O risco pode estar mais perto do que você imagina
A violência deixou de ser um problema distante. Ela atravessa bairros, profissões e relações pessoais. Em muitos casos, chega sem aviso, disfarçada de normalidade. Em um cenário assim, confiar deixou de ser um ato automático. Passou a exigir responsabilidade.
A pergunta é simples, mas decisiva: você realmente sabe com quem está lidando?
O Brasil convive com diferentes formas de criminalidade, algumas visíveis, outras silenciosas. Também não é raro encontrar sinais de inconsistência entre discurso e realidade. Padrões de vida incompatíveis, ostentação repentina e histórias pouco claras são alertas que merecem atenção. Não se trata de julgamento precipitado, mas de cautela legítima.
Hoje, informação não é apenas poder. É proteção.
Ferramentas públicas e gratuitas permitem ao cidadão acessar dados básicos que ajudam a reduzir riscos no dia a dia. O aplicativo SINESP Cidadão, mantido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, possibilita consultar a situação de veículos a partir da placa, identificando registros de roubo ou furto. É um recurso simples, acessível e que pode evitar problemas maiores.
Esse tipo de verificação não precisa ser exceção. Pode e deve se tornar um hábito, especialmente em decisões que envolvem confiança.
PREVENÇÃO NAS RELAÇÕES E PROTEÇÃO DAS MULHERES
Relações pessoais, contratações de serviços, parcerias profissionais e vínculos institucionais exigem um mínimo de diligência. Solicitar certidões negativas criminais, dentro dos limites legais, é uma prática legítima e amplamente utilizada. Não se trata de desconfiança generalizada, mas de prevenção responsável.
Para as mulheres, essa reflexão é ainda mais urgente. Estados como Mato Grosso apresentam índices preocupantes de feminicídio. Em muitos casos, sinais de risco existiam antes da violência. O acesso à informação, nesse contexto, pode ajudar a evitar relações perigosas e, em situações extremas, salvar vidas.
No ambiente doméstico e empresarial, o cuidado deve seguir a mesma lógica. A contratação de prestadores de serviço, colaboradores ou parceiros exige critérios claros. A verificação de antecedentes, quando realizada de forma legal, proporcional e com finalidade legítima, contribui para a segurança de todos.
INTEGRIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E CONTROLE SOCIAL
No setor público, a exigência deve ser ainda mais rigorosa. A ocupação de cargos e funções pressupõe conduta compatível com o interesse coletivo. Regras de ingresso existem justamente para preservar a integridade das instituições e a confiança da sociedade.
Mas é preciso avançar. A verificação de idoneidade não pode ser um ato isolado no momento da entrada. Precisa ser contínua.
Devem ser instados, de forma transparente e permanente, os três Poderes da República, Executivo, Legislativo e Judiciário, nas esferas federal, estadual e municipal. Isso inclui ministérios, secretarias, autarquias, fundações, empresas estatais, agências reguladoras, prefeituras, governos estaduais e toda a administração pública direta e indireta.
Devem igualmente ser cobrados os órgãos autônomos e de controle, como o Ministério Público, os Tribunais de Contas, as Defensorias Públicas, além dos próprios tribunais e casas legislativas em todos os níveis.
A imprensa, as instituições de controle social e a sociedade civil organizada têm papel central nesse processo. Verificar, questionar e dar transparência a essas práticas é essencial para o fortalecimento das instituições.
A exigência é objetiva e de alto impacto preventivo. Há verificação periódica da idoneidade dos agentes públicos? As certidões são atualizadas regularmente? Existem rotinas de controle efetivo ou a checagem ocorre apenas no ingresso?
Ignorar esse cuidado é permitir que riscos entrem pela porta da frente da administração pública.
Transparência e moralidade administrativa não são escolhas discricionárias (ou seja, não são opcionais). São deveres constitucionais que vinculam toda a atuação estatal.
A população precisa ter clareza sobre como essas verificações estão sendo feitas e se realmente estão sendo cumpridas.
Na vida pessoal, nas relações afetivas e familiares, especialmente para as mulheres, informação pode ser a diferença entre segurança e vulnerabilidade. No ambiente profissional, seja na contratação de serviços ou na gestão de equipes, a verificação responsável fortalece a confiança e reduz riscos evitáveis. No Estado, é condição indispensável para garantir que o poder público seja exercido por quem esteja à altura da função.
Antes de confiar, consulte. Em tempos de risco, essa não é apenas uma orientação, mas uma atitude prática de proteção na sua vida, no seu trabalho e naquilo que o poder público deve representar.
COMO CONSULTAR E SE PROTEGER NA PRÁTICA
Aplicativo SINESP Cidadão
Permite consultar a situação de veículos a partir da placa, com base em dados oficiais de segurança pública.
• Google Play: https://play.google.com/store/apps/details?id=br.gov.sinesp.cidadao.android
• Apple Store: https://apps.apple.com/br/app/sinesp-cidadão/id768157962
• Página oficial: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/sinesp-1/sinesp-Cidadao
Certidões negativas criminais
Podem ser solicitadas, dentro dos parâmetros legais, em diferentes esferas:
• Crimes eleitorais
http://www.tse.jus.br/eleitor/certidoes/certidao-de-crimes-eleitorais
• Antecedentes criminais estaduais
https://portal.sesp.mt.gov.br/portaldaseguranca/pages/criminal/certidaoHome.seam
Recomenda-se consultar também outros estados onde a pessoa tenha residido
• Polícia Federal
https://servicos.pf.gov.br/epol-sinic-publico/
• Justiça Militar da União
https://www.stm.jus.br/servicos-ao-cidadao/atendimentoaocidadao/certidao-negativa?view=default
• Justiça Federal
https://certidao-unificada.cjf.jus.br/#/solicitacao-certidao
Por Angelo Silva de Oliveira
Angelo Silva de Oliveira é cidadão brasileiro, mestre em Administração Pública e controlador/auditor interno.

















