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Bastidores do Poder

Coluna de notas apuradas diretamente dos bastidores da Câmara dos Deputados, Ministérios, Palácio do Planalto, Procuradoria-Geral da República, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores.

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Gravação no STF?

Suspeita de gravação clandestina surgiu após o site “Poder360” divulgar falas literais. (Foto: Antonio Augusto / STF)

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitam que a reunião fechada que selou a saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master foi gravada clandestinamente pelo próprio ministro Toffoli, que teria passado as gravações ao site “Poder360” ao qual divulgou trechos literais dos diálogos, com falas extensas e precisas atribuídas aos magistrados, com um nível de detalhe considerado incompatível a mera reconstrução por memória.

 

Hipótese de chantagem

Nos bastidores, a avaliação é que o registro não teria como único objetivo o vazamento, mas poderia integrar uma estratégia para produzir material capaz de constranger ou pressionar integrantes da Corte. A suspeita mais sensível é que a gravação teria sido feita na expectativa de que dois ministros, cujos nomes já teriam surgido em mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fossem citados durante as discussões.

 

Quebra de confiança

A reunião contou apenas com os dez ministros, sem assessores ou servidores — que precisavam bater à porta e aguardar autorização para entrar. Parte dos magistrados desligou os próprios celulares como medida preventiva. Toffoli negou ter feito qualquer registro e sugeriu que a falha poderia ter partido da área de informática, mas a justificativa foi recebida com ceticismo. O episódio já produziu um efeito concreto: a quebra de confiança entre pares e o aprofundamento da crise política instalada na Corte.

 

Vorcaro e o poder

O empresário capixaba Luiz Oswaldo Pastore, que financiou a campanha derrotada de Flávia ao Senado, é o dono do jatinho em que Dias Toffoli viajou a Lima para a final da Libertadores de 2025, acompanhado do advogado de um diretor do Master preso. A aeronave levava também o pré-candidato à Presidência, Aldo Rebelo (DC). (Foto: Divulgação / Secom-PF)

A trajetória de Daniel Vorcaro à frente do Banco Master foi pavimentada por conexões políticas de alto escalão desde 2018, quando recebeu bênçãos de Henrique Meirelles, ministro da Fazenda do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Em 2021, com Paulo Guedes no comando do super Ministério da Economia e com Roberto Campos Neto à frente do Banco Central do Brasil (BCB), a “carta-patente” foi ampliada, permitindo a criação do Master.

 

Master alimentação

O então ministro da Cidadania, ex-deputado federal João Roma (PL-BA), amigo do sócio do Master, Augusto Lima, federalizou o Credcesta — vale-refeição comprado do governo da Bahia com seis milhões de usuários — permitindo que benefícios sociais fossem pagos via cartão do banco hoje liquidado e que créditos consignados fossem ofertados à base, que saltou para 16 milhões de clientes.

 

Laços afetivos e institucionais

Nos tempos do bolsonarismo, Augusto Lima conheceu a ministra Flávia Arruda, sua atual esposa e ex-ministra de Bolsonaro responsável pela Secretaria de Governo, hoje integrante da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, com quem se casou após a separação dela com o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que à época era filiado ao PL.

 

O auge e a queda

A REAG foi liquidada extrajudicialmente pelo BCB em janeiro de 2026, após investigações da “Operação Compliance Zero”. (Foto: Divulgação / Reag)

Em 2024, o BCB detectou fragilidades nas operações do Master, lastreadas em fundos da REAG que inflavam ativos com papéis podres. Sob Gabriel Galípolo, o cerco se apertou. O BTG Pactual fez oferta hostil de R$ 1 pelo banco rival.

 

“Solução mágica”

A “solução mágica” veio com o Banco Regional de Brasília (BRB), articulada pelo senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), em conjunto com o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, que também viabilizaram investimentos de R$ 1,4 bilhão do “RioPrevidência”, vinculado ao governo fluminense, e R$ 400 milhões da “MaceióPrevidência”, vinculada a prefeitura alagoana, em títulos do Master.

 

Teia de fundos

Com o banco foi liquidado em dezembro de 2025, a engenharia financeira que sustentou as fraudes do Banco Master tinha na “REAG DTVM” seu principal instrumento. Os fundos administrados pela REAG lastreavam as operações do Master, inflando artificialmente o patrimônio com ativos superfaturados, como debêntures do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) e imóveis avaliados por valores até 200 vezes acima do real.

 

A triangulação com a família Toffoli

A CPI do Crime Organizado do Senado Federal, presidida pelo petista Fabiano Contarato (ES), já protocolou requerimentos de quebra de sigilo da REAG e de Mansur. (Foto: Divulgação / Moriah Assets)

No centro da teia está o Resort Tayayá, no Paraná. A Maridt Participações, empresa da família Toffoli, era sócia do empreendimento até fevereiro de 2025. Em setembro de 2021, a Maridt vendeu parte de suas cotas ao Fundo Arleen por R$ 3,1 milhões.

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Cunhado de Vorcaro

O Arleen, gerido pela REAG, tinha como principal cotista o Fundo Leal, cujo único dono é Fabiano Zettel — cunhado de Daniel Vorcaro. O Fundo Leal injetou R$ 19,9 milhões no Fundo Arleen. O restante das cotas da Maridt foi vendido à PHB Holding em fevereiro de 2025.

 

Outros tentáculos

A REAG também é investigada na “Operação Carbono Oculto”, por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Seu fundador, João Carlos Mansur, foi alvo de buscas na segunda fase da “Compliance Zero”. O dinheiro do esquema “passeava” por fundos e voltava valorizado em até 1.000% em poucas horas, sem nunca sair fisicamente do banco.

 

BRB na mira

Todos os diretores do BRB dos últimos cinco anos e o governador Ibaneis Rocha, na condição de “controlador final”, tiveram seus patrimônios congelados e podem ser obrigados a ressarcir os cofres públicos. (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

A aquisição do Banco Master pelo BRB, anunciada em 2 de março de 2025 com pompa pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) e pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, tornou-se o epicentro da crise que agora atinge o governo do Distrito Federal (GDF).

 

Articulação do “centrão”

A compra do Master pelo BRB foi articulada por Ciro Nogueira e Rueda a pedido de Vorcaro e Augusto Lima, que viam na solução estatal a única saída após a oferta hostil do BTG Pactual. O então presidente do BRB ignorou alertas de sua área jurídica, cumprindo a ordem de Ibaneis: “É para fazer”.

 

Investigações em curso

Após a liquidação do Master, a PF deflagrou nova fase da “Compliance Zero”, com buscas na sede do BRB e medidas cautelares contra Paulo Henrique Costa. O ministro Dias Toffoli autorizou inquérito formal para investigar fraudes no banco público.

 

Defesa e desdobramentos

Ciro Nogueira e Rueda, que articularam a compra do Master pelo BRB e viabilizaram os bilionários investimentos do “RioPrevidência” e “MaceióPrevidência” no Master, estão em silêncio absoluto desde a liquidação do banco. (Foto: Evandro Macedo / Lide)

Ibaneis indicou seu amigo pessoal, o criminalista Cleber Lopes, para defender Paulo Henrique Costa. O governador, que recebeu Vorcaro ao menos quatro vezes, uma delas em jantar em sua casa, tenta agora dimensionar publicamente o grau de proximidade com o ex-banqueiro.

 

Ausência na CPI

Convidado a depor na CPI do Crime Organizado, Ibaneis faltou ao convite, fazendo com que o presidente da comissão, Fabiano Contarato, apresentasse requerimento de convocação. E, caso falte novamente, o petista capixaba avisou: “se faltar, será conduzido coercitivamente, sem limitação de temas”.

 

Fuga dos aliados

Consumada a quebra do Banco Master e a exposição das conexões políticas de Daniel Vorcaro, seus outrora entusiastas aliados tratam de aplicar a tática de desaparecer sem dar explicações, como fantasmas.

 

Articulação para travar CPIs

Investimentos do “RioPrevidência” do governo do estado do Rio de Janeiro, somadas as aplicações feitas pela “MaceióPrevidência” da prefeitura da capital alagoana e do Amprev do governo amapaense superam os R$ 2 bilhões no Banco Master. (Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil)

Nos bastidores, Arthur Lira (PP-AL) atuou junto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para engavetar a CPI do Master. O requerimento de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), com mais de 200 assinaturas, foi colocado no fim de uma fila de 15 pedidos em que só cinco podem funcionar.

 

Trava também no Senado

No Senado, o presidente da Casa, senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que seria responsável pelas nomeações de diretores do “Amapá Previdência” (Amprev), que aplicaram R$ 400 milhões no Master, também decidiu não instalar uma CPI específica para o caso.

 

Sem CPMI também

Já a CPMI, que funcionaria nas duas Casas legislativas, e independe de fila para funcionar, depende de uma leitura do requerimento de solicitação com as assinaturas já alcançadas serem lidas por Alcolumbre em sessão do Congresso, o que ele não deve fazer.

 

Problemas na aliança PT-PSB

O prefeito de Recife, João Campos, presidente nacional do PSB, estaria dificultando “fechar” a aliança com o PT em Pernambuco e dificultando as alianças do partido em SP. Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

O Palácio do Planalto está em ebulição com os rumos do PSB para 2026. O presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin têm reclamado nos bastidores da condução autoritária do prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, nas negociações eleitorais. A insatisfação contrasta com a avaliação positiva que Lula faz de outras siglas, como PDT e PSD, vistas como mais pragmáticas e leais na construção de palanques estaduais para a reeleição.

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Atritos regionais

Em Pernambuco, a prioridade do PT é reeleger Humberto Costa no Senado, mas Campos dificulta a confirmação da chapa devido a compromissos avançados com Republicanos e União Brasil. Em São Paulo, os projetos da deputada Tábata Amaral, que formalizará o casamento político com Campos após o carnaval, sobrepõem-se aos do ministro Márcio França e do próprio Alckmin. Em conversa com a bancada pernambucana, Lula queixou-se diretamente da falta de parceria macropolítica dos socialistas.

 

Defesa pública

Apesar das tensões, Campos tem se reunido frequentemente com Lula para aparar arestas. Em entrevistas, reafirma a importância da manutenção de Alckmin na vice-presidência e na aliança nacional. No entanto, nos bastidores, petistas avaliam que o PSB prioriza projetos pessoais de Campos em detrimento da estratégia presidencial, enquanto o PDT e até mesmo o PSD — que planeja candidatura própria — mostram-se mais flexíveis nas costuras regionais.

 

Facilidades nas alianças com PDT e PSD

O pragmatismo pessedista contrasta com o tom orquestrado do PSB, que ensaia frevo para sua própria eleição. (Foto: Rubens Cavallari / Folhapress)

Enquanto o PSB enfrenta desgaste no Planalto, o PDT de Carlos Lupi vive momento de reabilitação na relação com o PT. Pautado por Lula, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, comunicou a Lupi que a executiva nacional não se oporá a alianças com candidaturas pedetistas no Rio Grande do Sul (RS), Minas Gerais (MG) e Paraná (PR), onde a legenda brizolista lançará ao governo ou ao Senado destes estados Juliana Brizola, Alexandre Kalil e Roberto Requião.

 

Entraves regionais

A construção é mais fácil no Sul, já que em Minas Gerais, Kalil resiste a apoiar setores do PT estadual com os quais acumulou divergências ao longo dos anos. No RS, o PT local ainda resiste a abrir mão da candidatura de Edegar Pretto, mas Lula já sinalizou simpatia por Juliana Brizola e orientou diálogo entre as direções. Lupi chegou a anunciar prematuramente o apoio ao petista, causando atrito, mas a aliança segue nos trilhos.

 

Pragmatismo do PSD

Até o PSD de Gilberto Kassab, que insiste em candidatura própria à Presidência, tem se mostrado mais leve nas costuras estaduais com o PT. Em seis dos doze maiores colégios eleitorais: MG, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará e Santa Catarina, os candidatos do PSD devem pedir a Lula independentemente de a sigla lançar ou não um presidenciável.

 

Tarcísio versus Kassab?

Se Kassab perder a vice de Tarcísio, os bastidores já apontam que o presidente nacional do PSD seria vice de Simone Tebet, que deve trocar o MDB pelo PSB. (Foto: Reprodução / Redes digitais)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem dado sinais claros de que Gilberto Kassab (PSD) não será seu vice na chapa à reeleição. A preferência do governador é manter Felício Ramuth (PSD), atual vice, a quem aliados atribuem lealdade e bom desempenho. A resistência a Kassab vem de múltiplos vetos: do bolsonarismo, de partidos da base como Republicanos, MDB e Podemos, e do próprio governador, que vê desgaste na articulação .

 

Vetos e resistências

Nos bastidores, aliados apontam que Kassab já concentra poder demais — comanda a Secretaria de Governo e Relações Institucionais e ampliou a influência do PSD no interior paulista. Uma declaração recente em que chamou Tarcísio de “submisso” a Bolsonaro irritou o entorno do governador e piorou o clima. O PL, por sua vez, pressiona para que a vice fique com o partido, indicando o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado.

 

Parceria com Lula?

Com Kassab encurralado em São Paulo, abre-se a hipótese de uma negociação nacional com o Planalto. Lula, que já surpreendeu ao colocar Alckmin na chapa em 2022, pode atrair o PSD oferecendo espaço na composição presidencial como a vice-presidência para o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), com Alckmin cotado para assumir  a candidatura ao Senado ou ao governo estadual.

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