MATO GROSSO

SÍNDICO DE CONDOMÍNIO DE LUXO

Alvo da Operação Gemini, empresário é citado em mensagens, movimentações financeiras e suposto esquema ligado à venda de sentenças

Montagem: Repórter MT

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O empresário Luciano Cândido Amaral, síndico do condomínio de luxo Florais do Valle, em Cuiabá, pediu renúncia do cargo nesta segunda-feira (9), um dia após a Polícia Federal avançar nas investigações da Operação Gemini, que apura um suposto esquema de venda de sentenças e lavagem de dinheiro no Judiciário mato-grossense.

Luciano é apontado pela investigação da PF como uma peça importante nas investigações que envolvem o desembargador afastado Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. As suspeitas ganharam força após a análise do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, em Cuiabá.

Nos arquivos extraídos do aparelho, o empresário aparecia salvo com o apelido de “Irmão Gêmeo – DD”, referência que, segundo os investigadores, demonstraria a proximidade entre ele e o magistrado. Conversas analisadas pela PF indicam que Luciano teria acesso privilegiado a informações e processos que tramitavam no gabinete do desembargador.

Um dos episódios citados pela investigação ocorreu em setembro de 2023. De acordo com a PF, Zampieri enviou um processo ao empresário pedindo ajuda para viabilizar uma decisão judicial favorável. No dia seguinte, a liminar teria sido assinada e publicada.

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Além das mensagens, relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações consideradas suspeitas. As investigações apontam transferências que somam mais de R$ 600 mil entre pessoas ligadas ao esquema, além de pagamentos de boletos e um repasse de R$ 140 mil feito por uma empresa de Luciano para a conta da esposa do desembargador.

A Polícia Federal também afirma ter encontrado indícios de utilização de empresas e terceiros para ocultar patrimônio e movimentar recursos. Entre os negócios analisados estão uma construtora, uma clínica de estética e até uma pizzaria que, segundo os investigadores, seria administrada informalmente pelo magistrado por meio de pessoas próximas.

O caso levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a manter o afastamento cautelar de Dirceu dos Santos e a decretar a indisponibilidade de bens do desembargador e de empresas ligadas ao empresário. Durante as buscas da Operação Gemini, agentes apreenderam armas, canetas de luxo e um relógio Rolex avaliado em mais de R$ 200 mil. As investigações seguem em andamento e o material reunido foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá avaliar a apresentação de denúncia criminal.

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