evitar que a lei possa valer já em 2026. Sávio, que votou contra a urgência do projeto, deve alterar substancialmente o texto encaminhado pelos senadores, obrigando que o projeto volte a ser analisado pelo Senado.
Candidato bolsonarista

De acordo com fontes do “centrão” que são aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o gestor paulista deveria forçar uma definição para enquadrar o clã da família do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) para haver uma definição sobre quem será o candidato ao Planalto pelo bolsonarismo na eleição de 2026. Segundo estas fontes, a estratégia seria comunicar à família que ele não seria candidato contra os filhos do ex-presidente, seja o senador Flávio Bolsonaro, ou até mesmo o deputado Eduardo Bolsonaro, para em seguida anunciar sua candidatura à reeleição em São Paulo e, nesse cenário, apoiar Flávio à Presidência. A manobra seria um ultimato sutil: sem ser uma afronta direta, mas deixando claro que Tarcísio não toleraria críticas dos bolsonaristas enquanto é cobrado como aliado. A avaliação é que, se Flávio não decolar nas pesquisas, o próprio Bolsonaro pedirá a Tarcísio que dispute o Planalto.
Só no carnaval

A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) deve ocorrer apenas em fevereiro de 2024, segundo informaram algumas fontes do “centrão” ouvidas por esta coluna. Oficialmente, o adiamento é atribuído à agenda cheia do Senado em dezembro e à necessidade de uma campanha mais longa pelos votos por Messias. No entanto, a demora também demonstra a insatisfação do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) com o presidente Lula, que indicou o ministro-chefe da AGU sem nenhuma conversa prévia com ele. Aliados de Alcolumbre afirmam que o senador amapaense estaria “muito irritado” por não ter sido avisado previamente da indicação e que preteriu para a vaga deixada aberta pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) – seu aliado.
Governo x Centrão

A crise entre Lula e Alcolumbre é apenas um fator complicador para o governo no Congresso. Além do enrosco com o senador amapaense, Lula enfrenta ainda “sérias dificuldades” para avançar sua agenda na Câmara dos Deputados. Segundo fontes do “centrão” ouvidas pela coluna, a crise envolve tanto a indicação de Jorge Messias ao STF, como as recém declarações do presidente da “Casa do Povo”, deputado Hugo Motta, que agora mantém tensões com o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), o que paralisaria pautas prioritárias do Executivo. Os dois dirigentes do Poder Legislativo possuem o poder regimental como instrumento de pressão, criando um cenário onde o governo precisa operar “com o freio de mão puxado”. A situação ficou evidente com a apertada votação na recondução de Paulo Gonet à Procuradoria-Geral da República (PGR), interpretada como um “alerta” ao Planalto.
Banco Master

A possibilidade de delação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e a extração de dados dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocam apreensão entre políticos de Brasília, de acordo com algumas fontes do “centrão” ouvidas pela coluna, Costa divide o mesmo advogado com o governador do DF, Ibaneis Rocha, Cleber Lopes, mas sua eventual colaboração com as investigações é temida. O juiz federal Ricardo Augusto negou a prisão de Costa justamente esperando sua delação, que poderia envolver nomes de peso. Paralelamente, os celulares apreendidos de Vorcaro e seu sócio Augusto Lima revelaram conversas com importantes figuras políticas, incluindo os governadores de SP, Tarcísio de Freitas e do RJ, Cláudio Castro, além do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).
Banco Master 2

Grandes banqueiros manifestaram duras críticas ao ex-presidente do Banco Central do Brasil (BCB), Roberto Campos Neto, durante o almoço de fim de ano da Federação brasileira dos bancos (Febraban), segundo informações que chegaram à coluna por fontes do “centrão”, que participaram do referido almoço. Em conversas reservadas, os banqueiros acusaram Campos Neto de prevaricação por não ter agido para conter a crise no Banco Master, mesmo após receber alertas formais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e da própria Febraban sobre os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) arriscados da instituição. A percepção entre os banqueiros é que Campos Neto teria se eximido de suas responsabilidades. No mesmo almoço, o atual presidente do BCB, Gabriel Galípolo, foi elogiado pelos banqueiros por ter liquidado o Banco Master e por “elevar a régua da dignidade institucional” do Banco Central.
Operações da CGU/PF

A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal deflagraram a “Operação Paralelo Cinco” para investigar um esquema de desvio de recursos da saúde pública que movimentou R$ 340 milhões em hospitais do Rio Grande do Sul e São Paulo. Segundo informações que chegaram à coluna por fontes do Planalto, a operação chegou a uma Organização Social (Oscip) suspeita de utilizar empresas de fachada para desviar verbas públicas destinadas ao SUS entre 2022 e 2025. A operação, que conta com apoio do Tribunal de Contas do RS, cumpriu 24 mandados de busca, duas prisões preventivas e bloqueou R$ 22,5 milhões em bens nos estados do RS, SC e SP. Paralelamente, outra ação da CGU e PF – a “Operação Gênesis” – desarticulou na Bahia um esquema de desvio de R$ 30 milhões da prefeitura de Itacaré, com 30 mandados de busca cumpridos também no Espírito Santo, afastamento de sete servidores e bloqueio de R$ 20 milhões.
Apex em Cuiabá

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, inaugurou o primeiro escritório da ApexAgro em Cuiabá, para auxiliar na promoção comercial do agronegócio mato-grossense. Durante a cerimônia, Fávaro destacou que Mato Grosso, responsável por um terço do superávit comercial brasileiro, ganha agora ferramentas diretas para ampliar sua presença internacional. Paralelamente, o ministro abriu o Encontro Nacional do Agro em Brasília, reunindo 54 adidos agrícolas e representantes de dez órgãos governamentais. No evento, que tem como objetivo alinhar estratégias para ampliar o acesso a mercados globais, os adidos, espalhados pelas embaixadas brasileiras no mundo, atuam na abertura de novos mercados, negociação de barreiras sanitárias e identificação de oportunidades comerciais. A rede de adidos foi ampliada de 29 para 54 profissionais.
Biocombustíveis

O STF manteve, por unanimidade, a validade da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), instituída pela Lei 13576 de 2017. O julgamento, encerrado em sessão virtual no último dia 17 de novembro, rejeitou ações dos partidos Renovação Democrática (PRD) – antigo PTB e PDT, que questionavam a constitucionalidade do programa. Os partidos argumentavam que a lei criava tratamento desigual ao favorecer produtores de biocombustíveis, como o etanol, e impor metas obrigatórias de descarbonização aos distribuidores de combustíveis fósseis. O relator, ministro Nunes Marques, destacou em seu voto que a distinção de tratamento se justifica pela diferença fundamental entre os setores: enquanto um emite gases de efeito estufa, o outro colabora com a transição energética.
Janela de investimentos

O presidente em exercício, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDICS), Geraldo Alckmin, anunciou que o primeiro módulo da Janela Única de Investimentos será lançado em fevereiro de 2026, com o objetivo de reduzir o “Custo Brasil” em R$ 50 bilhões através da desburocratização e integração de informações. A ferramenta, apresentada durante reunião com secretários estaduais de Desenvolvimento no Planalto, permitirá o monitoramento transparente de investimentos e incluirá todos os estados. Durante a reunião, Alckmin citou como avanços recentes a retirada de 238 produtos das tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA) e os novos acordos comerciais do Mercosul com Singapura, EFTA e o iminente acordo que está próximo de assinar com a União Europeia.

























