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Mesmo “modus operandi”

Alexandre de Moraes diz que incentivo a taxações contra o Brasil tem como objetivo promover uma nova tentativa de golpe de Estado tal qual 8 de janeiro de 2023

Moraes, que mantém decisão de prisão domiciliar de Bolsonaro, afirma que “o incentivo às taxações [impostas] ao Brasil, incentivo a crise econômica, que gera crise social” é um movimento para que “novamente haja um novo ataque golpista”. (Foto: Victor Piemonte / STF)

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Relator da ação penal ao qual o ex-presidente Bolsonaro responde por ser o mentor político da tentativa de golpe de Estado e que teve prisão domiciliar decretada por descumprir medidas cautelares, autorizou diversas autoridades a visitarem o ex-presidente.

 

Por Humberto Azevedo

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou na última sexta-feira, 1º de agosto, em sessão daquela Corte, que apoiar e incentivar a taxações impostas pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA) contra o Brasil tem como objetivo promover uma nova tentativa de golpe de Estado tal qual ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023.

 

Segundo o ministro da Suprema Corte, as ameaças que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) – que reside nos EUA desde abril – aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmando que defenderá sanções do governo estadunidense contra eles caso não pautem projetos considerados prioritários pela bancada bolsonarista nas duas Casas legislativas como a que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, são “ameaças diretas” que têm o mesmo “modus operandi”.

 

Relator da ação penal ao qual o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) responde por ser o mentor político da tentativa de golpe de Estado e que teve prisão domiciliar decretada na última segunda-feira, 4 de agosto, por descumprir medidas cautelares impostas a ele no final de julho, quando participou remotamente de uma manifestação ao seu favor e contra o STF no último domingo, 3 de agosto, Moraes autorizou nesta quinta-feira, 7 de agosto, diversas autoridades a visitarem o ex-presidente.

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De acordo com despacho do ministro Alexandre de Moraes publicado nesta quinta, seis novas pessoas – além dos familiares – estão autorizados a visitarem o ex-presidente entre os dias 7 e 14 de agosto, no período das 10h às 18h. A primeira visita será a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Depois, visitarão Bolsonaro a vice-governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão (PP), os deputados federais Junio do Amaral (PL-MG), Marcelo Pires (PL-RS) e Luciano Zucco (PL-RS) e o empresário fluminense do ramo da construção civil da região de Angra dos Reis, Renato de Araújo Corrêa.

 

As seis autoridades que foram autorizadas a visitar Bolsonaro nos próximos dias deverão cumprir as determinações legais e judiciais fixadas em decisão anterior, entre as quais a proibição do uso de celulares, de tirar fotos e de gravar imagens. 

 

“Não houve, no mundo, uma ação penal com tanta transparência e publicidade como essa ação penal. Nenhum país do mundo transmite interrogatórios, oitiva de testemunhas para toda imprensa e sociedade acompanharem. E pasmem que um dos brasileiros investigados e foragido, recentemente, nesta semana, dirigiu ameaças diretas aos presidentes da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Mota, e do Senado Federal, o senador Davi Alcolumbre. Ameaças diretas. Ou vocês votam anistia, ou as tarifas vão continuar em uma tentativa patética de tentar afastar os ministros [do STF] do cumprimento de sua missão institucional [para] favorecer réus em ações penais”, comentou Moraes.

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“Eu afirmo, tentativa de golpe de Estado, que esse Supremo Tribunal Federal já condenou mais de 700 pessoas por tentativa de golpe de Estado. O modus operandi é o mesmo. Antes acampamentos, na frente dos quartéis, invasão na Praça dos Três Poderes, para que com isso houvesse, como mais de 500 réus confessaram, houvesse a convocação de GLO [Garantia da Lei e da Ordem] e as Forças Armadas gerando uma comoção nacional, e aí houvesse a possibilidade do golpe. O incentivo às taxações [impostas] ao Brasil, incentivo a crise econômica, que gera crise social, que por sua vez gera crise política, para que novamente haja uma instabilidade social e a possibilidade de um novo ataque golpista”, complementou Moraes na última sexta.

 

“O STF continuará realizando sua missão constitucional, em especial nesse segundo semestre, realizará os julgamentos e as conclusões dos quatro núcleos das importantes ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Absolvendo aqueles onde não houver prova de responsabilidade, condenando aqueles onde houver prova. Mas julgando, exercendo a nossa função judicial e não nos acovardando em virtude de ameaças. Seja daqui ou de qualquer outro lugar, o STF continuará a exercer seu papel de guardião da constituição”, finalizou na reabertura dos trabalhos do Poder Judiciário.

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